Vanitas vanitatum, et omnia vanitas

Extraí parte da entrevista de Paulo Coelho ao New York Times, traduzida pela Folha de São Paulo:

 

Com 58 anos, o autor brasileiro vendeu, nos últimos 18 anos, mais de 65 milhões de cópias de seus livros, em 59 idiomas, tornando-o um dos autores populares de maior sucesso do mundo. Cada novo livro, que ele escreve em português, envolve uma operação extraordinária de tradução, impressão, distribuição e marketing. Depois, ao que parece, Coelho relaxa e contabiliza as vendas.

 

Quanto às críticas, ele diz ser estóico.

"Ninguém vai mudar a forma como escrevo", disse ele. "Borges disse que há apenas quatro histórias para se contar: uma história de amor entre duas pessoas, uma história de amor entre três pessoas, a luta pelo poder e a viagem. Todos nós autores escrevemos essas mesmas histórias ad infinitum."

"Mas a única coisa que não suporto", prosseguiu, "é a crítica ao leitor, que o leitor é burro. Você pode falar mal de mim, dos meus livros, mas não pode falar mal do leitor. É como dizer: 'Todo mundo é burro; menos o crítico'. Isso não é justo."

 

Paulo Coelho sempre afirmou que todo escritor quer ser lido, todo escritor quer vender livros. Eu não discordo dessa opinião, afinal todo advogado quer ganhar causas, todo profissional quer ter sucesso. Eu , na condição de leitora, não aspiro esse fim: eu não quero ser lida! Se eu escrevo “de faz de conta” não  é para  alguém ler, muito menos comprarem o papel, nem mesmo a idéia. Eu escrevo apenas pra implicar com as palavras, afinal elas me implicam.

 

As minhas professoras de literatura sempre implicaram com Paulo Coelho, diziam que aquilo não era literatura, que era cópia. Depois que li O Alquimista comecei a  simpatizar com o autor. Mais tarde, li mais um livro dele, ou dois e também gostei. Aquela idéia que eu herdei dos professores então se dissipou. Hoje em dia eu não tenho muitos preconceitos literários. Mas devo confessar que estou impaciente, quase nada novo me seduz... dá aquela preguiça de ler. Então me isolo naquelas leituras antigas, naqueles livros já lidos, naquelas emoções já experimentadas. O novo sempre me assustou.

 

Meu desejo, inicialmente, não é que este blog seja lido por muitos, afinal eu nem escrevo bem. Sabendo que o blog já é lido por poucos e bons fico feliz!  E muito envergonhada. Já a história de Caiozito é diferente, ele é escrevedor de nascença, ele é estudante de jornalismo (me parece que agora ele cedeu aos apelos da formação acadêmica conservadora, aos apelos midiáticos do mundo movido pela estética) e até onde sei ele deseja ser lido. Pelas constantes provocações que ele me faz, creio que quer também ser criticado, estimulado e inspirado. O Caio sempre viu algo além da imagem, ele vai muito além que o óbvio transmite, é rápido e muda o seu olhar antes que as coisas mudem em torno dele. Ele deve ser lido, não eu. Caio, esse blog é seu. Eu atuo como mera coadjuvante e admiradora.

 

Plínia Campos (vai continuar escrevendo aqui, achando que ninguém vai ler. LEIAM.)



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 12h37
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Caiozito, o brasileiro artificialmente naturalizado, em:

 

A VINGANÇA DOS MAL LIDOS.

 

Faço faculdade para me vingar, mas não “estou voltando para me vingar” como diz o outro. Essa palavra VINGANÇA que alguns abominam.  Mas a vingança é digna e sadia. Alimentar o tempo todo rancores ou ódios, isso sim não é bom.

 

E não existe medida de vingança. Digno é aquele que se vinga até da velhinha que tomou o seu lugar no banco do ônibus, mesmo que a lei esteja com ela, e que você tenha que ceder o “lugar reservado para idosos” – lugar reservado para idosos pra mim é no cemitério, mas enfim. Você pode e deve se vingar dessa velhinha. Mas não fique magoado com isso, esqueça logo, você é um homem (sapiens) superior, não vá ao ponto no mesmo horário para pegar o mesmo ônibus esperando pela velhinha. Seja paciente e sereno. A tranqüilidade é um ponto essencial da vingança, aí sim é que está a frieza; no ato, não no prazer em si.

