Maria Helena
Apesar do nome, era jovem. Jovial com vida. Nos primeiros raios de luz ela viria, já me enlevava em sua voz, calma e maresia, na casa dos meus avós em Santos. Precisamente na Praia Grande, Baixada Santista. Saudosa Baixada, onde morreu minha avó, que foi a primeira a me chamar, com aquele sotaque castelheano de portuguesa, de Caiocito. E junto com a minha avó, alguns sonhos de infância se foram com ela.
Mas Maria Helena nunca me deixou abatido por isso. Maria Helena era um rosto cheio de lágrimas secas. Corpo na água salgada, as ondas quebrando da praia, e eu ali, tímido, Mariaheleniando. Horas e horas.
Certas pessoas escrevem para saber quem são. Escrevem seu nome na areia, ou o nome de Maria Helena. Algumas se drogam. Outras procuram Maria Helena. Insistem em Maria Helena - saber quem são - ou quem é Maria Helena
De tarde. Tarde da noite.
Maria Helena não é ninguém. Mas bate uma saudade...