Comentando Livros
Adorei não ter lido nenhum Best-Seller este ano. Como foi gratificante pra mim não ter lido Quando Nietzsche Chorou. Todos sabem que eu gosto de Nietzsche, introduzia Nietzsche para todas as pessoas que reconhecia certa aptidão intelectual. Isso me dá o direito de aconselhá-los a ler literatura e filosofia ao invés de biografias. É válido ler biografias romanceadas de personagens históricos. Mas ler biografias romanceadas de romancistas - ou ler ficção romanceada de filósofo curado por freud, isso soa algo meio insólito para um jornalista-bomba-mor como eu. Esse livro se tivesse sido publicado antes do meu blog, até me inspiraria a intitulá-lo como Biografia de Filósofo Romanceado, ao invés de Dublês de Poeta. Aliás, a lista dos dez best-sellers mais vendidos do Brasil dá belos nomes para blogs.
Como foi bom não ter lido Memórias de Minhas Putas Tristes, do bom escritor colombiano Garcia Márquez. Vou contar como foi bom; porque me lembro bem ao ponto de resenhar minha não-leitura desse livro. Lembro ter saído do meu emprego, acabara de receber meu contracheque, estava no Bairro de Santa Efigênia e descia em direção ao Centro. Todas as livrarias estampando aquele livro. Eu olhava a capa, aquele velho de costas, de bengala na mão. Fiquei tão orgulhoso de não ter parado em nenhuma livraria, nem sequer parei para perguntar qual era o preço daquele livro.
Falando em livros, estou lançando um livro que ainda não escrevi, ele se chama Um Livro Para Depois de Amanhã, Caio Campos, 808 pgs - Editora Dublês. Fantástico. É a história de um personagem que, solidariamente, se propôs a matar a arte com o que sobrou dela. Não é um livro encomendado, voluntariamente, Caiozito se propôs a escrever a morte da arte. No seu prefácio lia-se: “quando a arte morrer de fato, não quero nenhuma honraria; nenhuma medalha de honra ao mérito. Escrevi que não faria mais poesias, não escreveria mais contos. Que não cederia a nenhum movimento artístico, a nenhuma linguagem ou forma paradisíaca. Que como jornalista-bomba daria a minha vida para explodir o museu Louvre da França”.
A Orelha do livro foi escrita por Aurélio Buarque de Holanda, e introduz o livro assim: “o Livro Para Depois de Amanhã, do jovem escritor Caio Campos, fala da arte como uma faculdade de formar opinião, a mais digna forma de manifestação de caráter intelectual. É uma apreciação, ao mesmo tempo uma censura da arte de criticar”.
Dublês de Poeta.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
17h51
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