Caiozito, a primeira Dona-de-Casa a escrever um livro subversivo e ser indicado para a ablB – Academia Brasileira de Letras de Blog.
Da arte da Subversão
Para quebrar a pedra do gênese da minha vocação, do meu dom divino, aquilo que Deus guardou para mim. Aquilo que desde pequeno eu orei, rezei, pedi, enfim, para ser; ter: uma vocação, um dom. Sem trabalhar, sem me amolar, sem esquentar a cabeça, sem precisar me preocupar em ser patrão e sem precisar dar satisfação como empregado.
Então, como revelação, Deus me deu o Dom de ser Dona-de-Casa. Obrigado Deus! Que nobre, que honra. Fico o dia inteiro por conta de comer a comida que faço e lavar as louças que sujo. Fico esfregando o chão e enxugando a flanela. Catando guinbas de cigarro, saquinho de miojo e papel de bala no chão. E nos intervalos que tenho para descansar, assisto à televisão. Fico da janela olhando aquele bando de gente que vai pra rua. Eu não consigo imaginar o que tem de divertido na rua. Como um ser humano evoluído como a Dona-de-Casa, que já superou divagações políticas e religiosas, já não tem preconceitos nem conceitos ideológicos. A sociedade é ela e o seu lar. Eu, Dona-de-Casa, subversivo!
A televisão é o melhor passatempo que existe. Maldito são aqueles que querem acabar com os programas de mulheres nuas, testes de dna, e reality shows. Seus falsos moralistas. Desgraçado é aquele que acha que televisão é para educar o cidadão. Televisão é para entreter, é para ser enganado. É saber que está sendo enganado e rir diante da TV como Rommer Simpson faz. Quem quer se informar, se instruir, vai ler um livro. Assistir Televisão, isso sim é ser subversivo.
Viver é o ato de criticar a vida. Saber que todo ser humano é o alvo da sua crítica, seja ele você, Buda ou Jesus Cristo, ou qualquer ser-humano-gazela, eu sou seu perdigueiro. Aliás, acreditar em Deus, como eu, Dona-de-Casa acredito, mesmo conhecendo provas concretas sobre a sua não-existêcia, isso sim é ser subversivo.
Estampar na primeira página do jornal o vencedor do último reality show, com uma matéria extensa, detalhada, cheia de retrancas e gráficos sobre os participantes. Informar quanto cada um fez e ganhou: quem era mais pobre, mais bóia-fria, mais analfabeto, mais gay, mais subversivo. Isso sim tem que sair no primeiro caderno de um grande jornal. E no último caderno colocar apenas uma nota, falando da troca do ministro da economia, apenas citar, brevemente, sua acusação de corrupção e sua renuncia, assim, em um parágrafo, um lead. Isso sim seria subversivo.
Não basta ser apenas uma pessoa corrupta. Você tem que negar uma propina para ser honesto. Propina para ser honesto é um xingamento, um insulto. Negar propina para ser honesto. Atos assim é que me fazem acreditar no ser humano. Acreditar no ser humano, isso sim é ser subversivo.
Dubles de Poeta.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
16h19
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Carta à Plínia 125 – Planalto.
A juventude está morta, mas ainda somos jovens.
Quanto ao Rivotril, eu estou tentanto parar... (aquele papo de quem não quer parar). Você sabe, o melhor amigo do homem é o rivotril, o rivotril é um cachorro em cápsulas. Estou empatado com o Vinícius de Moraes: o Vinícius era feio, velho, barrigudo, garanhão, rico e intelectual. Eu sou bonito, jovem, sarado, garanhão, burro e pobre. Mas vou ganhar dinheiro e virar intelectual, só para ficar velho barrigudo e feio.
Carta para os três poderes: eu, meu ego e meu superego.
Eu vou parar de escrever para esse blog, calma, não vou cometer um bloguicídio. Não vou sair por censura. Aliás, tudo que eu diria para uma mulher bonita e gostosa, no escuro, entre quatro paredes e a sós, eu disse nesse blog. Também não vou sair só porque tenho meia dúzias de leitores e a única que comenta é a minha irmã. Estou saindo por motivos financeiros. Preciso trabalhar, é isso mesmo, o que foi marxistas, estão espantados? Já sacaram que os Marxistas são as pessoas mais vagabundas que existem? Elas nem trabalham nem lêem, ficam só protestando protestos e pretextos. E Vocês Proudhonianos, estão espantados? Cambada de astronautas. E vocês, Capitalistas, estão felizes? Eu não estou feliz nem triste. Posição política e ideológica é uma coisa do passado, já superei. Quando soltam uma piada de política eu dou uma risada pela orelha. E quando vão me contar alguma novidade sobre o mundo político, fico fingindo que estou prestando atenção pelo nariz, assim ó, imaginem.
Mas estou parando de escrever. Não porque escrever não dá dinheiro. Eu poderia ganhar dinheiro e queima-lo tão rápido quanto fumo o meu cigarro. Não escrevendo, mas fazendo de um jeito que eu ganhe dinheiro. Poderia ser o único jornalista rico depois de Roberto Marinho. Mas sou muito preguiçoso, é talento demais pra tanta preguiça. O trabalho é a inveja do talento. Por isso vou trabalhar só para criar uma situação constrangedora comigo mesmo como passa tempo, já que superei divagações religiosas, políticas e ideológicas.
Enfim, não sou de esquerda nem de direita. Não sou Bill Gates, Proudhon, Marx, Paulo Francis nem Raul Seixas. Apesar de ter todas essas influencias e de outras poucas que tenho preguiça de citar, e que é tolice ficar citando nomes de intelectuais escritores e artistas. Porfim, no meu tautologismo lingüístico caótico preguiçoso, deixo de escrever porque não tenho nada mais para escrever de mim. E porque só sinto prazer escrevendo poemas frasistas, frases poéticas, e outras coisas fora de moda, como ironizar a sociedade esculhambar a sociedade, todas essas besteiras adolescentes. Mas a Sociedade é uma coisa que eu já superei.
Agora vão ler algo que preste, vão ler romances do século XIX. Seilá. Vai ler um livro meu filho, sai desse computador, vai ler um livro, que enquanto você lê, você está trabalhando.
Caio da Silva Campos
Escrito por
Dublês de Poeta
às
21h31
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