 

O sabor da vingança é divino, esse lance que “a vingança é um prato que se come frio” é para os amargurados, o que não se vingaram além das alturas. O verdadeiro sabor da vingança é na hora em que você se depara com alguém ou com alguma coisa (ou situação) que traz a tona a lembrança naquela hora, exatamente naquela hora.. Um dia, displicentemente você tromba com a velinha subindo a escada do ônibus, essa é a hora de dar uma dedada no olho da velhinha, ou uma cusparada na cara dela.

 

Vingança = Situação + oportunidade + Memória

 

A vingança consiste em você reconhecer o seu malfeitor na hora certa que você pode devolver o que ele te fez em proporções maiores. Só assim a vingança vale. Não se guarda a vingança, deixa-a livre, em alguma gaveta do seu criado-mudo. Um dia, na situação que lhes aconselhei, você vai precisar dela.

 

Voltemos para o “Caso da Faculdade”.Voltei mais sedutor para a faculdade, comprei roupas novas e um óculos de grau da Pierre-Cardin. Estou mais amigo dos meus professores, entrei para o diretório acadêmico dos estudantes, vou para o congresso internacional de comunicação que vai se realizar no bairro da cinelândia, no Rio de Janeiro. Viram? Voltei mesmo, fazendo um marquetingue danado. Minhas calças beges, meus óculos negros - vamos à vingança, avante! Igual o Lula fez. É isso aí Luis Inácio, a vingança do maldito (eu que sou o mal lido), só agora estou te entendendo, agora eu te admiro! Eu te amo Lula!

 

*Aplausos dos fantasmas...

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 17h22
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Compositor de vitrine ambulante e pavão

                                                  Buscamos no outro alguém / dizer ao público o que lhe convém

                                                  Buscamos no outro alguém / A chave da miséria que cada um retém - Israel Campos

 

Uma semana antes de ser operado do maxilar, eu tentei conversar com Israel a respeito da sua banda e de uma canção intimista que ele compôs, "Quase Bossa-Nova". Mas ele se negava a falar. Ele enfatizou a arte em si. Negou querer participar de qualquer movimento e se diz frustrado com o “sentimento artístico” das pessoas e dele mesmo.

 

Dublês: Essa sua nova canção, quando você fala do esgotamento do sentimento e da arte, o que é isso?

Israel: É complicado falar do sentimento, principalmente hoje, onde todo mundo se acha artista do sentimento. E nessa “artirticidade” tudo se torna efêmero, banal: uma música, um sentimento. O que você chama de sentimento é uma influência, falar de sentimento é um modismo.

 

Dublês: (Ao perceber que Ele estava um tanto decepcionado com algo, e as vésperas da operação, eu deixei o gravador ligado para ele falar, sem interromper).

Israel: Uma pessoa que tinha uma concepção de amor com doze anos de idade, aquela coisa pura, realmente artística, fácil de ser romanceada por ser excessivamente pura. Quando você cresce, você fica naquele joguinho, fazendo falsas promessas, cheio de medo, medo do outro e de você mesmo.

 

Sabe aquele negócio onde todo mundo nasce vândalo e morre estressado, é isso.

Então chega num ponto que se você não se auto preservar, você se fode. Então a gente se esconde numa solidão, onde fica um escondendo do outro pra se auto preservar. Mas o que as pessoas não sabem, é que uma precisa do sangue da outra, um precisa do amor do outro. Mas ninguém quer se entregar. As pessoas querem colocar o dedo na piscina e imaginar o frio.

 

A gente nasce de um jeito. Eu particularmente, todos os dias me defendo, senão neguinho ranca meu coro. Eu falo alto, eu falo embolado, sou muito gesticulador. Sou assim, uma vitrine, eu sou uma vitrine ambulante, só não vê quem não quer. Aí me dizem que eu tenho que fazer belas artes, montar um atelier, expor minhas coisas em algum espaço, sabe? Então acham que eu faço parte desse lance cultural “dedo na bunda”. O que eu to falando aqui, é um desgaste pra mim. Embora eu nunca tivesse dito o quanto isso é frustrante, eu sempre soube, eu sempre senti.

 

Eu sou um pavão nas minhas músicas, onde eu só quero mostrar a beleza das minhas penas. Eu sou produto enquanto triste. O Renato Russo ficou famoso vendendo a sua depressão. Então você vender uma coisa triste sabendo que as pessoas estão comprando por aquilo, é triste, isso é frustrante.  A felicidade é curtir. Arte é saber rir - igual diz o cara lá. Isso sim é ser o “super-homem”.

