Sem Título

Eu não sou jornalista. Larguei o curso de jornalismo no segundo ano. Não que eu fosse esnobe ao ponto de largar a universidade por me achar superior. Larguei porque jornalismo é profissão de mulherzinha.

Sou homem e não tenho mais nada a dizer sobre a universidade de jornalismo.

 

Rômulo, um amigo meu que pratica yoga, um sujeito que podia ser intelectual, ele que é quase erudito, só não é porque pratica yoga. E é humanamente impossível ser intelectual e erudito e praticar yoga. Enfim, eu e Rômulo conversávamos na varanda de frente à minha casa. Ele me perguntou se eu acreditava que a imprensa representava o quarto poder. Eu hesitei. Ele então respondeu: o quarto poder é o crime organizado. Eu indaguei: se o crime organizado é o quarto quem são os outros três?

 

O Alex, um ex-colega meu, que fora preso e convertido evangélico na penitenciária, e passava perto da varanda onde conversávamos, respondeu: Pai, Filho e Espírito Santo. Rômulo e eu replicamos: Cruz Credo. Ele treplicou de volta: Amém, nojentos! Síntese: o primeiro poder é a nossa ignorância.

 

Na verdade esse blog é uma grande bobagem. Eu até acreditaria no Alex se ele tivesse dito isso. Xingá-lo-ia do mesmo modo também, até cuspiria na cara dele se fosse o caso.

Adendo à síntese: não acredito em nada. Se existisse imprensa e seres superiores, a hierarquia intelectual dos veículos de comunicação e das divindades seria a seguinte:     

1-BLOG

 2-JORNAL IMPRESSO

3- REVISTA

 4- RÁDIO

 5- TELEVISÃO

6- JORNAIS ONLINE

7- ORKUT

 8- CAIO CAMPOS

 9- DEUS

 10- MESTRE DE ROSE



Escrito por Dublês de Poeta às 12h34
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Meu Poema de Amor

 

Uma oração nos lábios

São sábios o que imaginam

O que só as colombinas me ensinam

 

Minha invasão contorce suas entranhas

Tanto que estranha a minha distorção

 

Você grita inteira:

 

- Eu confesso...

 

Levanta, enlaça-me, quase íngreme, ela torna sentar-se.

Toda corpo, despida de alma.

 

Ela grita inteira:

 

- Eu confesso... Meu poema de amor...



Escrito por Dublês de Poeta às 20h23
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Manual do Fracasso

 

Introdução.

 

Fiquei muito lisonjeado com o convite para escrever no Dublês – que não foi o primeiro –, mas confesso que um tanto desconcertado. Afinal, não sou escritor, não tenho a menor prática, sou tímido e infante. Eu poderia enumerar um sem fim, mas o principal motivo é: não tenho nada a dizer para esse mundo.

O que acontece é que eu não tenho nada mesmo pra ensinar. E isso não se deve a minha juventude, muitas pessoas da minha idade já possuem várias histórias de sucesso pra contar. Minha vida, no entanto, tem sido uma sucessão de erros e fracassos, até então.

A partir daí (e da persistência de Caiozito), me veio a luz. Falarei do meu fracasso, pra que sirva de exemplo a não ser seguido. Ou a ser, você decide o que fará a partir dele . E que se dane. (Como diria o maior vilão das novelas globais: “Enforque-se na corda da liberdade”).

Meu povo, sendo assim, estréio no universo literal virtual pelo meu gênero preferido: auto-ajuda.

A essa altura, você já deve ter percebido o quanto isso vai ser chato. Não tenho a ÇAGASSEDADE de Caio, a presença de espírito de Cássio, nem o lirismo de Plínia. Eu preferiria que você interrompesse agora essa leitura. Se você for teimosinho e resolver continuar, não quero que você comente. Não ligo pra sua opinião. Aliás, já disse, e enfatizo: dane-se. Sinceramente. Ao menos permaneço coerente com a proposta original.

Vamos ao manual... Uma compilação de princípios, preceitos, dicas, exemplos, sei lá... não deve sair na ordem de importância. Estultícias...



