Pequeno diário de um só dia só...
Hoje o dia amanheceu com um solzinho entre nuvens e eu acordei mais cedo. Aproveitei pra remover um espalte branco das minhas unhas que eu inventei de passar ontem e depois de 12 horas me arrependi e fiquei com preguiça de retirar na hora do pesar. A gente não devia adiar as coisas. Imediatamente após despertar vi aquele sol e lembrei que minhas unhas estavam horríveis! Aí peguei o Acetato de Etila, o algodão e me embriaguei. Para mim é sempre triste remover esmaltes. Desde o dia em que parei de roer unhas, estas tornaram-se um fetiche para mim, chego a pintá-las mais de duas vezes por semana, de diversas cores, até fazer desenhos, mudar a forma... Ou seja, virou obssessão. Logo após esse martírio fui fazer café só que o mesmo já não existia, daí fiz chá, bebi. Sai de casa atrasada pra aula e o trânsito estava infernal, voltei da aula e o transito estava infernal, ouvi no rádio que o transito vai ficar infernal entre 16 e 21 horas, ou seja, já era a sexta feira! Isso tudo porque dizem que terça é feriado de não sei o que, e o paulistano tem que sair da cidade, todo juntos: Paulistanos, uni-vos. Não dá pra ficar nessa cidade poluída e caótica, vamos todos juntos, em filas, longas, democráticas, fraternas, infernais, sair da cidade e relaxar... na volta o trânsito só fará a gente recordar da cidade, sabe como é, ir entrando no clima. Todo feriado é assim. Começa com muito trânsito e acaba com muito tráfego.
ps: Eu não sou paulistana. O que é um paulistano? Eu ainda não entendi.
Plínia
Escrito por
Dublês de Poeta
às
14h49
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(D.O) CAUSA MORTIS: VíCIUM
Eu, Cássio Túlio Ribeiro, irmão de Caiozito, venho esclarecer a todos, que o Caio saiu vazado do blog. Ele tava muito mal, cara! Vou lhes contar: estava eu alegremente dentro de casa, quando não mais que de repente, gritei: “onde está o Caio?” Todos vocês devem saber que ninguém sente falta dele, mas nesse dia, não sei o que deu em mim, senti sua falta, mas nada dele aparecer. Foi quando percebi que já fazia uma semana que ele estava trancafiado no seu quarto, fumando pacas, meu camarada. Completamente bêbado, bebaço mesmo, véi. O cara tava magro, pálido, fedido, com aquela barba grande, rala e cheia de falhas, igual arame farpado.
Fiquei deprimido, bicho. O estado do cara era sério, véi. Muito grave mesmo. Vendo as condições do sujeito, mórbido. Uma garrafa de 51 justaposta no seu criado-mudo. Seu olho não tinha mais expressão. Por um momento eu não reconheci meu irmão. Dava dó. Ele volveu a cabeça para mim medonhamente, balbuciou algo inteligível e voltou a teclar. Eu lhe disse, “chega Caio, porra! para com essa vida de blogueiro”. Ele coçou a cabeça de maneira que se ouvia a espessura da caspa em seu cabelo bagunçado, ele começou a babar e balbuciou algo outra vez, mas estava completamente fora de si. Não sabia quem era e onde estava.
Eu gritei, “Caio Campos!”, ele me abraçou e disse, “amor, desculpe, eu te amo.”. Pensei comigo, "o cara pirou". De repente ele começa a catar guimba de cigarro no chão. Ele estava perturbado mesmo, eu podia ver cinco encostos indo atrás dele. Eu gritei de novo: “Caio, levanta-te!” Ele disse pra mim, “cigarro de palha? Eu não tenho, acabou”.
Poxa vida, esse não é meu irmão. Fiquei muito triste. Chateado mesmo. Então resolvi ajuda-lo, dar um basta nisso. Carreguei-o, tirei aquele corpo esquelético do quarto, fui com ele até o final do corredor, onde dava para a sala-de-estar, quando o deixei cair no carpete de náilon. Ele começou a babar até dormir. Então liguei para um médico.
Voltei até o quarto dele. O quarto todo bagunçado, fedido. Na noite anterior, eu tinha visto que ele tinha comentado em mais de dois mil blogs, e mandou mais de cinco mil recados no orkut! Respondeu dez mil e-mails. O cara tava sem noção, véi. Felizmente eu apaguei a conta do orkut dele! Tirei o computador do quarto dele. E coloquei-o num hospital terapêutico.
Meu irmão nunca foi um sujeito bem das idéias. Mas ele tava muito doidão, cara! Passou dos limites, bicho! Saibam que se ele não voltar ao que era antes... poxa vida, tá certo, ele era um sujeito preguiçoso e caótico, mas ao mesmo tempo tinha um carisma peculiar, era um cara afável, mesmo com sua fala retardatária diante outrem; o que lhe proporcionava ser o anti-social mais sociável que eu conhecia. Mas o sujeito é meu irmão, véi.
Então fica decretado: o Caio não postará aqui, alias, ele nem chama CaioCampos, ele inventou esse nome, ele Chama Menezes, isso mesmo, Menezes.! O CaioCampos era uma invenção. Acabou, morreu. Foi para nunca mais voltar!
Agora que ele ta mal, aposto que ninguém vai comentar. É sempre assim. Como ele gostava de dizer, “aplauso dos fantasmas”. É isso, com aquele sorriso de agradecimento, “à quem sabe ler, mas não enxerga bem as palavras”.
Cássio Túlio Ribeiro
Escrito por
Dublês de Poeta
às
02h34
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