 

Dublês de Poeta



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 17h10
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De volta a Paris, Cícero Dias encontrou-se em meio à efervescência contagiante da abstração, a cujo apelo não resistiu.

Entre folhas
Paris, 1946

 

Para ver toda a obra e história desse pernambucano, visite o endereço do ESTADÃO

Há um link Cícero Dias. Não deixe de olhar também o link Drummond 100 anos. Vale a pena!



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 10h25
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Silêncio Eloqüente

No circo, Cícero Dias
Lisboa, 1942



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 12h22
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CLIQUE AQUI e ouça o poeta das putas palavras de rua



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 15h58
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Escrevendo para não acordar ninguém.

 

Sempre quando estou levando algo a sério vem alguém e me diz baixinho: “isto é poesia, Mister Diminuto, acorda!”.

 

Agora me diz você aí, que só consegue cantar e tocar em escala de Sol Maior, e ainda sim não recusa uma sonata quando convidado. Escreve achando que qualquer barulho de teclado é orquestra sinfônica, barulho de mouse não é sonata. Mas saiba agora que te chamei. E você veio. Obrigado pela honra! Claro, por que não, Que diferença faz mais um fantasma? Qual diferença faz mais um lirismo indigente jogado ao léu? Isso Não vai acordar ninguém.

 

Oferecem-me então tarefas, artefatos de grã importância. Dão-me palavras-calçadas e me dizem que são para pisar mais forte; pisar firme - essas coisas que as pessoas inseguras dizem quando entorpecidas pela vida em algum momento. Sou amigo das palavras descalças, das letras sem pautas; essas putas palavras de rua.

 

Teclo macio para não acordar ninguém... Mas as palavras irão de sonhar de mim...

 

*Ainda fico surpreso de pensar que a primeira palavra que aprendemos a escrever é o nosso nome. E que Caio Campos foi a primeira e sempre será a ultima palavra que eu irei escrever.

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 01h56
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Essencialidade

Inventar palavras e fazer frases é bom. Ter "presença de espírito" é essencial.

Plínia

Intervenção neuropuã-psicopatoloplínico.

 

É um estado de espírito. Plínia não é sujeito, Plínia é código a desvendar - tem capítulos e versículos. É quebradiço, pluralizado e por vezes proibido aos seres que sofrem de transtorno filosófico bipolar. Que é a alternância de ideologias. Incoerências verbarológicas essências aos seres humanos. Dublagem de poesia concretista: Plínia não é Ateu nem à-toa. Plínia é flor de jabuticaba.

 

Outros...

 

Olha, vai virar bagunça. Eu achava que isso aqui tava ficando sério. Ufa... me enganei...

A direção.



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 14h45
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Para quem enxerga e não lê bem as palavras

 

Eu estou querendo (gerundiar* é sempre pretexto para não fazer) despedir o gerenciador da comunidade do meu Orkut. Mas caramba, o cara é “Gerenciador de Comunidade de Orkut”. Não posso despedi-lo. Ele é um cara frustrado interneticamente falando. E tem amigos virtuais que se orgulham de conhecer um “Gerenciador de Mensagens de Comunidade de Orkut”.

 

Mas que ingênuo és tu, Dom Caiozito, Orkut é coisa de quem não toma banho e não escova os dentes. Não respondo e nem entro mais em Orkuts!!

 

Blog sim é coisa séria. Carta Capital, Folha de SP, Entre-Livros, Jornal Nacional, Observatório da Imprensa e TV-UNI já fizeram reportagens abrangentes sobre blogs.

 

Eu vou lá no umbandomblé que freqüento para tirar maus leitores, tem gente que não sabe ler, não imagina um neologismo. Eu digo o seguinte para vocês: seus péssimos maus críticos; seus olhares são mesmos maudosos - maudosos com “U” mesmo; coisa ruim, que nem diz a Chica Preta do Umbandomblé, que é intelectual e tem uma cultura de uma bendade. Bendade é aquilo que supera a sua maldade lingüística.

 

Blogueiro de verdade não centraliza o seu texto nem abre parágrafos, muito menos coloca links no meio de seus textos, afinal, blogueiro que é blogueiro passa o dia inteiro vendo seus próprios postes. Orgulha-se de seus neologismos. Por exemplo; um blogueiro não passa uma mensagem escrita, mas uma mensagem escre-vida: tem algo além da língua aí. Escreve postes (e não posts) e saite ao invés de Site, ou você acha que blogueiro de verdade não ama sua língua pátria?