Escrito por Dublês de Poeta às 10h16
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 Aumente a baixa auto-estima

           Em verdade, isso é um desdobramento de algo que poderia ser um tópico em si: a egotite. Isso mesmo, egotite. Com o sufixo “ite”, de doença, como em rinite, labirintite, dermatite, gastrite ou prostaglandite. Pois a “doença do ego” consiste em estar completamente voltado para a própria personalidade, a própria realidade e história pessoal, vulgo “umbigo”, em vez de ir em socorro daqueles que são infelizes, ou se unir aos que são felizes, para ir ao cinema, namorar, comer, enfim, curtir a vida... Ou apenas apreciar a majestade de uma árvore secular, a beleza de um canto de um passarinho ou o prazer de uma gostosa refeição. E melhor ainda, fazê-lo em atitude devocional, internamente à árvore, à ave e à comida, simplesmente por existirem. Mas sem crendices, por favor! Sem ter que tudo passar pelo crivo da existência de um Deus, ou uma força sobrenatural. As crendices são das coisas mais abomináveis na nossa espécie homo stultus. Bom, mas as crendices não são um fator imperativo para o fracasso. Dizem até que elas trabalham em prol do sucesso, dentro da psyché. Enfim...

A egotite, sem dúvida, produz inúmeros sintomas. Sobre a nossa amiga auto-estima, o desequilíbrio vem pelo excesso ou pela falta, dependendo do conceito que o enfermo possui de si. Seja ele bom, resultará no excesso. Se for ruim, surgirá a falta. Em todos os casos, o estulto vivencia ambos extremos, já que é um desequilibrado. A diferença é que tende-se para um dos lados, sempre.

Passa-se a maior parte do tempo na fossa. Compensa com fantasias de soberba e auto-glorificação. Com o tempo, afeta-se a realidade. Se passa a maior parte “em glória”, haverá momentos de intensa auto-destruição. O primeiro caso é típico dos depressivos, bêbados, poetas, românticos, vagabundos, etc. No segundo se encaixam os políticos e as celebridades.

Outro dia, conversando com o Léo, que me entregava a sua doação de roupas ao Rotary Club, a respeito da velha (quase morta) questão social. Ele me contou que trabalha como assessor de deputado, e que a vaidade impera em seu ambiente de trabalho: “Se você propuser a um desses politiqueiros pagar 100 mil reais pra fazer um discurso em seu lugar, ele não aceita, prefere aparecer”.

Por essas e outras, me atenho à baixa auto-estima. Não se pode dizer que esses caras que andam de jatinho e carro importado são fracassados. Mesmo que eles tenham lá seus momentos de auto-boicote (não tenho dúvida).

Já a falta de amor próprio (ironia, o homo stultus é perdidamente apaixonado por si, mas não se ama) produz um círculo vicioso, onde quanto mais se odeia, mais se fracassa, e mais se odeia. Ou seja, fracasso garantido e em alta velocidade, ou o seu dinheiro de volta.

Depois que resolvi participar do blog, comecei a planejar mentalmente esse manual (isso mesmo! toda merda que você está lendo foi planejada!). Numa reflexão sobre esse tópico, abstraindo, olhando uma nuvem e observando o prána (bioenergia sutil) no céu, como uma miríade de estrelinhas que se movimentam, pensei “Sou uma das pouquíssimas pessoas no planeta capazes de ver isso e ainda entender do que se trata. Muitas pessoas me invejariam... Mas o fato é que isso não tem a menor utilidade, e eu nem posso mostrar pros outros... é melhor eu nem mesmo contar, senão vão achar que sou louco!”. E ainda tenho outras paranormalidades. Mas afinal, todo mundo deve ter lá suas habilidades especiais.

Talvez a visão depressiva seja a mais realista. Ou então foi uma daquelas fantasias de soberba e glória.

Ah, vãs estultícias...



Escrito por Dublês de Poeta às 10h15
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Seja anti-social

 

Se você não é como o Tarzan, criado pelas feras. Ou como Matsyêndra, um peixe, que ao ter uma visão de Krshna, evoluiu até se tornar homem. Ou como seu discípulo que sempre o salvava das enrascadas, Gôraksha, que quando infante, foi resgatado por Shiva, de dentro dos excrementos de vaca. Ou como Adão, moldado do barro por um deus abstrato, mas cheio de personalidade tsc, tsc...

Mas sim, se você é como eu, que vim da porra mais um ovo, antes de ser arrastado pela menstruação, você já deve ter percebido que o homo stultus é um animal social.

