Ensaiando uma expressão de "feliz ano novo pra você também!".

 

Andei ensaiando na tela do pc, uma cara de formal-habituado-patético. Franzi os cenhos tão oniricamente que formou-se contra a minha vontade uma franja nada modesta. O espanto foi tamanho que os meus cílios caíram no chão e os olhos se arregalaram como se tivesse brotado do espaço um chuvisco voador. Pressionei tanto os lábios um contra o outro que me ocorre agora que o sorriso que saíra deles era de alívio. Enruguei o queixo de modo que minha barbicha sorrisse também para a minha orelha. Passei uma semana até chegar a essa protuberância expressionista. Tudo isso para dizer “feliz-ano-novo pra você também!”, sem ficar com cara de my emoctions do messenger.

 

auto-retrato - caiocito



Escrito por Dublês de Poeta às 14h12
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Soneto da índia que chupou gelo pela primeir vez.

 

Moral é o juízo que sobra da penúria

Escondera teu quadro debaixo do giz

Desfecho o sentido de toda a lamúria

Contudo num riso desfez-se o que diz

 

No princípio era o verbo, antes a poesia

E o poeta aclamara: de que vale a palavra!

Depois qualquer enfeite ermo na sílaba

E o filósofo mais-valia aquilo que faltava

 

E a índia espantada: olhos-gelos derretia

De tudo que fôra dito, nada fôra de palavra

Mesmo quando descrente, ela descrevia..

 

Nada que fôra escrito,  fôra fora da palavra

Fusão é a mudança do sólido à poesia

Mesmo quando sentia, do mesmo não se fala

 

 

from...  



Escrito por Dublês de Poeta às 16h51
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Resenha sobre os resenhistas

 

Quem me dera eu fosse aquilo que faltava no mundo. Toda “resenha crítica imparcial” é puro embuste, pura embromação, do princípio ao fim, coisa de pé-rapado, brutamonte, técnico mediano, subalterniano. Se alguém escrever como um cavalheiro das letras, um aventureiro da palavra, que seduz a ingênua gramática dos gramáticos, que corrompe a pobre menina dos olhos dos teóricos.  Aquele que usa em suas frases, gorrinhos verdes, suspensórios cruzados coloridos. Que veste uma palavra com gibão de veludo, o que realmente vale a pena numa opinião. As palavras são espalhafatosas, vaidosas, ou precisam ser, no mínimo, exóticas, elas merecem. E aquele que a faz assim é de todo o merecimento que o ufanismo pode ostentar. Será digno de ser lido. Será um dia, digno de ser publicado. Será pago. Será arte sobre a arte.



Escrito por Dublês de Poeta às 11h58
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Sobre o filme “Turistas”

 

Enfim um filme de terror sobre o Brasil. Que comentário engraçadinho. O filme“Turistas” foi classificado como ficional, de muito terror e suspense. Tomei a iniciativa de colher opiniões de alguns brasileiros a respeito do filme. Alguns radicais dizem que é preconceituoso, que “apesar de acontecer não são corriqueiros os fatos”, disse o funcionário público da Embratur. O filme está com a sua estréia, aqui no Brasil, em janeiro “mas estamos estudando a possibilidade de banir o filme do país”, conclui o funcionário público. Outros mais sacanas gostaram da idéia de ver jovens americanos serem torturados e maltratados além de terem os seus orgãos roubados, “enfim a vingaça, a forra com esses gringos nojentos”, expeliu um jovem bolsista da periferia do recife. Esses mais do que sacanas são verdadeiramente patriotas, falo da turma da HVB (hipocrisia vanguardista brasileira), que analisa o que é bom e o que não é bom para Brasil.  Eles querem fazer uma campanha de boicote ao filme, “vamos espalhar cartazes, spans, tudo que for preciso para boicotar esse filme que deturpa a imagem do Brasil”, esbravejou o presidente da HVB Chico Gilberto Velloso.

