Caiozito, nos raros momentos que desce terra firme para tomar nota de um acontecimento político.

 

Letter to the of people Brazil

Ricardo Berzoini foi convidado pelo presidente Lula para assumir a coordenação de sua campanha. Berzoini é o mesmo que assumiu o Ministério da Previdência. E nesse cargo, seu ato mais famoso foi o sadismo de convocar idosos de mais de 90 anos a comprovarem junto ao INSS que estavam vivos (pausa para risos). Com essa peça, Berzoini, sujeito petista com aparência tucana, cavanhaquezinho e cabelinho pentiadinho (com i de viado) pro lado “esquerdo”, foi homenageado na época com o “Troféu Ricardo Berzoini de Sadismo” - ou qualquer coisa parecida.  Troféu que foi preiteado mais tarde por Delúbio, Zé Dirceu, Didi Mocó e Palocci.

Mas Berzoini vai começar bem a campanha, pois o PT já começa com aproximadamente 300 mil reais em doações que, segundo o site do PT, já foram doados pelos próprios deputados e senadores. O Dep. Gaúcho, Adão Preto, doou um salário mínimo e um vale transporte. Veja a lista dos deputados que doaram AQUI.



Escrito por Dublês de Poeta às 17h53
[   ] [ envie esta mensagem ]




Auto-entrevista comigo mesmo.

 

Caiozito da Folha de Curvelo.
Leia a entrevista que a Folha CR fez com Caio Campos.

 

Folha CR - Na sua opinião, o que representa o fenômeno do blog?

Campos – Nada. Queria pegar mulher. Tudo que eu faço é para pegar mulher. Eu tocava violão para pegar mulher, saía sábado à noite para pegar mulher. Escolhi a faculdade que tem mais mulher no curso que tem mais mulher. O blog foi uma conseqüência desse estilo de vida.

 

Folha CR - Quando você começou a escrever seu blog e por quê? Já escrevia quando criança?

Campos - Começando pela segunda pergunta, eu não escrevia nada quando era criança, criança tem que “criançar”. Sabe aquele lance: “nossa, quando você percebeu que ele era bom nisso”, eu nunca fui bom em nada, sempre trapaciei, e agora, mais do que nunca, escrevo como uma criança, e é esse o processo. Eu comecei a escrever quando vi que escrever era uma maneira que eu tinha para regredir na vida. Não envelhecer, entende?

 

Folha CR - Quantos posts você escreve em média a cada mês? Quanto tempo você gasta com o blog?

Campos - Procuro escrever às terças feiras depois do café. Eu fico o dia inteiro lendo meus próprios posts e comentando-os com outros nicks. Fico o tempo todo atualizando para dar ibope e pegar mulher.

Folha CR - Qual o conteúdo do seu blog?

Campos - Pessimismo, otimismo, humor e irritabilidade, esoterismo, moralismo, pornô-xanxadismo, musculação e tarô, antibrasileirismo nacionalista, liberalismo campista, catolicismo emblemático, cristianismo camponês, classicismo pequeno burguês burocrático feliz, ironia e esculhambação intelectual dorçal.

Folha CR – qual o seu maior escritor?

Campos: Os músicos. Gosto do Sócrates.

 

Folha CR – Também é seu maior filósofo?

Campos - Não. Sócrates é um amigo meu, que desde os 9 anos já tinha penugem na cara. Aí o apelidamos de Sócrates.

Folha CR - Qual o perfil do seu leitor?

Campos- Senhores feudais, adolescentes que escrevem “oiê, td bm, blz?!”, minha mãe, minha irmã, meu irmão e a “muiezada” no geral. Gosto de pensar que tem um monte de mulher que escreve “oiê, td bm, blz!?” me lendo. 

 

Folha CR - O que você pensa da literatura contemporânea brasileira?

Campos – Não tenho preconceitos nem conceitos literários, então não penso sobre essa contemporaneidade literária. Os melhores escritores para mim são aqueles que parecem escritores.

Folha CR- Quem são seus 'modelos' intelectuais e literários?

Campos – A modelo Gisele Bündchen


Folha CR -  Seu blog é de direta ou de esquerda?

Campos - Eu estou à um passo sem freio à bifurcação.



Escrito por Dublês de Poeta às 15h14
[   ] [ envie esta mensagem ]




Em cartaz

Oh, NÃO! Pelas barbas do profeta! - Direção de Sílvio Luis. Conta a saga de um operário iletrado que virou intelectual após ler os romances policiais de Chesterton. Luizinho se apaixona por Ieda, que diz "ni", para luizinho. Veja o trailler aqui.