E como bicho sociálvel, necessita de segurança advinda do reconhecimento e afeto de seus pares. O filhote da espécie, em situação normal, recebe uma cota praticamente infinita de afeto, de sua mãe. E ainda sem precisar dar absolutamente nada em troca (além de fraldas sujas de merda e gritos estridentes enlouquecedores). Isso acontece devido a uma artimanha da madrasta Natureza – erroneamente chamada de mãe -, que sacrifica a vida e o bem estar de qualquer quantidade de espécimes, para que a espécie seja preservada.

A fêmea primata, quando alcança a idade reprodutiva, passa o procurar por um parceiro do sexo oposto com um bom potencial para a reprodução. Os critérios da seleção são diversos e em sua maioria, processados no nível do inconsciente. Pois bem, quando o candidato é eleito, o cérebro da moçoila libera um hormônio chamado ocitocina, também conhecido como “o hormônio da paixão”. Ela então abrirá suas pernas ao mancebo, que prontamente deposita sua “semente”. Fecundação confirmada, o mesmo cérebro passa agora a produzir quantidades infinitamente maiores de ocitocina, que dessa vez é direcionada à prole. A liberação desse hormônio é, inclusive, estimulada pela amamentação. Isso aí, galera, é o amor das nossas mãezinhas.

Entretanto, depois de desenvolvida, a cria humanóide precisa conquistar o afeto alheio. Seja através de um rostinho bonito, uma atitude carismática, uns bundão, uns peitão, uma barriga tanquinho, uma caranga estribada, uma carteira recheadinha de din-din, tocando violão na roda, pulando de bungee jump, ou mesmo iScReVeNu UnS tEsTu NuS bRóGuI.

As formas são várias, e assim, a maior parte dos espécimes conquista esse reconhecimento de algum jeito.

Agora vamos ao que interessa. Depois de estabelecidos os laços de ternura, eles começam a falhar, pois as pessoas são volúveis, instáveis e desequilibradas, principalmente VOCÊ, fracassado.

Para ser anti-social, basta tomar a força o afeto que é seu de direito, pois você o conquistou. Para isso, basta magoar todas as pessoas que lhe amam. Afinal, existe maior prova de amor do que quando essas pessoas lhe perdoam? Isso é mais doce que açaí com rapadura. É claro que você vai correr o risco de morrer sozinho e na amargura, né? Ou então no vazio infernal das relações superficiais... Mas e daí?! Você sempre terá como companhia a pessoa mais maravilhosa desse mundão, você!

Pronto, agora você sabe como ser anti-social, pra valer... E ainda existe o jeito óbvio. Se trancando em casa, comendo delivery, ficando na frente da TV ou do PC, lendo bróguis. Também ajuda. Doce estultícia...

 (O Manual do Fracasso continua...nos próximos, grandes reflexões sobre crueldade x piedade)



Escrito por Dublês de Poeta às 10h14
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Quizila.

“Uma relação que dure menos de três horas é medíocre", disse De Rose para mim.  Parei por aí a minha leitura. Já era o bastante.

Eu me achava uma besta-quadrada enquanto lia Mestre De Rose. Depois que li, virei uma espécie mutante de besta. Uma besta bípede encefálica. Um ser que se inferiorizou ao sobrenatural para se elevar. Que coisa linda eu virei. Quem não consegue imaginar, não tem pinto. Quem não tem pinto não entende essas coisas de quem tem pinto.

Após me elevar senti uma culpa cristã.



Escrito por Dublês de Poeta às 13h09
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Saudades do Alex

 

O Alex foi solto neste sábado. Alex foi meu primeiro amigo de infância. Converteu-se evangélico dentro da penitenciária. Agora já é pastor. Quando adolescente, virou bandido. Acabou sendo preso.

 

O Cássio fez o seguinte comentário: “Eu preferia o Alex bandido e solto. Como Pastor ele representa um maior perigo à sociedade, saudades do Alex”.

 

Hoje, quando eu passo na rua e trombo com o Alex, não sei o que faço. Fujo do seu olhar para não cumprimentá-lo.  E quando paro para conversar com meu primeiro e grande amigo da infância fico cheio de dissimulações.

