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Meu Poema de Amor
Uma oração nos lábios
São sábios o que imaginam
O que só as colombinas me ensinam
Minha invasão contorce suas entranhas
Tanto que estranha a minha distorção
Você grita inteira:
- Eu confesso...
Levanta, enlaça-me, quase íngreme, ela torna sentar-se.
Toda corpo, despida de alma.
Ela grita inteira:
- Eu confesso... Meu poema de amor...
Escrito por
Dublês de Poeta
às
20h23
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Manual do Fracasso
Introdução.
Fiquei muito lisonjeado com o convite para escrever no Dublês – que não foi o primeiro –, mas confesso que um tanto desconcertado. Afinal, não sou escritor, não tenho a menor prática, sou tímido e infante. Eu poderia enumerar um sem fim, mas o principal motivo é: não tenho nada a dizer para esse mundo.
O que acontece é que eu não tenho nada mesmo pra ensinar. E isso não se deve a minha juventude, muitas pessoas da minha idade já possuem várias histórias de sucesso pra contar. Minha vida, no entanto, tem sido uma sucessão de erros e fracassos, até então.
A partir daí (e da persistência de Caiozito), me veio a luz. Falarei do meu fracasso, pra que sirva de exemplo a não ser seguido. Ou a ser, você decide o que fará a partir dele . E que se dane. (Como diria o maior vilão das novelas globais: “Enforque-se na corda da liberdade”).
Meu povo, sendo assim, estréio no universo literal virtual pelo meu gênero preferido: auto-ajuda.
A essa altura, você já deve ter percebido o quanto isso vai ser chato. Não tenho a ÇAGASSEDADE de Caio, a presença de espírito de Cássio, nem o lirismo de Plínia. Eu preferiria que você interrompesse agora essa leitura. Se você for teimosinho e resolver continuar, não quero que você comente. Não ligo pra sua opinião. Aliás, já disse, e enfatizo: dane-se. Sinceramente. Ao menos permaneço coerente com a proposta original.
Vamos ao manual... Uma compilação de princípios, preceitos, dicas, exemplos, sei lá... não deve sair na ordem de importância. Estultícias...
Escrito por
Dublês de Poeta
às
10h16
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Aumente a baixa auto-estima
Em verdade, isso é um desdobramento de algo que poderia ser um tópico em si: a egotite. Isso mesmo, egotite. Com o sufixo “ite”, de doença, como em rinite, labirintite, dermatite, gastrite ou prostaglandite. Pois a “doença do ego” consiste em estar completamente voltado para a própria personalidade, a própria realidade e história pessoal, vulgo “umbigo”, em vez de ir em socorro daqueles que são infelizes, ou se unir aos que são felizes, para ir ao cinema, namorar, comer, enfim, curtir a vida... Ou apenas apreciar a majestade de uma árvore secular, a beleza de um canto de um passarinho ou o prazer de uma gostosa refeição. E melhor ainda, fazê-lo em atitude devocional, internamente à árvore, à ave e à comida, simplesmente por existirem. Mas sem crendices, por favor! Sem ter que tudo passar pelo crivo da existência de um Deus, ou uma força sobrenatural. As crendices são das coisas mais abomináveis na nossa espécie homo stultus. Bom, mas as crendices não são um fator imperativo para o fracasso. Dizem até que elas trabalham em prol do sucesso, dentro da psyché. Enfim...
A egotite, sem dúvida, produz inúmeros sintomas. Sobre a nossa amiga auto-estima, o desequilíbrio vem pelo excesso ou pela falta, dependendo do conceito que o enfermo possui de si. Seja ele bom, resultará no excesso. Se for ruim, surgirá a falta. Em todos os casos, o estulto vivencia ambos extremos, já que é um desequilibrado. A diferença é que tende-se para um dos lados, sempre.
Passa-se a maior parte do tempo na fossa. Compensa com fantasias de soberba e auto-glorificação. Com o tempo, afeta-se a realidade. Se passa a maior parte “em glória”, haverá momentos de intensa auto-destruição. O primeiro caso é típico dos depressivos, bêbados, poetas, românticos, vagabundos, etc. No segundo se encaixam os políticos e as celebridades.
Outro dia, conversando com o Léo, que me entregava a sua doação de roupas ao Rotary Club, a respeito da velha (quase morta) questão social. Ele me contou que trabalha como assessor de deputado, e que a vaidade impera em seu ambiente de trabalho: “Se você propuser a um desses politiqueiros pagar 100 mil reais pra fazer um discurso em seu lugar, ele não aceita, prefere aparecer”.
Por essas e outras, me atenho à baixa auto-estima. Não se pode dizer que esses caras que andam de jatinho e carro importado são fracassados. Mesmo que eles tenham lá seus momentos de auto-boicote (não tenho dúvida).