 

O sentido e sentimento bloguístico consiste em não ter qualidade nem conteúdo, performance jornalística, informativa, formas cultas - ou seja lá o que for que dê forma ao texto no qual pode-se dizer que foi um escritor que o redigiu. O blog lhe dá com “os fictícios fundos de verdade” – ou, no mínimo, factóides da forma mais coloquial possível.

 

Algo suscita, e no ato se supera; o resto são subterfúgios de gente que usa o teclado para sujar e limitar a linguagem – ou a lingüística portuguesa. Vamos enaltecer a credibilidade dos blogs de verdade. Blogueiro de verdade escreve textos. Quem quiser ver ilustrações de pombos voando e figuras angelicais, vai trepar no pé de coco e plantar bananeira! Vai ver foto do escândalo do governo Lula no saite do PSDB. (vão buscar imagens no google, seus preguiçosos)

 

Eu vou dizer para vocês o porquê da minha ausência em comentários esculhambando o desvanecido Lula da Silva: primeiro porque eu já cansei de rir da cara de quem era PTista e de quem sentia um orgulho patriótico. E não vou ridicularizar mais esse pessoal, essa classe tão humilhada. Merecedora ou não, não os humilhemos, não os humilhemos muito. Se me perguntarem: “em quem você votou, Caio Campos?”, eu lhes digo que nem fui lá votar. Mas justifiquei o não comparecimento às urnas junto ao TRE, desse jeito assim: “Estava blogando, Vossa Excelência”. Blogueiro que é blogueiro esculhamba mesmo, e é essa a única credibilidade do autêntico blogueiro.

 

*Gerundiar é infinitivo de Gerúndio. Eu sou um gênio do neologismo bloguístico semiológico! Que coisa tão Caio Campos. Que algoz; que perspicaz!

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 03h28
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A Futilidade Cansa.

 

Vejo estupefato que o homem faz do mundo seu parque de diversões, só que poucos, pouquíssimos se divertem. E eu, Caiozito em sol maior, aquela que assina os postes, que vive Caio Campos que é semente, raiz e fruto de Caio Campos, lhes diz numa arrogância ímpar de autenticidade: a futilidade cansa.

 

Vou fazer aqui uma reprodução técnica. O que o cinema faz, a literatura faz. O que a arte faz em geral e vendem para vocês. E como diz meu cunhado Álvaro, “a arte é a melhor forma de lavar dinheiro”.

 

Então criei uma cartilha logo na primeira prova e apresentação de um trabalho dentro de sala de aula do curso de jornalismo – ou para quem prefere dar importâncias maiores – Comunicação Social. Logo após Declamei alguns mandamentos para os alunos serem mais brilhantes. (é claro que fiquei odiado dentro de sala pelas pessoas que se reconheceram no texto). Estão aí alguns mandamentos para um aluno ser brilhante:


1- Ser indiferente à nota – é mais honrosa uma nota baixa do que uma nota alta quando a nota baixa é a confirmação de que você discorda do professor. Isso é altamente saudável quando você consegue identificar o ponto dessa discordância do professor (e do autor “francês”. Discordar de um autor francês dá mais Status).

2- Discordar quando se tira total em uma prova ou trabalho. Isso é a coisa mais honrosa que um aluno deve fazer. Alguém já reclamou de uma nota alta quando esperava tirar uma nota ruim? Por que reclamam tanto das notas baixas, e afinal, que raios representa uma nota?

Não existe nada que me deixe mais sem graça do que tirar total em um trabalho ou em uma prova na frente de todo mundo.

5 - Quando a aula virar uma terapia em grupo, causada por alunos fúteis que fazem do professor seu psiquiatra e psicólogo e dão exemplos trágicos da sua família ou do namorado, o melhor é sair de sala – mas tem que ser na mesma hora, empurrando a cadeira agressivamente para frente e saindo coçando a cabeça de modo que dê para escutar o som - e ir para o boteco, beber até a raiva passar. É um conselho para não agredir, caso você agrida, é legítima defesa, a futilidade cansa.