 

O “Léco”, como eu o chamava, é todo recordações. Lembra de tudo. Das brincadeiras, das peladas, do colégio, enfim, daquela época de criança e adolescente.

 

Mas eu não sinto a menor vontade de relembrar com ele aqueles tempos. Por mais que eu tenha gostado muito daquela época.

 

O Alex passa mais uma vez e me cumprimenta: “Bom dia irmão, a paz do senhor”. Eu dou um sorriso sem graça, preconceituoso e hipócrita. Lembro da frase sincera do meu irmão: “Eu preferia o Alex bandido e solto. Como Pastor ele representa um maior perigo à sociedade”... e vou para casa, com medo de não sei o quê.



Escrito por Dublês de Poeta às 12h58
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Currículum Mortis

 

Jurei aqui mesmo neste blog, onde aqui e agora escrevo, com o recurso da “rebundância”, onde Caiozito tanto se apóia (menos pela estratégia linguística, e mais por sua poética amórfica), que pararia de jogar vídeo game se ele arrumasse um emprego descente. Vejam só os cinco últimos empregos dele. E seus respectivos salários mensais e demissões:

 

Assessor de ouvidoria do D.A (diretório acadêmico) do UNI-BH. 150 reais. (Ganhos em festas, calouradas, e viagens para o Rio de Janeiro). Saiu porque foi flagrado numa estratégia para tomar o poder no D.A, num golpe eletivo.

 

Vendedor de cartões das Lojas Marisa. (aquele com o slogan bisonho “de mulher para mulher, marisaaa”).  350 reais. No segundo dia de admissão, num sábado, ele faltou para ir ao estádio assistir Atlético e Náutico. Jogo válido pela segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

 

Auxiliar técnico da Net.  450 reais. Também no segundo dia de admissão foi mandado embora por justa-causa, motivo: furtou um modem do Virtua para fazer uma instalação não autorizada – vulgo “gato”- de banda larga em sua casa.              

 

Jornalista estagiário do PPS (Partido Popular Brasileiro). R$ 300,00. Rescindiu o contrato após o PPS ter negado seu projeto bisonho da Rádio PPS na Web.

 

Editor de uma gráfica evangélica. 350 reais. Foi demitido após tentar publicar, sem autorização, trechos deste blog.

 

Todos esses empregos num tempo recorde de aproximadamente um mês.

 

Depressivo, Caiozito foi procurar um psicólogo.  Eu o acompanhei até o consultório. Chegando lá, a auxiliar de consultório foi colhendo seus dados. Na hora que a moça, auxiliar de consultório, perguntou a ele qual era a sua profissão, ele respondeu um pouco hesitado: “blogueiro”. A moça volveu a cabeça, olhou para Caiozito e disse: “mas blogueiro não é profissão”. Caiozito, meditabundo, olhou para ela e retrucou: “minha filha, e auxiliar de consultório é profissão?”.

 

Cássio Túlio   



Escrito por Dublês de Poeta às 15h25
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Um aforismo carnívoro e um aforismo vegetariano - ambos para idiotas.

 

Os vegetarianos tinham que extrair seus dentes caninos, que para eles é só um apêndice. Isso sim seria subversivo. Um vegetariano com todos os dentes deveria ser visto como um herege.

 

O homem só come carne porque tem um cérebro mais "desenvolvido" e uma mente que nubla os instintos. E nesse caso, o que deveria ser chamado de apêndice, é o cérebro.



Escrito por Dublês de Poeta às 16h02
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Enquanto isso, em Porto Iguaçu – cidade turística da Argentina.

E. Marcarian.

Os quatro iletrados de esquerda para a direita (com trocadilho de jornalista de oposição): Evo Maria! (O cocaleiro), Chapolim Colorado (O anti-herói), Nestor Vitaminado (O Caloteiro), Luís Hilário da Silva (Sr. Da Silva).

“O Brasil errou ao escalar o Sr. Da Silva, podia ter entrado com o time reserva, já que Lula sofreu grandes desfalques políticos recentemente, e não podia se expor agora contra três tarados Latinos”, disse alguém, analista de alguma coisa. “O anti-herói da vez na América Latina é porta voz do Indígena Cocaleiro; "Chavez fica trocando cola de sapateiro por pó de cocaína”, disse um qualquer, tentando ser engraçado, especialista em nada.

