A Lógica dos Idiotas
A lógica dos idiotas consiste em tentar ser coerente o tempo todo. Ser o Consertador do mundo. Ele ambiciona reescrever a história; seja de uma vida, seja de uma turma de jornalismo. A lógica dos idiotas consiste em tentar convencer, com argumentos pífios -com cobertura de clichês –, que tudo não passou de engano, e a lógica do idiota é ter a palavra final. A lógica do idiota é não entender a troca de informações, e sempre achar que discussão é sinônimo de agressão coletiva – ou até mesmo, pessoal.
Esses sujeitos pegam carona nas discussões, aproveitando-se de uma pausa tépida, para lançar um discurso pastoral, como num sermão marketeiro. Juntam-se em bandos ou manadas para defender uma entidade: jrn4. Uma entidade só tem espaço, e só pode ser chamada como tal, se tiver corpo ideológico.
A lógica dos idiotas consiste no “Complexo de Poliana”; aqueles sujeitos que acreditam que só existe o lado bom das coisas.
A lógica dos idiotas consiste em ser o defensor dos fracos, como se os fracos servissem algo para o mundo. Como se a compaixão pelos fracos ajudasse-os a se fortalecerem. Nenhuma fraqueza ajudou a construir ou transformar o mundo. O mundo não é feito de caridades nem esmolas discursivas. O mundo é feito pela “vontade de potência” de quem acredita que é mais nobre pisar no fraco que erguer a mão à ele.
A lógica dos idiotas consiste no golpe mitômano do “não generalize”. Toda generalização serve apenas como exemplo. Igual às comparações. Se eu me comparado com Deus, é para ver o quão humano sou – o quão distante de ser santo pretendo ser. Quanto às generalizações, qualquer pessoa de sã consciência compreende que quem generaliza sabe que existem as exceções. Mas não perdem tempo, ao contrário da Lógica dos idiotas, de ficaram citando-as e perdendo tempo com exemplos.
Não basta ser brilhante, você tem que ter uma paciência de vanguarda. Melhor, uma consciência de vanguarda de que nada levamos desse mundo, mas o mundo agradece se deixarmos algo de valor para ele. Não basta ser brilhante como nós: a vanguarda não escreve para debater, nem muito menos fugir da discussão. Escrevemos porque escrever é nosso ofício sagrado. É como pensar que Shakespeare escreveu Romeu e Julieta para debater e discutir sobre isso, ao invés de degustarmos e apreciarmos a obra.
Caio Campos
Escrito por
Dublês de Poeta
às
02h13
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Orare

Termos da oração
Até mesmo quem adora português fica de cabelo em pé ao estudar aquelas coisas de predicado, sujeito, complemento, vocativo, aposto adjunto adnominal.
São os famosos termos da oração. Oração é a idéia que se organiza em torno de um verbo, tantos verbos, tantos significados. Durante as minhas angustiantes peregrinações ao mundo do desejar ser eu descubro sempre que a palavra não apreende a maioria das sensações. Nem substantivos, nem adjetivos ou verbos, artigos, preposições... Não há frase, oração, período, prosa, poesia, crônica, narrativa, artigo, romance, livro, que contenha algum vestígio daquele mundo.
A poesia talvez chegue perto. Há muitas palavras a serem inventadas.
O parágrafo anterior foi apenas pra fugir do assunto. A Marta me mandou essa imagem intitulada “Oração”, por óbvio não se trata de gramática.
É pura espiritualidade. Me aventurei a escrever a respeito da imagem.
Mas, supondo ser cética, me deparei com essa imagem e pensei: estão rezando pra um Deus que não existe. Lugar sombrio, só resta orar. Se eles estivessem no paraíso eu diria: lugar paradisíaco, parem de orar e vão tomar um banho de mar! (desculpe-me pela rima ruim)
"Oraçao Bizantina"
"Ó Luz Serena, que brilha no Solo do meu ser, Atrai-me para ti, Tira-me das armadilhas dos sentidos, Dos Labirintos da mente, Liberta-me de símbolos, de palavras, Que eu descubra O Significado A Palavra Não Dita Na escuridão Que vela o solo do meu ser. Amém."
Sucumbirei aos apelos da espiritualidade enfim.
Plínia Campos
Escrito por
Caio, Cássio, Plínia e outros.
às
21h48
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Definições Póstumas Sobre a Arte
O que restou da arte foi apenas a linguagem arte – Caio Campos
A pintura acabou, quem faz melhor esta hélice? – Duchamp
A arte está morta, viva a nova arte da máquina de Tatlin – (Cartaz da primeira feira internacional de Berlim – Alemanha)
A arte não morreu de morte natural, como num esgotamento, todos ajudaram a matá-la, inclusive eu – Caio Campos
A arte está morta. Em nossa época de comunicação de massa nada impede a sua sobrevida residual e documentária nos museus nacionais – Pierre Restany
A gente viveria melhor sem a arte. A arte pode estar entre a gente sem que a gente perceba, isso que é bom – Cássio Túlio
Estamos assistindo à agonia da arte, a arte entrou em estado de coma: sua produção em escala e alto consumo. – Pignatari
Eu me pergunto se devemos pintar as coisas como as vemos e não como as conhecemos. - Pablo Picasso
Arte é bom, mas o dinheiro é sublime – Plínia Campos
Cinza, amigo meu, é toda a teoria, mas a árvore da vida é sempre verde – Goethe
Os puros desenhistas são filósofos, os coloristas são poetas. – Baudelaire
Se tudo é arte, nada é arte – Ferreira Gullar
todo mundo tenta compreender a pintura, porque não vão compreender algo mais importante? - Pablo Picasso
Queremos independência também na arte – para a revolução; revolução – para a libertação definitiva da arte. – Breton e Trotsky
A arte morreu: arte gótica, renascentista, rococó, neoclássica, romântica, eclética, realista, simbolista, Nouveau, Impressionismo, neo, cubismo, orfismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo, abstrato, concretismo, arte ótica e cinética, minimalismo, popcreto, novo – hiperrealismo, arte do corpo, hapenning, arte do povo, transvanguarda, vanguarda... Tantos nomes você tem. Vou gastar um dinheirão para comprar uma lápide que caiba tanto memorial, conceito, data de nascimento e data de óbito” – Caio Campos.
Dublês
Escrito por
Caio, Cássio, Plínia e outros.
às
01h44
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