 

“Num país onde vale tudo, tupo pode acontecer”, esse é um dos slogans do filme "Turistas". Mas a melhor frase do filme é sem dúvida essa aqui: "Pior que não saber onde se está, é saber que não vai sobreviver". E isso todo brasileiro sabe de cor. Dirigido por um tal de John Stockwell, autor de “Gostosas Loucuras” e que já atuou como ator em “Christine – O Carro Assassino” entre outras coisas pormenores trash que ele deve ter feito na vida. (Clique aqui para ver o trailler).

 

A repercussão são das mais idiotas, poria aqui algumas que encontrei no orkut ou de revistas especializadas, mas colocarei o comentário de uma revista fictícia-realista brasileira:  "A imagem do Brasil lá fora é a melhor possível. Mulheres brasileiras, vocês alimentam a nossa cultura, impulsionam o nosso turismo. Oh, índia, seus cabelos nos ombros caídos. Qual   arquitetura Brasileira,  obra de arte mulher brasileira, sua bunda, seu encanto. Oh, mulata da praça da sé. Oh, girl from Ipanema. Porque assim como vocês, a obra de arte nada precisa dizer, é fútil bela e superficial” - Da Revista “A arte de ser fantástico, brilhante e inrresponsável”.



Escrito por Dublês de Poeta às 11h51
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Le Chose Non-Dieu

 

Tenho sempre uma grande desconfiança quando me deparo com algum texto do Alexandre Soares Silva. Sou como Sêneca, comungo da mesma idéia de que “toda admiração é prejudicial ao espírito que admira”. Não é uma virtude de macho, de homem superior. Essa suspeita de que algo externo, extremamente excêntrico, irá abalar todo o meu conceito sobre Ego e sofisticação do pensamento, mesmo que abale para mais, me deixa com uma desconfiança mineira.

 

A Coisa Não-Deus não deve nada a nenhum grande romance de ficção brasileira contemporaneo. Julio Dapunt - personagem supostamente principal do livro -, estudante de letras da PUC, único espírito que não pode desfrutar do paraíso, por ser A Coisa Não-Deus, é um personagem quase desgraçado, que irá se cercar por diversos personagens angelicais hilários. Eu até tinha me preparado para escrever algo do tipo: “mas pelo menos o ASS se arriscou”, afinal de contas, alguém poderia escrever em blog - e escrever tão bem – e ao mesmo tempo escrever um livro - um livro tão bom? não é que sim! Estou fazendo observaçoes pobres e imediatistas, but who cares? I don’t. Ainda estou sobre o efeito de deslumbramento, o que ofusca e turva uma resenha mais crítica sobre o livro.

 

Mas não posso deixar de dizer que ASS é altamente descritivo e sucinto ao mesmo tempo. Que ele não perde tempo com definições viciadas e consegue descrever gestos semibreves com uma concisão literária sedutora completa de charme e de complexividade. No entanto, de um jeito tão caricatural, que só mesmo em paradisíaco entenderíamos. Ainda desconfio do sarcasmo cínico e sadismo crítico,  e da mais alta distração da sua narrativa desprendida. Todo o seu estilozinho, usando diminutivos como intensificador do discurso mimado das palavras e frases estrangeiras sem tradução e citações de autores e menções de livros que já não são mais citados e já não são mais mencionados, fazem do livro um clássico. 

 

E me diz agora você, depois de ler o livro, que graça teria escrever assim e não se pavonear? Que graça espiritual? Ser inteligente & requintado &  esnobe & sibarita e não ufanar-se. “A experiência me ensinou que pavonear-se é a atividade mais constante e mais característica de todos os espíritos que significam alguma coisa”. 



Escrito por Dublês de Poeta às 13h37
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Alguma pausa pra ser feliz

Entre uma petição e outra, idas ao Fórum, algumas frustrações, patadas, falta de educação e ética dos atendentes e dos chefes, há dias em que vou fazer pequenas tarefas em cidades do interior. Coisas que não exigem nenhuma atenção e que me faz concentrar toda a minha energia intelectual na paisagem. Fui em Jundiaí e Sorocaba. São cidades próximas a SP, porém o ritmo é outro. Por lá as pessoas te olham nos olhos e dão "bom dia", perguntam "como vai?", dizem "licença" e (pasmem) pedem "desculpa". É tão bom viver nesse mundo onde há um certo tempo para essas miúdezas que me causam grande felicidade. Ví pássaros, árvores, montanhas, até o céu (mesmo um pouco nublado) estava bonito. E na volta, ouvindo Chico, dentro do Cometa (o buzão), vi o pôr-do-sol e pensei: QUE BELEZA! O resto... bem, o resto não vale a pena.



