Evangelho do Rivotril segundo um ex-comedor.

 

O Rivotril é um inibidor do desejo sexual, do apetite sexual. Ao invés do desejo, apetite animal de praticar sexo, você passa a ter vontade.



Escrito por Dublês de Poeta às 15h59
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Maria Helena

Apesar do nome, era jovem. Jovial com vida. Nos primeiros raios de luz ela viria, já me enlevava em sua voz, calma e maresia, na casa dos meus avós em Santos. Precisamente na Praia Grande, Baixada Santista. Saudosa Baixada, onde morreu minha avó, que foi a primeira a me chamar, com aquele sotaque castelheano de portuguesa, de Caiocito. E junto com a minha avó, alguns sonhos de infância se foram com ela.

Mas Maria Helena nunca me deixou abatido por isso. Maria Helena era um rosto cheio de lágrimas secas. Corpo na água salgada, as ondas quebrando da praia, e eu ali, tímido, Mariaheleniando. Horas e horas.

Certas pessoas escrevem para saber quem são. Escrevem seu nome na areia, ou o nome de Maria Helena. Algumas se drogam. Outras procuram Maria Helena. Insistem em Maria Helena - saber quem são - ou quem é Maria Helena

De tarde. Tarde da noite.

Maria Helena não é ninguém. Mas bate uma saudade...



Escrito por Dublês de Poeta às 17h35
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Depressão não é coisa de vagabundo

Na terceira semana de trabalho no escritório eu achei que estava curada. Mas a vida é uma caixinha de surpresas e eu entro em crise novamente. Aquela dor e aquele vazio se instalam, para piorar a temperatura cai e o dia fica chuvoso, faço duas besteiras relativamene graves no estágio e penso em morrer. Chego aqui e começo a ouvir JAZZ. rs. Ainda bem que eu tenho acesso ao blog, e isso  impede de me matar, meu ouvido de bossa nova, e minha quase alma poeta me negam o suicídio. Erros contornados, vida volta ao normal, tudo segue, menos eu. Eu paralizada, eu estacionada, eu triste, eu fraca...



Escrito por Dublês de Poeta às 17h21
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Contos Universitários (parte I)

Nas discussões sobre estética, o menino de olhos verdes e pele linfática, sempre tinha um aforismo arrebatador para comentar em cima das orientações do professor de filosofia. Discutia dentro de sala de aula que a Bossa-Nova não tinha conteúdo estético, fora apenas um modismo de época. Caiocito sempre ajeitava os óculos como vira Paulo Francis arrumando os seus, na capa de um livro. Era às vezes sempre muito imediatista, porque interpretava tudo que lia e tudo que via de uma forma intuitiva, poética e superficial. Nunca escondeu sua superficialidade com coisas supostamente sérias, nem tão pouco seu desejo em aprofundar assuntos infames sobre comportamento humano.Dizia que Vinícius de Moraes condenara a Bossa-Nova com suas letras medíocres de leitor e apreciador de Castro Alves. O professor de filosofia discordava, mas moderadamente, deixando que o aluno completasse o seu raciocício, e assim ia dando a ele mais argumentos. Toda defesa que o professor de filosofia exercia sobre a Bossa-Nova, era mais um motivo para aquele aluno infame e irritado criar uma crítica mais infame e irritada ainda.

Era um ator. Caiocito era um ator. Nas horas vagas, filósofo de si mesmo, gostava de falar dele para ele próprio. Destas conversas com ele mesmo, sempre surgia uma frase para se encaixar no desempenho dentro da sala de aula. Divagava sobre si a tal ponto que se distanciou tanto da vida a ponto que nem mais a morte o reconheceu. E era justamente aquela frase que ele usaria naquele dia.

Nunca deixou que ninguém percebesse isso, de modo que sabia que não o levariam a sério se descobrissem seus métodos. Antes de ir para a faculdade, ele repassava todo o texto em casa. Sabia de antemão a resposta que o professor daria àquela colocação sobre a Bossa-Nova. Sabia até quando os alunos se espantariam com a sua colocação, e até a hora que o professor interromperia a sua elucubração a respeito da Bossa, para acalmar os ânimos dos alunos. Reconhecia o minuto exato onde aquela aluno despeitada, gorda e rica, que falava inglês e francês fluentemente, o interromperia com uma histeria de quem discorda, mas não consegue argumentar. Nessa hora, a menina, que sempre colocava uma palavra estrangeira no final das suas frases, ao ser controlada pelo professor, quase agrediu Caiocito fisicamente. O professor com uma tese absurda e uma retórica exemplar, perdera completamente o foco da aula.

O sinal do intervalo soou, mesmo antes dos nervos seresm totalmente acalmados. o professor de filosofia, muito vaidoso, adorava ver a sua mesa rodeada pelas suas alunas, principalmente aquelas que se curvavam mostrando o decote avantajado, no ápice dos seus hormônios. Nesse dia não, não viu nenhuma aluna de busto bem dotado ao seu redor. Só aquela aluna despeitada , gorda e rica, que falava inglês e francês fluentemente e colocava uma palavra estrangeira no final de cada frase. O professor se sentiu incomodado. Até Samantha, com que já saíra, não veio cumprimentá-lo pela aula, pela desenvultura sedosa de sua performance ao lecionar. É claro que elas não pensavam desse jeito, nem Samantha nem Sabrina sabiam falar assim. Elas se aproximavam dele para perguntar se a prova de estética cairia algum texto de Ferreira Gullar ou coisa parecida. Era a forma com que elas tinham de se aproximar. Apenas Anderson, aluno gay não declarado, que sabia dizer coisas para o professor de um jeito que nenhuma garota era capaz.

Do outro lado da sala, Caiocito era rodeado, apalpado pelas meninas, apalpado de elogios cínicos. Não só as alunas que pouco tampavam os seios e muito empinavam os quadris, cercavam e o elogiavam. muitos alunos queria saber mais o que ele achava sobre outros estilos musicais. Até Juarez, que nada entendia de música, foi lá perguntar para Caiocito o que ele achava dos Concertos de Ópera do Parque Municipal. Caiocito tinha opinião para tudo, principalmente sobre coisas que nunca ouvira falar. Sem nenhum compromisso com a verdade, seus pontos de vista ficavam cada vez mais bonitos e atraentes. A aglomeração em cima de Caiocito só foi dispersa quando a gorda pediu licença para passar, dizendo baixinho para que todos escutassem, unimportant losers. Atrás da gorda vinha o professor, então tímido, assediado cada vez mais por Anderson, o aluno gay não declarado.



Escrito por Dublês de Poeta às 19h19
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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