Respondendo no exílio, carta escrita a ele mesmo.
"Caiocito, você não tem culpa"
Não tenho culpa por ser eu mesmo? Claro que tenho. Só quero ser julgado pelas minhas leis. Se quis a soberba, que me condene com a miséria. Nada mais justo. E se o caso é a vida que eu vivi... Caiocito, não precisa se matar! Eles ficam em silêncio, não podem te sentir, não podem te chorar. E quando tanto me pedirem pra tocar meu paladar, Pouca aprovação teriam, Caiocito, pelo teu gosto, sinto te dizer. Porque não tenho o seu tato. E nunca terei o seu tempo. Nem ao menos no retrato. Caiocito encadernado!
Caiocito, como estava magro em teus versos. O azul dos teus olhos não coloriram seu inverno. O quanto fora brega trajado de poeta e vida O quanto fora míope, ao focar filosofia. Tal cinismo resenhando os afogados. Caiocito, e com tanto tempo para ensinar natação. Seu sorriso na gaveta. Tua alma na sala-de-estar. Esperando o quê, Caiocito? fumando na banheira! Caiocito alado, agora alagado, não se culpe!
Vocês vieram mais uma vez. obrigado por tanta honra! Desculpe a a embriagues, eu tenho que lhes dizer uma coisa Vocês, meus filhos, nunca tiveram talento pra vida.
"Caiocito, você não tem culpa."
Escrito por
Dublês de Poeta
às
11h36
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