Escrito por Dublês de Poeta às 14h13
[   ] [ envie esta mensagem ]




Seis anos sem Cida Sanches

 

Aparecida Sanches, poeta e principalmente, minha amiga. Ensinou-me a coisa mais valiosa do mundo: “aprender”, para depois poder brincar com isso. Escrevemos muitas coisas juntos, contos, crônicas, poemas, frases e aforismos tudo por internet, e-mail, cartas...

Sempre acho alguma coisa dela. Vira e mexe me vejo com as palavras dela em minha boca.

 

“Minha Espada, minhas palavras.

My Sword, my Words 

Sword = Words

Words = Sword

Todo poder é uma regra de três, e uma arma de dois gumes”

 

Ela morava em São Caetano, ABC paulista, nos encontramos duas vezes, uma em São Paulo e uma em Belo Horizonte, onde moro. Numa sexta feira 13, abril de 2000, ela se foi para os Estados Unidos. E nunca mais tive notícias.  Ela escreveu assim na sua última carta.

 

“Agora eu sei, Babe, você nunca foi, é ou será um fantasma do meu passado! Pois te encontrei no Futuro! Não sei o que te dar, Angel, então te dou Nada. Você é poesia mais linda que escrevi!” – Sanches.

 

Seus textos ainda me marcam bastante, foi meu primeiro contato com o texto, na sua forma mais linda, em carta. Se eu tivesse que tecer algum comentário para ela, diria que  sempre escreveu como mulher:

 

“Sim, acabei de quebrar minha independência por artefatos. Decifrei minha mensagem secreta. Urdida nas sombras de meus doces sonhos privados, sem ocultar a vulnerabilidade ou o sofisticado da personalidade, que não passa de um manto protetor para esconder. Esconder dos olhares perscrutadores dos indóceis que arranhariam um coração delicado se eu o expusesse” - Sanches

 

“Como no jogo, eu ganhei um curinga. Se faltasse dinheiro, jogava-o na carteira. Se faltasse um amigo, jogava-o no sofá. Se faltasse um amor, jogava-o na cama. Poeta sem tema, curinga no poema! Um curinga na mão em final de partida, alegre, festeiro, um curinga arteiro, que me desse a batida na vida com canastra real...” – Sanches. 

 

Caio Campos



Escrito por Dublês de Poeta às 16h23
[   ] [ envie esta mensagem ]




Títulos para notícias fabulosas

 

I Notícia para raio-x de coluna cervical.

 

Tenho hoje outras idéias insanas, alguma coisa puta-bacana. Assim, imperfeita e profana, impura e puritana. Caguei-me todo de conselhos, sem me ater não me acatei, e assim fiquei com meu verbo fétido, fático, infraperfeito do pretérito . Eu vasculhei no vasto fundo entulho, não achei por acaso essa larva não... essa lacraia mórbida, essa pessoa - essa outra pessoa. Vida outra, entende? Que desalinho, por um anzol, por um fio...

 

II Notícia escrita com letra bio-lógica.

Linhas partilhadas de estórias não contadas as quais eu sempre pude ouvir no meu agito enquanto dormia aparentemente. Era uma festa sem convite, como um vestido sem corpo por falta de forma, algo fora de foco. Nenhuma cor em conteste, muito embora o contraste nu refletia semi-lua um pingo embrutalhado semi-lido. Uma aresta de palavra, haste, um enfeite qualquer na sílaba que lambeu a palavra e grudou no átomo.

 

III Notícia de uma crônica coronária

 

Não era uma estória colorida, tão pouco grafitada. Verde-lima talvez. Eu digo isso porque quase. E era só. Sempre foi o que era. Poria em tudo na minha vida desde aquele dia. Pagaria minhas contas com tudo de uma vez por todas. De todas poucas que eu já fiz, ainda que insistam, foram poucas, mas foram bastantes e intensas – e nunca mais me deixaram em paz.

 

 

IV Notícia de Jornal noticioso

 

Um título. Uma imagem. Um espetáculo! Mais uma remessa, por favor! Mais uma promessa e um pouco de lucro na segunda-feira. Um domingo sem pressa. Um som, uma sonata, uma orquestra na praça. Um candidato. Uma Bunda.Uma entrevista. Um grito. Uma observação. Um parêntese. Um cumprimento. Mais uma observação daquelas! Embrulho e jogo na calçada. Saio gritando feito um louco: uma notícia... uma notícia!!!

 

                                          Dublês de Poeta



Escrito por Dublês de Poeta às 15h45
[   ] [ envie esta mensagem ]




Journal de Lárvio Güker - outono de algum dia de 1979.

