Alguma pausa pra ser feliz

Entre uma petição e outra, idas ao Fórum, algumas frustrações, patadas, falta de educação e ética dos atendentes e dos chefes, há dias em que vou fazer pequenas tarefas em cidades do interior. Coisas que não exigem nenhuma atenção e que me faz concentrar toda a minha energia intelectual na paisagem. Fui em Jundiaí e Sorocaba. São cidades próximas a SP, porém o ritmo é outro. Por lá as pessoas te olham nos olhos e dão "bom dia", perguntam "como vai?", dizem "licença" e (pasmem) pedem "desculpa". É tão bom viver nesse mundo onde há um certo tempo para essas miúdezas que me causam grande felicidade. Ví pássaros, árvores, montanhas, até o céu (mesmo um pouco nublado) estava bonito. E na volta, ouvindo Chico, dentro do Cometa (o buzão), vi o pôr-do-sol e pensei: QUE BELEZA! O resto... bem, o resto não vale a pena.



Escrito por Dublês de Poeta às 17h03
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Caiocito dá a sua última  auto-entrevista ao Dublês. Mais uma forma de marketing? É a décima vez que ele dá a sua última auto-entrevista. O que interessa? Ele estava pronto para dizer algo, queria dizer, precisava dizer e... Antes de começar não deixou de brincar com meu nome: “Dagoberto, o importante é ter saúde”.

 

Reaparecendo para dizer que não aparecerá

 

Dagoberto: Então resolveu voltar?

 

Caiocito: Reapareci para dizer que desapareci. Não que eu pretendia ser visto, lido ou apreciado como uma aparição sedutora de sonhos eróticos adolescentes. Mas conheci uma bela anorexica, e o marido da minha amante é um militante de direita. Não gosta de roer o osso.

 

Dagoberto: Mas você não é de direita?

 

Caiocito: Sim, mas tem a direita de chifres, a de orelha de burro e de pata de porco. Eu sou da direita que mete o ferro em todo mundo.

 

Dagoberto: O motivo da aparição é mais uma vez para falar da esquerda?

 

Caiocito: Sois barbudos do meu pensamento, não me deixais quieto. Quis sair do meu reduto, também quero me divertir, ora bolas. E como o hábito de escrever é um vício, ainda que não acometido de ser um escriba viciado, reapareci. Não sei quando encaixar o verbo falar ou escrever, essas auto-entrevistas estão me deixando confuso.

 

Dagoberto: O que você anda sendo, lendo, falando, escrevendo...?

 

Caiocito: Tem muita gente viciada, lendo, sendo, falando e escrevendo coisas viciadas. A minha retina de íris verde está cansada disso, ela é uma sensível área de uma visão privilegiada - meu cortex visual. Porque eu tenho cortex visual, vocês tem zóios. Olho por cima para enxergar além, essa sempre foi minha brincadeira, dizer aos séquitos anões que o campo de visão aumenta quando se olha do alto.

 

Dagoberto: Você disse numa crônica que chegou tão perto da morte que ela não lhe reconheceu.

 

Caiocito: Eu vejo o pobre diabo bufão que virei, no sentido relegado desmotivacional. Ainda sim adoro viver nesse mundo cínico e charmoso. Não quero ser incluído nessa nova galeria catalogada de jovens homointelectus que está surgindo na internet vernácula via blog, podcast e youtube. Continuo escrevendo mal e roubando o tempo de vocês. Vesti um terno de casimira inglesa e uma calça de linho só para dizer isso. 

 

Dagoberto... Está passando por um momento de renovação?

 

Caiocito: Na verdade eu só entrei aqui para xingar alguém. Alguém que personifica alguma juventude de alguma época qualquer que passou ou pode vir a ser de esquerda, revolucionário. Certas palavras são tão viciadas que deveriam ser proibidas pelos homens letrados deste país. A pessoa tinha que pagar cinqüenta reais para ter o direito de dizer que é revolucionária. Doar 1 kilo de livros perecíveis de Marx, Proudhon e outras merdas. Quer ser vanguardista sabichão? Passa cinquentinha e um kilo de livros perecíveis de esqueda.

 

Dagoberto: Fale mais sobre essas pessoas viciadas.

 

Caiocito: Acho que esgotou a catarse de hoje. Quer saber. Não vou escrever mais, não serei dublê de poeta se o mundo ficar tão real e sério. Sou um não-poeta e me mantenho afastado, de modo a continuar na minha superioridade.

 

Dagoberto Avelino da Silva



Escrito por Dublês de Poeta às 15h57
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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