Já o Sr Nestor, mediador da suruba, parece desolado com o que fizeram com Lula. “O Chavez é tão devasso, que foi expulso de uma suruba por mau comportamento” Disse alguém não muito confiável. “No final quem pagou o pato foi o sapo do Sr. Da Silva do Brasil”, completou. “O cierto é que Brazil precisa mucho del gás Boliviano, pero, la Bolívia, apoiada por Chavez, no precisa del petróleo brasileño”. Disse em portunhol, o doutor em palpite Arruda Ribeiro. Dando um tapinha nas costas do jornalista, soltando uma risada tuberculosa.

Correspondente do Dublês na Argentina.



Escrito por Dublês de Poeta às 09h05
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Quando eu crescer

 

Antes de ir para o meu confessionário, queria dizer que vou parar de fazer auto-entrevistas comigo mesmo. Deixar meus métodos lingüísticos caóticos para construção de títulos. Abdicarei também dos meus recursos de pleonasmo e dos neologismos constantes, o Millôr Fernandes faz isso tão bem, escreveria esse texto com muito mais despojamento e sarcasmo, cheio de recursos lingüísticos e com frases em latim no final. Sem falar das ilustrações robustas que dão o ar de chargista intelectual.  Mas quando eu crescer, prometo parar. 

 

.........................

 

Antes, queria fazer uma auto-entrevista comigo mesmo, como jogador de futebol, após um golaço pelo Atlético Mineiro na final da Copa do Mundo, Buenos Aires, em pleno Monumental de Nuñes, contra a Argentina, um golaço, é um sonho de criança:

 

- E aí, Caiozito, Galo Campeão, finalmente, e que golaço, hein?

- É lindo calar este Estádio. É mais prazeroso calar um estádio inteiro do que sacudir o Mineirão escutando a torcida gritando Gool. É indescritível. Eu corri ali perto do alambrado, depois que marquei o gol, olhei a cara de cada argentino, eles soluçavam, com aquele olhar maníaco de argentino, aquele silêncio ensurdecedor naquela carapuça argentina, é fúnebre, é lindo. 

- Esse foi Caio Campos, centroavante do Atlético - é com você Galvão.

 

........................

 

Agora sim, Era uma vez... Quando eu crescer quero escrever tão ruim quanto o Diogo Mainardi. Ter a altura do ego do Paulo Francis, escrever tão mal quanto ele, e ainda sim me achar o máximo. Cantar tão mal como o Raul Seixas. Ser tão brega como o Roberto Carlos. Escrever livros tão curtos, com palavras tão escassas como Manoel de Barros, e ainda ter coragem e cara de pau de publicá-los.

 

Quando eu crescer vou ser decretado (por decreto mesmo) intelectual por um velho qualquer da Academia Brasileira de Letras. Quando eu crescer, vou negar o decreto da Academia Brasileira de Letras e fundar a “Sociedade Iletrada de Letras de Blog Contra a Academia Brasileira de Letras”. Com um discurso inaugural na Praia de Copacabana, usando de palanque a escultura de pedra de Drummond, ali onde Copacabana é quase Ipanema, subindo na careca de Drummond. Ia fazer um discurso digno dos discursos históricos do Arco do Telles ou do Paço Imperial, porém muito mais porreta do que aqueles discursos de época. Ia citar alguns diálogos das cenas das peças de Bernard Shaw, ligeiramente modificados, com uma expressão em inglês a cada final de frase, como por exemplo: “é como peidar...  you know that...".  E depois eu digo “entende? I swear!". E continuo o discurso. Depois das citações alteradas, os Super-Poderosos, como os membros da “Sociedade Iletrada de Letras de Blog Contra a Academia Brasileira de Letras” seriam chamados, baterem palmas, todos de tanga Valisère, continuaria centrado nas modificações de Shaw para não dar cincada, e depois, na minha alteração, no meu plágio criativo, declamado como um algoz sirvente, aquele que me deixaria com a sensação melhor de que fui eu quem escrevera, com desdém de um autêntico egocêntrico, finalizaria o discurso: “To nem aí, should know better.”... com um nostálgico ocaso ao fundo da praia de Copacabana (ocaso é a palavra em português com a semântica poética mais em alemão que conheço), quando eu crescer...



Escrito por Dublês de Poeta às 18h53
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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