6 - Pior do que um aluno sem estima e fútil é aquele que reproduz um texto, aquele que sonha ser jornalista e não consegue completar a leitura de um livro. Devemos nos afastar desses alunos. As vezes um aluno ”fecha” uma prova, mas não consegue ir além daquele texto, daquele ensinamento. Ou seja, o aluno esgota o seu entendimento em cima de um texto por pré-determinação da sua nota, a nota é uma sentença estabelecida pelo professor. Fica sem importância o que o aluno aprendeu, só vale o que o professor quis que ele aprendesse. Sendo assim, basta então que o aluno repita a interpretação do professor, ou copie o texto do livro como um robô pré-determinado, apenas mudando algumas palavras e no final vai lá e assina a sua prova ou o seu trabalho.

A futilidade cansa...

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 00h23
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Ato único

 

No Hospital Gemelli, Na itália, no quarto 01, um palhaço agonia-se em cima do leito, com metástase alterada de consciência. Na sua frente, um filósofo tomando café e lendo o Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e um brasileiro, fazendo caça-palavras. Não se soube de onde ele surgiu. Afinal, nunca se soube de onde vieram os brasileiros, mas eles sempre se encaixam em qualquer peça teatral.

 

O Doutor entra no quarto para avaliar o estado do Palhaço.

 

Doutor: Pois é palhaço, vou ter que lhe aplicar uma dose muito forte de realidade. Você que sempre zombou da falta de criatividade e humor dos outros, agora se encontra prostrado na cama. Não é capaz de atender à sua própria necessidade, aliás, você só atendia às suas próprias necessidades.

Palhaço: (agoniando ele força um sorriso) h.r.a! Liberei a imaginação de muitos, a imaginação é o limite doutor, e eu estou indo pro auge, pro meu apogeu, enfim no ápice, como vim.

Filósofo: (com o desgastado ar reflexivo) É assim que deve ser um palhaço até o fim, sarcástico e perspicaz. Depois dessa mobilização emocional e questionando os valores morais, você teve um momento extraordinário de percepção frívola.

Palhaço (com um pouco mais de força, ele ri) Há. h .a hra! Pobre filósofo... Pobre Poeta.

Doutor: Você sempre ri quando todo mundo fala sério. Que peso tem sua coerência?

Palhaço: 75 kg, quer saber altura dela também? 1,69m, mas eu não sou do tamanho da minha altura, mas sim, do tamanho daquilo que penso. Enquanto vocês, orgulhosos, vomitam verdades e valores alheios, eu vivo o meu tempo, marco os meus passos, rasgo a boca pra sorri quando alguém passa. Eu corto da própria carne dos meus lábios vermelhos.

Brasileiro: (com sorriso de porta de igreja aberta) No Brasil tem Universidade Filosófica de Palhaço. Todo mundo ri de todo mundo. Nada tem nexo. Imagine vocês que no Brasil tem dia pra tudo, tem até dia da saudade.

Palhaço: Estive no Brasil. Fui aprender filosofia de Palhaço. Existem grandes mestres por lá. No Brasil todo mundo é artista, a palhaçada se socializou.

Brasileiro: Por isso vim pra cá, lá eu só podia ser palhaço, não tinha escolha, não podia ser pateta ou bufão, coringa ou bobo da corte.

Filósofo: (Se levantando e saindo do quarto) Que falta de elucubrações, vocês são umas farsas. Veja o estado desse Palhaço; um homem sem expressão; sem paladar, não sente mais gosto, não tem tato. Ele morreu. A filosofia esgotou seu sorriso; a filosofia matou sua arte, matou sua vida. (O Filósofo sai da sala...).

Doutor: vou lhe dar a última dose, Palhaço.

Enquanto o Doutor lhe aplicava a ultima dose de realidade que levaria o palhaço para o coma profundo, induzindo-o à morte, o palhaço ainda murmurou suas últimas palavras.

Palhaço: Nessa Terra eu sou o Sol não existe realidade além da nossa Realidade, a Vida se ilumina diante dos meus olhos, as pessoas se apegam ao meu espírito, são atraídas pelo som da minha voz, enlevadas pelo meu sonho de irresponsabilidade, eu dou a luz aos seus olhares. Essa Terra é minha, doutor. Nessa terra eu sempre vou reinar...

O eletrocardiógrafo informa que a energia vital do coração vai lentamente se apagando... enfim o palhaço morre.

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 12h09
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Eletrocardiográfico - registro.



