O Silêncio dos Idiotas
O absurdo não é a preguiça, mas o culto à tolerância. Quantas vezes você é tolerante por dia. Seria preguiça de discutir, seria superioridade ficar em silêncio diante de algo tão imbecil?
Na hora que você escuta sua professora universitária dizendo que é a favor do desarmamento porque, tadinha, ela já foi vítima de um assalto à mão armada por dois “bandidos”, o que você teria a dizer para ela? Eu fui tolerante nesse dia ao escutar isso e ficar em silêncio? Ou talvez eu tenha permanecido na superioridade do meu silêncio?
Toda pergunta que somos obrigados a responder entre o sim-ou-não é autoritarismo. Sou relativista? O pior é saber que não se perde pelos argumentos, se perde pelas manadas, a manada maior ganha da menor. Mesmo que a manada menor seja menos imbecil. O argumento é o de menos. A vitória sofista é a espiral do silêncio.
Dê-me um silênciozinho só: você não se senti um verdadeiro idiota sabendo que o sufrágiozinho que você exerce é a única maneira que o Estado oferece para você como conceito de democracia?
Dê-me outro silêncio: limitar uma escolha entre sim-ou-não é um crime terrível. Prefiro morrer com um tiro na cabeça de calibre 38 (com silenciador para fazer barulho) – registrada e legalizada.
Quantos exemplos chulos que você tem que escutar por dia? Tente enxugar toda conversa que você tem num dia com todas as pessoas que você encontra: amigo, família, padeiro, companheiro da fila interminável do banco, será que alguma palavra salvaria no seu livro de memórias? Qual a palavra que te disseram hoje na qual você não precisou recorrer a nenhum livro, pois ela preencheu sua vida de hoje, qual, me diz, me ajuda aí, vai. (Vai ficar em tolo-silêncio covardemente, ou vai preferir dizer algo imbecil?)
Você já se sentiu um verdadeiro idiota no papel de consumidor? De quem você sente mais vergonha, do idiota do vendedor ou de você que está sendo abordado como consumidor?
E quando você está no supermercado se achando um idiota, você começa a reparar as pessoas e vê que todas estão sentindo o mesmo que você. Já reparou que em supermercados todo mundo tem cara de idiota?
O que é pior, ficar em silêncio-tolo ou falar tolice? A tolerância é um silêncio-tolo. Vou provar minha teoria: imagine uma tartaruga. Agora imagine que todas as pessoas que você vê, e que estão em silêncio, estão imaginando essa tartaruga
Esse é o silêncio-tolo; a falsa superioridade escondida na preguiça. O silêncio é uma tola herança dos idiotas.
* Não estou nenhum pouco interessado em saber quem votará no "sim-ou-não". O único referendo que me interessa é a obrigatoriedade do voto, principalmente quando este limita-o ao “sim-ou-não”.
Caio Campos
Escrito por
Dublês de Poeta
às
16h39
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