
"Não. ninguém é inocente. Eu acredito em heróis". Entrevista concedida por C. Campos
Para a Revista Canal-Km53 de Francis Nova. Uma nova maneira de se fazer auto-entrevista.
(...) Ckm53: Agora um pouco do triunfal Zaratustra, que você diz ser o maior dos livros. (Assim Falou Zaratustra).
Caiocito: Pois é, naquela época sim, o Nietzsche é muito sedutor, né? Ele cometeu o meu pecado predileto: a soberba. Mas esse livro é uma mistura de soberba e avareza. Esse livro é uma espécie de oitavo pecado capital. Eu acredito em heróis. Como o Nietzsche acreditava também, no heroísmo de Zaratustra.
Ckm 53: E “Quando Nietzsche Chorou”. Você foi ás lágrimas?
Caiocito: Eu não li aquele livro, eu fiz uma resenha imaginativa, como disse a voce anteriormente, não sou idealista, sou fantasialista. Eu imaginei como alguém escreveria algo assim sobre o Nietzsche. Ele sendo curado por Freud, depois chorando e tal. É tudo mentira, e eu deixo bem claro na minha crônica que eu nem sequer havia lido a orelha do livro. Eu li só o título e fiquei sabendo que tinha Freud no meio.
Ckm53: Este comando organizado do PCC, você acha que um ato heróico vai acabar com isso?
Caiocito: Veja, hoje detonam os Estados Unidos, poxa, eles foram soberbos e avarentos. - Eu vou chegar no PCC-. Os Estados Unidos foram soberbos tanto na época de sua independência como hoje em dia também. Quando isso passar, esse imperialismo americano, todos irão falar da soberba e da grandeza que foi aquilo. Como o Império Romano. Como Napoleão, levando em conta suas proporções. E o PCC está fazendo uma das maiores revoluções do Brasil, o PCC faz parte do povo brasileiro, é o povo brasileiro, é claro que existe exceção, mas hoje eles representam mais o que é uma nação indignada contra o Estado. Eu odeio gente que fica fazendo protesto com berros e cartazes. Tenho que dizer que a maior revolução que o Brasil presenciou, a mais organizada que já aconteceu no Brasil, é essa do PCC. Estamos vivendo um momento histórico muito importante, tanto nacional como mundial.
Ckm53: Este comando organizado não o aterroriza? Não sente a dor das pessoas inocentes que estão morrendo?
Caiocito: Não. Ninguém é inocente. E eu me sinto protegido fisicamente. Não é uma acomodação. Mas são as dores do parto.
Ckm53: A dor fantasiosa não é maior?
Caiocio: Quando eu era criança e pensava numa dor maior, eu pensava no inferno. Mas depois de sofrer algumas dores, tanto física quanto espiritual, eu percebi que até no inferno as coisas se acostumam. E dá para se viver com uma certa paz. De tanto sofrer, pensamos: “já que estamos no inferno, vamos fazer uma rebelião contra o capeta”, afinal, somos a maioria. (...)
Escrito por
Dublês de Poeta
às
15h08
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