Enquanto isso, em Porto Iguaçu – cidade turística da Argentina.
E. Marcarian.
Os quatro iletrados de esquerda para a direita (com trocadilho de jornalista de oposição): Evo Maria! (O cocaleiro), Chapolim Colorado (O anti-herói), Nestor Vitaminado (O Caloteiro), Luís Hilário da Silva (Sr. Da Silva).
“O Brasil errou ao escalar o Sr. Da Silva, podia ter entrado com o time reserva, já que Lula sofreu grandes desfalques políticos recentemente, e não podia se expor agora contra três tarados Latinos”, disse alguém, analista de alguma coisa. “O anti-herói da vez na América Latina é porta voz do Indígena Cocaleiro; "Chavez fica trocando cola de sapateiro por pó de cocaína”, disse um qualquer, tentando ser engraçado, especialista em nada.
Já o Sr Nestor, mediador da suruba, parece desolado com o que fizeram com Lula. “O Chavez é tão devasso, que foi expulso de uma suruba por mau comportamento” Disse alguém não muito confiável. “No final quem pagou o pato foi o sapo do Sr. Da Silva do Brasil”, completou. “O cierto é que Brazil precisa mucho del gás Boliviano, pero, la Bolívia, apoiada por Chavez, no precisa del petróleo brasileño”. Disse em portunhol, o doutor em palpite Arruda Ribeiro. Dando um tapinha nas costas do jornalista, soltando uma risada tuberculosa.
Correspondente do Dublês na Argentina.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
09h05
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Quando eu crescer
Antes de ir para o meu confessionário, queria dizer que vou parar de fazer auto-entrevistas comigo mesmo. Deixar meus métodos lingüísticos caóticos para construção de títulos. Abdicarei também dos meus recursos de pleonasmo e dos neologismos constantes, o Millôr Fernandes faz isso tão bem, escreveria esse texto com muito mais despojamento e sarcasmo, cheio de recursos lingüísticos e com frases em latim no final. Sem falar das ilustrações robustas que dão o ar de chargista intelectual. Mas quando eu crescer, prometo parar.
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Antes, queria fazer uma auto-entrevista comigo mesmo, como jogador de futebol, após um golaço pelo Atlético Mineiro na final da Copa do Mundo, Buenos Aires, em pleno Monumental de Nuñes, contra a Argentina, um golaço, é um sonho de criança:
- E aí, Caiozito, Galo Campeão, finalmente, e que golaço, hein?
- É lindo calar este Estádio. É mais prazeroso calar um estádio inteiro do que sacudir o Mineirão escutando a torcida gritando Gool. É indescritível. Eu corri ali perto do alambrado, depois que marquei o gol, olhei a cara de cada argentino, eles soluçavam, com aquele olhar maníaco de argentino, aquele silêncio ensurdecedor naquela carapuça argentina, é fúnebre, é lindo.
- Esse foi Caio Campos, centroavante do Atlético - é com você Galvão.
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Agora sim, Era uma vez... Quando eu crescer quero escrever tão ruim quanto o Diogo Mainardi. Ter a altura do ego do Paulo Francis, escrever tão mal quanto ele, e ainda sim me achar o máximo. Cantar tão mal como o Raul Seixas. Ser tão brega como o Roberto Carlos. Escrever livros tão curtos, com palavras tão escassas como Manoel de Barros, e ainda ter coragem e cara de pau de publicá-los.
Quando eu crescer vou ser decretado (por decreto mesmo) intelectual por um velho qualquer da Academia Brasileira de Letras. Quando eu crescer, vou negar o decreto da Academia Brasileira de Letras e fundar a “Sociedade Iletrada de Letras de Blog Contra a Academia Brasileira de Letras”. Com um discurso inaugural na Praia de Copacabana, usando de palanque a escultura de pedra de Drummond, ali onde Copacabana é quase Ipanema, subindo na careca de Drummond. Ia fazer um discurso digno dos discursos históricos do Arco do Telles ou do Paço Imperial, porém muito mais porreta do que aqueles discursos de época. Ia citar alguns diálogos das cenas das peças de Bernard Shaw, ligeiramente modificados, com uma expressão em inglês a cada final de frase, como por exemplo: “é como peidar... you know that...". E depois eu digo “entende? I swear!". E continuo o discurso. Depois das citações alteradas, os Super-Poderosos, como os membros da “Sociedade Iletrada de Letras de Blog Contra a Academia Brasileira de Letras” seriam chamados, baterem palmas, todos de tanga Valisère, continuaria centrado nas modificações de Shaw para não dar cincada, e depois, na minha alteração, no meu plágio criativo, declamado como um algoz sirvente, aquele que me deixaria com a sensação melhor de que fui eu quem escrevera, com desdém de um autêntico egocêntrico, finalizaria o discurso: “To nem aí, should know better.”... com um nostálgico ocaso ao fundo da praia de Copacabana (ocaso é a palavra em português com a semântica poética mais em alemão que conheço), quando eu crescer...
Escrito por
Dublês de Poeta
às
18h53
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