Chuva de canivete, capacete de humildade.
Eu sei que precisamos da cobiça, de desejos e ambições, tentações e provações - e precisamos sempre de auto-ajuda. Uma grande poeta, amiga minha, me disse que devemos ser cautelosos, e imaginar as coisas pela metade, instigar a curiosidade adentro do desconhecido. Sabedoria e erro. Respeitando a dor o tempo todo, como um eremita.
Mas nós, dublês de poeta, que olhamos o azul do céu do mar profundo todos os dias. Nós, que somos a impossibilidade da compreensão, divagando pensamentos, pré-conhecimentos que nos dão efêmeros momentos de entusiasmo, ânsia excessiva; cólera, indagamos: somos indefiníveis.
Êita quarta feira maior, que criou a saudade e o açoite temido, este corpo ferido pelo desdém. Todo itinerário, das idas e vindas do vai-e-vem. Com paciência conto minhas lágrimas, conto os projetos que deixei para traz, retomo minhas angustias, encontro um novo poema, uma nova melodia, reconheço velhas parcerias, renovo o coleguismo descartável e fortifico os verdadeiros amigos.
Escrita escassa, originalidade terapêutica.
Como estes escritos estão parecidos com Lya Luft. Estou escrevendo igual à uma mulherzinha. Não quero fazer disso um diário de reclamações. Muito embora isso seja um diário, mas não um diário enrugado de lágrimas, mesmo porque byte não molha. O byte, que representa a célula do computador, é formado por caracteres... e precisa ser alimentado pela mesma energia criptográfica do fígado, que é o Processador de Dados. Agora estou parecendo o mano Brown, Dan Brown, aquele Rapper da literatura popular.
Lançar moda não é fácil. Veja só uma pesquisa que fizemos, onde estatísticamente falando, 98% das estatísticas não comprovam nada, e os outros 2% que sobram é fetichismo por estatísticas. Qual a probabilidade de Jesus voltar à terra? Qual a probabilidade de Deus existir? E se ele existir, qual a probabilidade dele ser bom? Qual é a probabilidade de eu existir? O que caracteriza algo bom? Por que Bach é melhor que Mozart?
Por que tantas definições? Eu, como dublê de filósofo, tento simplificar as coisas. Tento acalmar meus neurônios suicidas, classificando as coisas em quatro gêneros: ruim, médio, bom e indefinível. O quarto gênero é o mais simples, por ser demasiado complexo, e para simplificar o complexo você classifica-o de indefinível. Wagner é indefinível, e pronto. Bach é ruim, Beethoven é médio, Strauss é bom. Mozart e Vivaldi são médios. Levando em consideração que hoje é quarta-feira e tudo está indefinido. Algumas coisas são boas, outras são ruins, mas na maioria das vezes, tudo está indefinido.
Dublês de Poeta.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
12h41
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Na falta de assunto, silêncio:
Ontem as espalhafatosas apresentadoras do "Saia Justa" no canal GNT falaram sobre o silêncio. Tentaram adentrar no campo do silêncio intelectual mas ruidosamente não conseguiram... a realidade é que assistir quatro mulheres bonitas na TV ainda é adorável, mesmo pra mim que sou heterossexual! Elas não precisam falar nada inteligível, o que basta são seus sorrisos, caras e bocas. Um dia desses vou tentar assistí-las com a tecla "mute" acionada e uma música erudita no fundo. Deve ser sensacional! Esse tema "silêncio" vem me atormentendo a semana toda. Na tentativa de entendê-lo, calei. Voltei pra SP e escutar a voz do silêncio aqui pode ser possível mas escutar a ausência de som é improvável. Eu falo pouco, gosto de música baixa, adoro calma, mas esse silêncio me inquieta. Minha meta é tentar entender o silêncio.
silêncio. [Do lat. silentiu.] S. m. 1. Estado de quem se cala. 2. Privação de falar...4. Taciturnidade. 5. Interrupção de ruído; calada. 6. Sossego, calma, paz... 7. Segredo... 8. Para mandar calar ou impor segredo.
Adoro Aurélio, mas prefiro Vinícius:
(...)Cala; escuta o silêncio Que nos fala Mais intimamente; ouve Sossegada O amor que despetala O silêncio...
Deixa as palavras à poesia...
P.S: Ouvi a gravação de "Carolina" do Cassiozito e chorei demais.
Plí
Escrito por
Dublês de Poeta
às
08h48
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