Dublês de Poeta: O que você está fazendo agora?
Weisse Katze: Abri um blog que vai fazer parte de uma crítica ao Capitalismo. Vão ser publicadas sob o título de “Profissão e Sacerdócio”. São dois ensaios condensados em um só, “Juventude, ideologia e política”. Tem conexão, não tem?
DP: É poesia?
WK: sim, agora enveredando pela prosa, mas a poesia é sempre maior, por ela ir de encontro ao acaso. Mas de qual prosa estou falando? Porque isso consiste em dizer necessariamente que falaríamos da prosa poética. É melhor ser poeta do que escrever poesia.
DP: Viver como poeta?
WK: Mudar os panoramas, seduzir. Registrar isso no papel não é o objetivo central do poeta. O objetivo central do poeta é ser poeta. Aquela coisa: “Deus é um grito na rua”. A personalidade, poética, sabe o que é isso?
DP: Então por que escrever?
WK: Não sei. Isso marca, estigmatiza e pode até durar uma geração depois, seilá, bem depois.
DP: Quando li “Uma Cidade Meio-Nula”, do livro 4x4, lembrei de Menphis.
KW: Primeira coisa que veio na minha cabeça foi dizer Belô, mas, existem nulos. Outras coisas que me anulam. No fundo a cidade é você mesmo. É Menphis, no Egito. Não Menphis do Elvis, a original mesmo. E sabe o que tem de interessante lá? Nada. Nem conheço. É o nome mais bonito depois de Dublin. Você sabe que mesfisto é a voz do capitalismo, né?
DP: Mesmo você dizendo que não, tem muito humor no que escreve. Isso é uma forma de humor?
KW: Prefiro um tipo mais sutil de sarcasmo. Satiricon, Petrarca.
DP: Eu falo isso porque você é muito engraçado.
KW: eu acho ótimo, devo agradecer? (risos)
DP: Você é uma sátira de algo que eu desconheço o original. Sem um pouco de sátira não existe Vinícius de Moraes.
(Weisse Katze começa a recitar Vinícius, faz uma pausa para dizer que são 23 horas e 23minutos, e que isso era muito interessante, e volta a recitar Vinicius)
De repente do riso fez se o pranto / silencioso e brando com a bruma / das bocas unidas fez-se a espuma / e das mãos espalmadas fez o espanto / de repente da calma fez-se o vento...
WK: existe um Sarcasmo nisso, nos versos finais.
Fez se triste o que se fez amante /e de sozinho o que se fez contente.
Talvez fosse mesmo um sarcasmo recitar Vinícius as 23:23h. Mas sempre foi assim, como uma indecifrável festa pagã. E se é indecifrável e efêmera toda festa, é culpa do ser humano.