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 12h08
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Saindo do senso comum para entrar no senso comum

 

A idéia de que somente existe aquilo que pode ser

 percebido pelo sentido da visão já foi superada.

 

Plínia Campos

 

Qualquer um é jornalista. Jornalismo vem de jornada; caminho que se faz num dia. E o que você escreveu, foi uma crônica - aliás, uma belíssima crônica. Crônica que vem de Cronologia, (Chronos, o Deus do tempo), contar algo que tenha tempo e espaço. E o jornalista brasileiro é reconhecido no mundo inteiro como um grande cronista.

 

Numa matéria, ou numa chamada jornalística, assim como num julgamento, a imparcialidade não existe. Estudamos isso no primeiro período. No caso do jornalismo, seres humanos falam de seres humanos para outros seres humanos julgarem, peremptoriamente, não existe imparcialidade, tratando-se de pessoas. Não obstante, a imprensa acusa, por vezes até julga, e influencia na sentença pública.

 

Penso que no direito seja um pouco mais complexo, no entanto, mantém o mesmo raciocínio: um ser humano defende outro ser humano da acusação. Um terceiro ser humano dará uma sentença, auxiliado às vezes por um júri popular que influencia o juiz a dar o veredicto final.

 

No direito, o julgamento é mais teatral (para o júri), sentimos o cheiro das pessoas, o calor humano dos personagens, sua expressão, exageradamente articulada, é um corpo a corpo. É um espetáculo circense.

 

O jornalismo se parece com o cinema (para o telespectador), tem a câmera (do senado ela é quase intacta) que comanda nossos olhares, a câmera cria e formata dentro do seu padrão o espetáculo cinematográfico. O filme não tem cheiro. Os movimentos são mínimos.

 

Os advogados querem ser políticos, e os políticos querem estar na mídia (meio-média) do jornalista que transmitirá o espetáculo: o shownalismo, cenas explícitas de politicagem.

 

A imprensa é o roteirista e diretor do filme. Os políticos e advogados são os atores. Quem ganhará o troféu imprensa?  

 

*Uma ressalva à minha querida Irmã Plínia Campos: eu não sou a favor de colocar pessoas em prisões convencionais. Eu aprendi algumas lições de direito penal com você que me fizeram ter uma opinião mais crítica sobre infrações e crimes no geral. Até criei uma máxima em cima do seu raciocínio: Toda punição é injusta desde quando inventaram a educação.

 

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 00h11
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Inconclusiva eu sou, eu sou demais...

 

Politicagem quase senso comum

TEM ALGO DE INVISÍVEL

QUE A VISIBILIDADE CRIA?

Caio Campos

 

A idéia de que somente existe aquilo que pode ser percebido pelo sentido da visão já foi superada, ampliando, então, a idéia do visível para o perceptível é que poderíamos indagar sobre os fatos que estão em alta no país. Eu não sou jornalista portanto não pretendo aqui ser imparcial nem escrever algo coerente. Muito embora eu já tenha me desprendido dessa idéia que os operadores da notícia sejam imparciais.

 

Está claro pra mim que o  Sr. Marcos Valério está envolvido em atos ilícitos e, portanto deve responder por eles judicialmente. No entanto há muitos deputados envolvidos e o foco de tudo se voltou para o dito “publicitário”. Parece que se Marcos for preso o problema estará resolvido.

 

A imprensa está dando toda a sua atenção para o espetáculo CPI, eu fiquei impressionada com a transmissão do depoimento do Deputado José Dirceu sendo anunciado como “O grande duelo”, é muito  bom ver a politicagem nos tablóides. Aqueles que assistiram a alocução do Deputado Roberto Jefferson podem falar por mim. O que eu senti foi um homem acuado que atacava, apresentando novas denúncias, antes disso  o Deputado José Dirceu se vangloriava da sua história política. Depois, também acuado, se defendia todo o tempo e mantinha-se calmo como sempre. Isso não é novidade pra ninguém, todos assistiram, todos ficaram pasmos.

 

Uma coisa que me chateia muito é ver os Deputados inquirindo as testemunhas, eles são confusos, repetitivos, agressivos, bufões. Em geral cansam a gente e são pouco eficazes. Ficam ali horas e horas falando Vossa Senhoria  isso e aquilo...(as criancinhas aqui do prédio já estão usando essa expressão habitualmente como forma de tratamento). Atualmente, prefiro ler o que os jornais publicam a esquentar minha cabecinha assistindo aquelas “reuniões” de Deputados que, em geral, não tem educação, e já decidi que vou aprender a falar alto e gritar muito, já que eu pretendo entrar pra política.

