Pedaço de mim

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Chico Buarque
1977-1978

 

Plí



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 23h17
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Quando me dou o direito de ser escrevedor. 

 

Mesmo existindo tanta coisa boa para descobrir, ainda temos que nos esforçar para criar o inexistível.

 

O medo é de irmos para um lugar bem próximo de nós.

 

Palavra de escrevedor tem escre-vida numa linha só e curva.

 

Corrigir um poeta é como acordar um sonâmbulo no meio do sonho.

 

Um bom aforismo deve ser como um bom atirador. Acertar o alvo com um tiro só.

 

Toda punição é injusta desde quando inventaram a educação.

 

Eu me perfaço, porque eu não me perfeito.

 

Em cada palavra que eu escrevo, dentro dela vive, no mínimo, cinco livros.  Quando componho um poema, é porque eu já esgotei meus livros. E quando eu escrever um livro, espero não esgotar minha vida.  

 

A linha que divide os artistas dos não artistas está cada vez mais limiar. 

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 21h58
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Estudando letras de músicas.

 

Eu estava vendo a estrutura da letra de Chico Buarque. E quando a gente fala de estrutura em textos para músicas é mister lembrar que os sonetos estão para as canções assim como vice e versa.  E quanto mais me dou por gente, (mais humilde  me torno para reconhecer as coisas) menos julgo as pessoas, e  me esforço cada dia mais para entender os não compreendidos, porque sei que um dia fui (sou), absurdamente, um.

 

De forma que meu português se sente cada vez mais envergonhado de abrir novos parágrafos, e eu ando vendo a vida com outros olhos. Os mesmos olhos que mudaram quando lêem algum livro. Livro esse que reciclo para virar maçaneta ou Tênis All Star. 

 

Observem caros leitores ( ½ de meia dúzia de leitores que lêem este blog) como  toda a sintaxe e as sílabas estão muito bem estruturadas, e  rimadas em pares. Este é um poema de um dos rapazes mais odiados no universo intelectual, vocês podem ter certeza do que eu estou falando.

 

Como hoje em dia está muito fácil pesquisar, (nós abandonamos a pesquisa rápida do Aurélio, a pesquisa está ainda mais rápida,  agora chama google), vocês podem pesquisar de quem é esta letra pela sua própria letra, e duvidarão que o soneto esteja correto. Eu não o coloquei por completo completo, porque que ele não foi escrito, é uma canção. De modo que essa canção também não é um soneto, eu só o fiz assim para demonstrar que a linha que divide os artistas das pessoas comuns é cada dia mais limiar.  E que isso significa - ou pode significar - tanta coisa.

  

“Uma negra e uma criança nos braços

Solitária na floresta de concreto e aço

Ei, São Paulo terra de arranha Céu,

A garoa rasga a carne é a torre de Babel 

 

Veja, olha outra vez um rosto na multidão

A multidão é um monstro sem rosto e coração

Família brasileira, dois contra o mundo.

Mãe solteira de um promissor vagabundo

 

Luz câmera e ação, Gravando a cena vai.

Um bastardo, mais um filho pardo, sem pai.”

 

C Campos.



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 21h17
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O que será

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Chico Buarque/1976

Plínia, que adora Chico



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 14h40
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Boleros, falas e fantoches... 

 

 

Ato I

 

Pois é, firmes são as vacas, que dormem em pé e pastam sobre o sol. Hipocrisia dos hipócritas – tudo é hipocrisia. Parodiava o palhaço eclesiastes.Sou mestre de um discípulo só - disse um dia minha mente. Que gentil - pensei. Ela mentiu. A gente não é gentil com a gente.

 

Aqui no Brasil, palhaço é cidadão comum, qualquer Zé você. Alguns palhaços são até sisudos. Levam sua palhaçada muito a sério. Os menos profissionais rasgam a boca bangela, numa fração do seu sorriso. Os palhaços do Brasil criam orkuts e blogs. Todo sorriso tem uma foto.

 

Uma vez um alemão veio para o Brasil para aprender filosofia de palhaço. Ele disse que no Brasil todo mundo é artista. Tudo é muito legal de mais. E que o Brasileiro tem esse sorriso de porta de igreja aberta. O brasileiro é uma metáfora de circo, filosofou alguém.

 

No Brasil, todo mundo escreve torto. E que os escritores tem cáries nas letras. Tem um tal de Niemayer que entorta edifícios. Alguém achou genial.  Aí neguinho me diz que queria ser Lennon ou Elvis Presley. Que queria ter poderes para demitir seu lado brasileiro. Que queria ter dinheiro para sustentar a sua mentira. Jogar tudo pro alto com orgulho da sua carta de alforria.

 

Aqui no Brasil tem maior liberdade de expressão. O silêncio e a conivência é uma manifestação artística. A platéia não se manifesta, mas aplaude no final, e tudo se encaixa. A gente dá um sorriso, agredecido ao dono da casa, e tchau.

 

c. campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 00h53
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Indignação

Eu escrevi um texto relatando a experiencia banda larga dos meus irmaos e informando um surto de inspirção textual em pleno barulho de uma lan e eis que o blog dá biziu e não plubica o texto, e eis que Plínia não salva o texto. Eu odeio minha burrice.

Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 13h36
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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