 

Hoje eu comecei um poema, comecei blefando-o. Como sempre, ganhei os primeiros neófitos alfabéticos. Um poema é um jogo de azar. O poeta é um viciado nesse perene purgatório. Eu não acredito em poetas que não joguem assim, que não se arriscam em grandes lances de bilhar. Assim como os jogadores, as cartas são distribuídas aos poetas, e a cada palavra o poeta espera um curinga. Mas o curinga não vem. E o poema ganha do poeta. Esse é o seu devaneio, essa é a sua sentença, sua redenção, seu gozo e sua catarse.

 

Esse é um poema dedicado. Não sei como posso ser tão escrupuloso ou prepotente para querer dedicar algo a alguém. Como um morcego sanguessuga que se deleita de ponta cabeça, deixando gotejar seu suor vermelho por entre os dentes, sua glória. Seu sacramento é antes de tudo, dedicado à sua vítima. Este sangue também é um poema dedicado para todas as pessoas que se arriscam todos os dias como morcegos. Eu lhes dou o meu sangue que um dia correu em outras vísceras, e que hoje me alimenta. Como um câncer, como um herpes. Eu tenho palavras, cuidado:

 

uma notícia...

uma notícia...

uma notícia...

uma notícia...

 

Era como se a notícia se noticiasse. Nada de escândalos – nenhuma novidade. Sem açoite nem desdém. Sem labuto algum, tão menos cínica. Como posso dizer? Porque não era nem boa nem má notícia. Era apenas, assim... uma notícia. Porém, uma notícia é uma notícia, meu amigo. Assim desse jeito seco, tépido. Que susto! Tirou-me toda a informação. Debulhou-se em véu despindo o meu conhecimento - de todo o acontecimento. A notícia se libertou do texto, um horror fora da margem, muito embora não cheirasse nem fedesse. No viés ela se desfez e virou de frente pra mim, no seu estado bruto, ela me disse:

 

uma notícia

uma notícia

uma notícia

uma notícia...

 

                                                                     Dublês de Poeta



Escrito por Dublês de Poeta às 01h21
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
Histórico
   01/12/2009 a 31/12/2009
   01/08/2009 a 31/08/2009
   01/07/2009 a 31/07/2009
   01/06/2009 a 30/06/2009
   01/05/2009 a 31/05/2009
   01/04/2009 a 30/04/2009
   01/02/2009 a 28/02/2009
   01/01/2009 a 31/01/2009
   01/12/2008 a 31/12/2008
   01/11/2008 a 30/11/2008
   01/10/2008 a 31/10/2008
   01/09/2008 a 30/09/2008
   01/08/2008 a 31/08/2008
   01/07/2008 a 31/07/2008
   01/06/2008 a 30/06/2008
   01/05/2008 a 31/05/2008
   01/04/2008 a 30/04/2008
   01/03/2008 a 31/03/2008
   01/02/2008 a 29/02/2008
   01/01/2008 a 31/01/2008
   01/12/2007 a 31/12/2007
   01/11/2007 a 30/11/2007
   01/10/2007 a 31/10/2007
   01/08/2007 a 31/08/2007
   01/07/2007 a 31/07/2007
   01/05/2007 a 31/05/2007
   01/04/2007 a 30/04/2007
   01/03/2007 a 31/03/2007
   01/02/2007 a 28/02/2007
   01/01/2007 a 31/01/2007
   01/12/2006 a 31/12/2006
   01/11/2006 a 30/11/2006
   01/10/2006 a 31/10/2006
   01/09/2006 a 30/09/2006
   01/08/2006 a 31/08/2006
   01/07/2006 a 31/07/2006
   01/06/2006 a 30/06/2006
   01/05/2006 a 31/05/2006
   01/04/2006 a 30/04/2006
   01/03/2006 a 31/03/2006
   01/02/2006 a 28/02/2006
   01/01/2006 a 31/01/2006
   01/12/2005 a 31/12/2005
   01/11/2005 a 30/11/2005
   01/10/2005 a 31/10/2005
   01/09/2005 a 30/09/2005
   01/08/2005 a 31/08/2005
   01/07/2005 a 31/07/2005
   01/06/2005 a 30/06/2005
   01/05/2005 a 31/05/2005
   01/04/2005 a 30/04/2005


Outros sites
   Alexandre Soares Silva
   http://www.apostos.com
   dublês blogspot
   Gymnopedies
   E Deus criou a Mulher
   Altino Machado
   O Espírito da Coisa
   Pensar Enlouquece
   Papagaio Mudo
   Liberté
   Prosa e Verso
   FOLHA DE SÃO PAULO
   O GLOBO
   ESTADO DE MINAS
   Bravo on line
   Le Monde
   Razão Poesia
   TV Enxame
   Guilhermeza
   Apenas ser
   Sententia
   Ótimas mentiras
   Union - Cinema
   Revista Opperaa
   Cris Moreno
Votação
  Dê uma nota para meu blog