 

Estou *quase aderindo a idéia de: “Ah, fala sério, bota todo mundo na cadeia!”... isso deixaria meu lindo irmão Caio feliz. Visivelmente o país está envolto em crise, e que a CPI por si só pune não só os envolvidos como todos os seus membros, afinal são cargos eletivos. Mas é evidente que ela não manda ninguém pra cadeia (ainda bem).  Sempre há algo que não aparece e é criado, recriado, destruído, queimado, portanto posso concluir que existe sim ALGO DE INVISÍVEL (que não aparece mas pode existir) QUE A VISIBILIDADE CRIA, e cria com verossimilhança ou com simulação, completamente fictício (novelístico).

* Já que eu estou quase fazendo qualquer coisa e nunca faço efetivamente, o risco desse quase é mínimo!

Plínia



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 08h53
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Cássio: é ele.

O nome que nunca aparece no blog é o do Senhor Cássio, que na foto assiste atentamente aos depoimentos na tal CPI.

Ele, além de lindo, é uma pessoa muito crítica e com ótimo gosto musical, além do inegável talento artístico. Cássio está partindo daqui de casa hoje às 23:45 e eu já morro de saudades. Insisti para que ele deixasse aqui neste espaço as suas impressões sobre os acontecimentos novelísticos da atualidade. Espero que ele atenda meus apelos!

Os Deputados estão tão em alta na TV quanto os atores globais. Diria que até mais, de certa forma isso é bom pra gente ver que novela e política não são coisas sérias.

Plínia, que ama Cássio mais do que ela pode contar.



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 20h33
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RAY

Essa foto eu tirei da TV com a camera do Caio enquanto assista o filme!

Eu assisti ontem o filme Ray, achei espetacular. Indico... se bem que o meu gosto para filmes é estranho.

Plínia



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 20h22
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Atleticanos e Deputados

Será que eles tem algo em comum?

Já sei: eles vivem do passado!

Amanhã pretendo escrever as minhas impressões sobre essa coisa de mesada, mensalão, correios... E pretendo já colocar as opinioes de Caio.

beijo Caio. Te Amo.

Plí



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 22h28
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Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo
outra parte é ninguém: fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera
outra parte delira.

Uma parte de mim almoça e janta
outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem
outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar

Plí



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 17h40
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Coisas desgastadas

Escrever poesias - Centralizar poesias.

Discutir células-tronco

Dizer que nossas idiossincrasias é o charme da nossa genialidade.

Não saber o que é idiossincrasias e ficar preocupado com isso.

Ir ao cinema para ver um filme de Stevem Spielberg.

Fumar cigarro mentolado.

Criticar pessoas idiotas.

Dizer que é militante de algum movimento

Citar autores não pela sua obra, mas pelo seu nome difícil; ex: Sir Lawrence Alma-Tadema é genial.

Criar comunidade em Orkut.

Dizer que pratica Yoga e não Iôga.

Defender um ponto de vista quando você sabe que está certo.

Escrever coisas coerentes.

Coisas que não se desgastam

Quase bater o carro virando a cabeça para olhar a bunda de uma gostosa passando na calçada..

Arrotar alto e ri do próprio ato.

Falar mal do Brasil.

Ir ao Mineirão para ver o Galo perder.

Comer sorvete misto de casquinha no MacDonald.

Andar de elevador e escada rolante.

Andar com calça de moletom sem cueca.  .

Ler a coleção inteira de Richard Bach.

Defender um ponto de vista, mesmo sabendo que ele está errado.

Coisas que qualquer um tem direito de fazer, qualquer um mesmo, até o mais imbecil.

Comer pelo menos uma gostosa na vida.

Ler pelo menos um livro na vida. (que não seja Best-Seller)

Dizer uma coisa inteligente numa aula de antropologia.

Lhe dar um conselho.

Lhe ensinar algo que voce não sabia

Admitir que assisti filme pornô.

Casar

Fazer jornalismo. 

Defender um ponto de vista sem a menor idéia do que está defendendo.

Saber de cor os nomes de José Genoíno, Roberto Jefferson, Delúbio Soares e Marcos Valério. Mesmo não sabendo quem são essas pessoas.

Escrever ou comentar em blog alheio.

 

Caio



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 23h47
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Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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