Elegia ao vagabundo
Não descubra a sua missão, se não o jogo acaba. Não tem graça esse lance de missão; propósito de vida. A vida não tem propósito nenhum. Isso é papinho de psicólogo, ou de quem pratica alguma tara oriental.
Essa conversinha de que é melhor fazer algo sem importância do que não fazer nada, é papo de vagabundo com consciência pesada. Feliz aquele que dorme; lindo, leve e solto. Pois quem dorme faz a hora, não espera controlarem o seu tempo. E virtude, para um dorminhoco, é sonhar que está dormindo. Dormir é agir, voltar a dormir é reagir. Aprenda isso.
Desconfie sempre; crer que não tem fé. O que você pensa sobre o que viu é mais importante do que o acontecido. Invente.
Aprenda a tumultuar o ambiente, desarmonizar, desequilibrar, polemizar, diferenciar. Nada tem importância mesmo. Quando algo passa a ter importância, logo perde a importância. Eis a sabedoria.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
00h39
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A imprensa não existe O medo não existe e O Papai Noel também não
Desde a Antigüidade Clássica, principalmente a partir do pensamento de Platão e do seu discípulo Aristóteles, é reconhecido que o Estado, independentemente do seu regime, exerce três funções essenciais: a legislativa, a judiciária e a executiva. A Ciência do Direito e a Ciência Política reconhecem que um dos pressupostos do Estado Democrático de Direito é a existência de três poderes independentes e harmônicos, sendo eles o Poder Legislativo, o Poder Judiciário e o Poder Executivo. A Constituição brasileira de 1988 adotou o princípio federativo como um dos suportes do nosso ordenamento jurídico e tal é a sua importância que o texto constitucional o relaciona entre os conteúdos classificados como cláusulas pétreas. Enfim, há três poderes no Brasil: Executivo, Legislativo e Judiciário. Muito se discutia se o Ministério Público seria o quarto poder, mas a Constituição o coloca como órgão independente.
Esclarecidas as dúvidas conceituais vamos ao que interessa. Não sou jornalista mas sei que a imprensa, muitas vezes, é mencionada como o quarto poder. Parece-me uma denominação equivocada apesar de sabermos o grande poder que a mídia exerce ocasionando grandes comoções sociais, principalmente quando apela para o amedrontamento da população. O medo é a melhor estratégia de controle social existente. Em razão do medo as populações se unem em prol de sua salvação e se comportam de maneira positiva (ou negativa) em conjunto. O crime organizado, o pastor, o DeRose, o pai, a mãe, o marido, a mulher, o Alex, o show da Xuxa, a polícia, o jornal, a globo... são todos poderes (poderosos?), depende de quem está analisando ordena-los hierarquicamente e decidir se estes entrarão ou não na lista. Tentei criar minha lista ordenada daquilo que realmente é PODER, até agora só o MEDO entrou, como número um.
Congresso Internacional do Medo, de Carlos Drummond
Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio, porque este não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. Depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
15h18
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