Escrito por Dublês de Poeta às 17h03
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Caiocito dá a sua última  auto-entrevista ao Dublês. Mais uma forma de marketing? É a décima vez que ele dá a sua última auto-entrevista. O que interessa? Ele estava pronto para dizer algo, queria dizer, precisava dizer e... Antes de começar não deixou de brincar com meu nome: “Dagoberto, o importante é ter saúde”.

 

Reaparecendo para dizer que não aparecerá

 

Dagoberto: Então resolveu voltar?

 

Caiocito: Reapareci para dizer que desapareci. Não que eu pretendia ser visto, lido ou apreciado como uma aparição sedutora de sonhos eróticos adolescentes. Mas conheci uma bela anorexica, e o marido da minha amante é um militante de direita. Não gosta de roer o osso.

 

Dagoberto: Mas você não é de direita?

 

Caiocito: Sim, mas tem a direita de chifres, a de orelha de burro e de pata de porco. Eu sou da direita que mete o ferro em todo mundo.

 

Dagoberto: O motivo da aparição é mais uma vez para falar da esquerda?

 

Caiocito: Sois barbudos do meu pensamento, não me deixais quieto. Quis sair do meu reduto, também quero me divertir, ora bolas. E como o hábito de escrever é um vício, ainda que não acometido de ser um escriba viciado, reapareci. Não sei quando encaixar o verbo falar ou escrever, essas auto-entrevistas estão me deixando confuso.

 

Dagoberto: O que você anda sendo, lendo, falando, escrevendo...?

 

Caiocito: Tem muita gente viciada, lendo, sendo, falando e escrevendo coisas viciadas. A minha retina de íris verde está cansada disso, ela é uma sensível área de uma visão privilegiada - meu cortex visual. Porque eu tenho cortex visual, vocês tem zóios. Olho por cima para enxergar além, essa sempre foi minha brincadeira, dizer aos séquitos anões que o campo de visão aumenta quando se olha do alto.

 

Dagoberto: Você disse numa crônica que chegou tão perto da morte que ela não lhe reconheceu.

 

Caiocito: Eu vejo o pobre diabo bufão que virei, no sentido relegado desmotivacional. Ainda sim adoro viver nesse mundo cínico e charmoso. Não quero ser incluído nessa nova galeria catalogada de jovens homointelectus que está surgindo na internet vernácula via blog, podcast e youtube. Continuo escrevendo mal e roubando o tempo de vocês. Vesti um terno de casimira inglesa e uma calça de linho só para dizer isso. 

 

Dagoberto... Está passando por um momento de renovação?

 

Caiocito: Na verdade eu só entrei aqui para xingar alguém. Alguém que personifica alguma juventude de alguma época qualquer que passou ou pode vir a ser de esquerda, revolucionário. Certas palavras são tão viciadas que deveriam ser proibidas pelos homens letrados deste país. A pessoa tinha que pagar cinqüenta reais para ter o direito de dizer que é revolucionária. Doar 1 kilo de livros perecíveis de Marx, Proudhon e outras merdas. Quer ser vanguardista sabichão? Passa cinquentinha e um kilo de livros perecíveis de esqueda.

 

Dagoberto: Fale mais sobre essas pessoas viciadas.

 

Caiocito: Acho que esgotou a catarse de hoje. Quer saber. Não vou escrever mais, não serei dublê de poeta se o mundo ficar tão real e sério. Sou um não-poeta e me mantenho afastado, de modo a continuar na minha superioridade.

 

Dagoberto Avelino da Silva



Escrito por Dublês de Poeta às 15h57
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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