O manifesto do riso - ou o assassinato da arte.

E vou citar apenas o riso, o senso de humor é um capítulo à parte, mas o blog não abre nem parágrafos, no mínimo abrem bocas e rasgam lábios sisudos contra a própria vontade. Vocês já viram aquelas pessoas que tampam a boca quando riem? Elas não estão tampando a sua banguela, mas escondendo o riso como quem esconde a própria bunda.

 

O riso é o maior manifesto que existe. Um dia eu disse que a maior revolução que eu poderia fazer no jornalismo era rir da condição de ser jornalista. Claro que sofri represarias das pessoas que celebram cerimônias, mesuras e seriedades de algo supostamente importante. Mas não achei nada mais importante do que rir das pessoas que acham alguma coisa importante.

 

Todo mundo tem que saber de uma coisa: os professores só atrapalham - pelo menos os professores acadêmicos. Os grandes professores não ostentam títulos. O que adianta títulos se eu não tenho o sorriso honesto e incontrolável que é a arma de poder de toda pessoa? 

 

A questão da arte é uma polêmica, claro. É um questionamento! Nietzsche matou o Deus dogmático, o deus que impunha valores, um deus cruel e vingativo, Deus está morto? Esse Deus a quem Nietzsche se refere sim. Mas deus é uma linguagem criada pelo homem, e não podemos viver sem ela. Eu estou querendo matar a arte, esta que está aí, dogmática, imposta, lacrada, vendida e comercializada. Eu quero destruir essa hipocrisia artística que se instala, aqui em Belo Horizonte, principalmente no Palácio das Artes.

 

A arte é a melhor forma de lavar dinheiro atualmente. Eu vi uma amostra de curta-metragem no Palácio das Artes que custou sete mil reais, um curta de 4 minutos, de péssimo mau gosto, a platéia não entendia nada, você podia olhar para cada pessoa, perplexos e sem jeito, com vergonha de sair no meio da amostra,

mas no final todo mundo bateu palmas. E os sete mil reais foram embora dos seus bolsos, através do ministério da cultura. Isso é uma babaquice, eu não pago imposto para esses caras que se dizem artistas pegarem esse dinheiro para ficarem masturbando suas mentes. Deveriam ser presos e fuzilados!

 
Falo de coração, mesmo que esse meu músculo sádico batesse no compasso da revolta e da loucura, sou louco mais enxergo direito, enxergo essa farsa, esse monte de lama que a gente engole. Nós assistimos a elite burra fazer adaptações, porque ela não cria nem transforma, ela tem dinheiro bastante para recriar e copiar tudo, comprar os “direitos artísticos” e passar para os idiotas esse emblema de arte, essa arte rotulada.
 
O sorriso da arte é o seu riso, a sua gargalhada, que é o seu escudo e a sua espada!
 
Caio Campos


Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 18h59
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Sobre ensinar e aprender - ou... Eu Comecei Uma Vez...

Eu comecei uma vez aluno, ou pensei ter começado. Mas ia percebendo pelos trajetos que percorria, e pelos trejeitos que ia deixando a cada experiência, que ensinar e aprender são uma coisa só.


Qualquer que possa ser o conhecimento do professor e da sua arte de lecionar, ele tem que viver o seu estado antes de passar qualquer conhecimento. O que é verdadeiramente um conhecimento?


Porque experimentando tudo que pode ser dito numa aula é no mais profundo sentido da palavra uma inspiração. Nenhum homem pode dar uma aula sobre algo, sem que aquilo que ele esteja lecionando não o tenha matado um dia, e com isso ele tenha nascido outra vez, para nos ensinar como superar e irmos além daquele ensinamento.

 

Quase que pode ser dito na verdade, que sinceridade e consciência, os dois anjos que trazem o ensino e a aprendizagem, trazem também para ele o mais profundo, o mais verdadeiro encanto da forma das coisas. Quase que pode ser dito que com a ajuda da sinceridade e consciência que o professor está apto à ver mais claramente, do que outro homem, o limite eterno da sua sabedoria.

 

Eu tive uma professora somente em minha vida, ela se chama Aparecida Sanches, que foi nas profundezas atrás de mim. Ela queria me ensinar “todas as coisas”, queria me mostrar “todas as coisas”. Eu compreendo isso, e digo que é da maior dignidade você olhar para alguém e dizer: eu vou lhe ensinar “todas as coisas”, porque eu sou “todas as coisas” daquilo que sei, e como ensina Nietzsche, uma virtude é mais nobre e potencializada do que duas.

 

Aparecida Sanches um dia me disse assim: “você só tem o direito de ensinar alguém, quando você reconhece no seu aluno o potencial para ser seu professor”, e ela completava, “se você vê profundidade nas coisas, porque é profundo você mesmo”.


 

De repente, em meios minhas estórias, minhas próprias batalhas, arquetipos surgindo e se transformando em carne e osso, consegui ver o que tinha que ver. Aluno e professor são Um e o Mesmo.

 

E ela me ensinou uma coisa que eu uso sempre, e se alguém chegou até aqui sem me xingar de filósofo do pedantismo empírico – ou esperando mais escritos irônicos, leve em consideração: “Pois saiba agora que te chamei. E você veio. Obrigada pela honra!”. Sabe o que é saber que alguém esta aqui ou ali por você? Sabia que era sábio mais do que eu...

 


Aprendemos com tudo, seja bom ou mau, sisudo ou brincalhão, aprendemos olhando para o inferno ou olhando para o céu. O céu que é um espelho lá longe. E como delirava Cida: “eu, que pelo amor de deus, olho o céu todos os dias...”, e cida delirava, delirava... ”Ensinar é deixar o outro sentir o seu ensinamento. Ensinar é querer aprender junto, é fazer parte da mesma coisa, que é “todas as coisas” - Aparecida Sanches

 

 

Caio Campos



Escrito por Caio, Cássio, Plínia e outros. às 23h25
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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