Parece piada, mas é sério.
O Juíz Livingsthon José Machado, da Vara de Execução Criminais de Contagem (MG), é o meu mais novo herói! Depois de soltar presos de penitenciárias, denunciando claramente a situação precária do sistema carcerário, ele ainda contrariou a liminar do TJ. Podem até chamá- lo de radical, eu achei bem coerente a decisão, e se eu estivesse no lugar dele mandaria soltar todo mundo e encaminharia os presos as aulas de yôga, inclusive elas poderiam ser ministradas pelo Romolito, e também indicaria psicoterapia para todos.
salvé
Plí
Escrito por
Dublês de Poeta
às
13h12
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Dizem que sou egotista e que nunca vou conseguir ser alguém. Muito menos um jornalista. Não sei relatar uma notícia ou um acontecimento sem transformá-lo em conto, fábula ou poesia. O máximo que almejo em sociedade é morrer como uma pessoa comum. Não seria honesto da minha parte viver de maneira na qual eu não saiba; só porque, nesta vida, só aprendi a falar de mim - bem ou mal. A fazer de mim todas as conseqüências e me assumir como única referência das minhas causas e efeitos. Toda diferença cai em mim - para mais ou para menos. Toda história que eu conto é sobre mim – com ou sem final feliz. Eu sou minha cama, meu sonho e pesadelo. Sou meu advogado da morte e da vida. Por sobras e finais me faltou o juízo. E com esse sentimento de cidade-vazia, vou colocando meu nome nas coisas e saindo de fininho desse mundo.
CaioCampos City.
Não me sinto mais um estrangeiro. Achei minha cidade. É uma cidade simples, com uma bela vista, onde o tempo parece parado. Tem uma enorme área para se pensar – e uma natureza viva e esquizofrênica.
Uma cidade vizinha cai bem diante dos meus olhos. Enquanto as pessoas reconstroem seus barracões para viverem, eu desfaço de uma vez por todas das minhas malas. CaioCampos City fica do lado de uma favela. O engraçado que nesta favela tem bastante operário, marginal, traficantes e comerciantes, mas a figura do favelado, estereotipado, sumiu dali.
Sempre tive uma sintonia com a morte-enfim, é uma questão de segundos onde me leva à sensação que ela esteve ali antes de eu chegar, ou que ela ia ao meu encontro, segundos antes que eu partisse de algum lugar.
A morte-enfim é um som de flauta em si menor fazendo serenata pra você o tempo todo, debulha um sentido que vem antes de alguma convenção imposta por uma linguagem. Por falta de primavera, a morte-enfim não tem conto. Na minha cidade, tudo sempre está ficando tarde demais.
Tem uma semana que ninguém liga pra mim. Mas claro, não tem telefone na minha cidade. Então pensei em instalar um telefone só para conferir, mas desconfiei que ninguém ligaria assim mesmo. Então continuei com o que chamo de a expectativa do abandonado feliz. Na verdade é um sentimento igualmente inventado sobre a morte-enfim.
Aqui de onde estou, vejo personas inebriadas, alguns olhos chorando, algumas bocas abertas e lábios sorrindo. Na escrivaninha, rabisco letras e contas com um lápis sem ponta. Aqui tudo tem sua mea-inutilidade. Rebebo meu saboroso Whisky, rodeio meus pensamentos, nesta quase noite rara de prazer em mais um invariável dia sem mim.
Cidades querem sempre mais das pessoas, sopram e desenham paisagens, criam formas sedutoras, criaturas sedutoras, sentimentos sedutores igualmente inventados sobre a expectativa do abandono feliz e da morte-enfim. Assim foi o que pude colorir do mundo; da velha, patética e bucólica cidade de onde vivi. Agora, onde eu vivo, se vê a décima brilhante de algum meteoro em decomposição.
Dublês de Poeta.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
15h26
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