Já a falta de amor próprio (ironia, o homo stultus é perdidamente apaixonado por si, mas não se ama) produz um círculo vicioso, onde quanto mais se odeia, mais se fracassa, e mais se odeia. Ou seja, fracasso garantido e em alta velocidade, ou o seu dinheiro de volta.
Depois que resolvi participar do blog, comecei a planejar mentalmente esse manual (isso mesmo! toda merda que você está lendo foi planejada!). Numa reflexão sobre esse tópico, abstraindo, olhando uma nuvem e observando o prána (bioenergia sutil) no céu, como uma miríade de estrelinhas que se movimentam, pensei “Sou uma das pouquíssimas pessoas no planeta capazes de ver isso e ainda entender do que se trata. Muitas pessoas me invejariam... Mas o fato é que isso não tem a menor utilidade, e eu nem posso mostrar pros outros... é melhor eu nem mesmo contar, senão vão achar que sou louco!”. E ainda tenho outras paranormalidades. Mas afinal, todo mundo deve ter lá suas habilidades especiais.
Talvez a visão depressiva seja a mais realista. Ou então foi uma daquelas fantasias de soberba e glória.
Ah, vãs estultícias...
Escrito por
Dublês de Poeta
às
10h15
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Seja anti-social
Se você não é como o Tarzan, criado pelas feras. Ou como Matsyêndra, um peixe, que ao ter uma visão de Krshna, evoluiu até se tornar homem. Ou como seu discípulo que sempre o salvava das enrascadas, Gôraksha, que quando infante, foi resgatado por Shiva, de dentro dos excrementos de vaca. Ou como Adão, moldado do barro por um deus abstrato, mas cheio de personalidade tsc, tsc...
Mas sim, se você é como eu, que vim da porra mais um ovo, antes de ser arrastado pela menstruação, você já deve ter percebido que o homo stultus é um animal social.
E como bicho sociálvel, necessita de segurança advinda do reconhecimento e afeto de seus pares. O filhote da espécie, em situação normal, recebe uma cota praticamente infinita de afeto, de sua mãe. E ainda sem precisar dar absolutamente nada em troca (além de fraldas sujas de merda e gritos estridentes enlouquecedores). Isso acontece devido a uma artimanha da madrasta Natureza – erroneamente chamada de mãe -, que sacrifica a vida e o bem estar de qualquer quantidade de espécimes, para que a espécie seja preservada.
A fêmea primata, quando alcança a idade reprodutiva, passa o procurar por um parceiro do sexo oposto com um bom potencial para a reprodução. Os critérios da seleção são diversos e em sua maioria, processados no nível do inconsciente. Pois bem, quando o candidato é eleito, o cérebro da moçoila libera um hormônio chamado ocitocina, também conhecido como “o hormônio da paixão”. Ela então abrirá suas pernas ao mancebo, que prontamente deposita sua “semente”. Fecundação confirmada, o mesmo cérebro passa agora a produzir quantidades infinitamente maiores de ocitocina, que dessa vez é direcionada à prole. A liberação desse hormônio é, inclusive, estimulada pela amamentação. Isso aí, galera, é o amor das nossas mãezinhas.
Entretanto, depois de desenvolvida, a cria humanóide precisa conquistar o afeto alheio. Seja através de um rostinho bonito, uma atitude carismática, uns bundão, uns peitão, uma barriga tanquinho, uma caranga estribada, uma carteira recheadinha de din-din, tocando violão na roda, pulando de bungee jump, ou mesmo iScReVeNu UnS tEsTu NuS bRóGuI.
As formas são várias, e assim, a maior parte dos espécimes conquista esse reconhecimento de algum jeito.
Agora vamos ao que interessa. Depois de estabelecidos os laços de ternura, eles começam a falhar, pois as pessoas são volúveis, instáveis e desequilibradas, principalmente VOCÊ, fracassado.
Para ser anti-social, basta tomar a força o afeto que é seu de direito, pois você o conquistou. Para isso, basta magoar todas as pessoas que lhe amam. Afinal, existe maior prova de amor do que quando essas pessoas lhe perdoam? Isso é mais doce que açaí com rapadura. É claro que você vai correr o risco de morrer sozinho e na amargura, né? Ou então no vazio infernal das relações superficiais... Mas e daí?! Você sempre terá como companhia a pessoa mais maravilhosa desse mundão, você!
Pronto, agora você sabe como ser anti-social, pra valer... E ainda existe o jeito óbvio. Se trancando em casa, comendo delivery, ficando na frente da TV ou do PC, lendo bróguis. Também ajuda. Doce estultícia...
(O Manual do Fracasso continua...nos próximos, grandes reflexões sobre crueldade x piedade)
Escrito por
Dublês de Poeta
às
10h14
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Autores:
Caiocito Campos, sofista inventor de
teses obscuras e opinista esteta comportamental.
Plínia Campos, advogada que está
quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo. |
dublesdepoeta@yahoo.com.br
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