Eu nunca fui formal

Mas me botaram um terno

Nunca sonhei com amor

Nem com o amor eterno

Passeio pela vida feito um vagabundo

Mas trago aqui no peito

a maior dor do mundo

AndréSol



Escrito por Dublês de Poeta às 19h55
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Anti-conselho presunçoso

Confie nos seus olhos, no seu discernimento nos seus critérios

 

Concentre-se em ver o mundo com seus próprios olhos e deixe-se influenciar minimamente pelas questões culturais, sociais, pelos conceitos preestabelecidos, pela ordem imposta e por tudo que os pais colocam na nossa cabeça. Abstraia essas baboseiras que cospem na TV, veja os fatos e tire suas próprias conclusões, não se deixe manipular, nem pro bem nem pro mal, seja autêntico e aprenda a observar. Se errar, pelo menos será verdadeiro. Afaste-se dos clichês, tente ver o mundo de outra forma. Dedique-se a beleza sutil das coisas e perceba que existem soluções para o mundo.  Estabeleça metas, comemore se conquistar, flexibilize o que não foi possível. Crie neologismos, invente seres imaginários. Melhore, piore, oscile, mas nunca fique estável. Equilíbrio é poesia da natureza, ela caçoa de nós.

 

Seja assexuado, (mas comungue com outros seres, desde que eles queiram!) não tente se enquadrar em um padrão feminino ideal, uma bolsa serve pra carregar algo e não para mostrar quem é melhor. As mulheres não são seres tão obscuros assim, isso é invenção poética. Homem e mulher são criações da nossa cultura e essa diferenciação de gêneros só nos torna mais ignorantes em relação ao outro. O outro é pessoa, independentemente de ser menino ou menina. Aceite o outro. Homens não são canalhas por serem do gênero masculino. Mulheres não são sensíveis por serem do gênero feminino. Observe a semelhança, repare a diferença. E faça como eu: seja incoerente. E indague sempre: O que nos torna únicos e o que nos iguala? A vontade, o próprio desejo.



Escrito por Dublês de Poeta às 17h51
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O que é PAC?

 

Um programa que vai tirar de onde não tem, para por onde não deve. O acrônimo PAC deve ser algum programa obsceno, baseado em obséquios libidinosos.  Veio-me na memória a abreviatura CU, que significa Cadastro Universal.

 

E me ocorre também algumas publicidades que o governo faria em cima dessa sigla: Quem tem CU vai a Roma. Você já renovou o seu CU? Sem CU você não arruma emprego. Um homem sem CU não vale nada. Não dê seu CU para ninguém. Perdeu seu CU, faça um novo CU.

 

O interessante é que os jornais não dizem o que a sigla significa. Percebi que a sigla tem um poder indescritível, com trocadilho acentuado. Você que tem o domínio de umas cinco siglas, tem uma preciosidade nas mãos. Sendo uma sigla do governo então. Não conte pra ninguém, troque siglas igual se troca figurinhas carimbadas, raras.

 

O Governo criou mais um programa de incentivo a cultura. Programa de Ação Cultural – que faz parte do pacote do PAC. Eu que sou um entusiasta quando o assunto é o “voluntariado para se criar homens-bombas para desruir o museu Louvre”. Agora me vêem com esse tal de PAC. Seja mais realista, Dom Caiocito, almejais coisas menores. Como fundar algum grupo terrorista e treinar manadas de jornalistas-bombas-mor para destruir o ministério da cultura.

 

Chega! Chega de investir dinheiro em projetos Bumba-Meu-Boi, Fundação de Capoeira e Festivais de Pagode na Praia. Saudades quando cultura era assistir ao coral  do coreto da praça, com as meninas do convento. Soltando aqueles decibéis doces de Villa-Lobos.



Escrito por Dublês de Poeta às 13h14
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Antes de opinar sobre alguma coisa, observe algumas etiquetas: (Parte II)

 

O ambiente.

 

Opine sobre comida se você estiver num restaurante de etiqueta, mas nunca na casa da sua tia ou na ceia de Natal (Para bom entendedor a dúvida que ficar no ar é genial). Examine a metáfora e (re)tire suas conclusões. Conclusão nunca se tem, nem depois da décima visita.

Opiniões em bares e outros espaços vulgares refuta sempre em se auto-incriminar. Qual é a reputação de alguém que senta em mesa de plástico e bebe em como lagoinha?

 

A Indumentária:

 

Boina, óculos de haste preta e grossa (geralmente da Pierre Cardin), camiseta regata ou com estampa de algum revolucionário ou personalidade, boné, bermuda, sandália franciscana ou tenis AllStar. Nunca opine sobre nada se você estiver trajando algum desses acessórios.

 

Receptores

 

A probabilidade de um estudante de ciências humanas entender a sua opinião é quase nula. Principalmente se ele fizer teatro. Se a pessoa for muito romântica e cursar letras, hum, já viu... lá vem merda, cuidado, se ela gostar de teatro então... é capaz que você vomite antes de emitir sua opinião.  Os engenheiros, advogados e médicos são as melhores classes, caso nenhum deles gostem de teatro, é claro.

 

Ética

 

Eu tenho um amigo que começou  discordar até mesmo do que ele achava certo.  Outro amigo meu só concordava com o que ele achava que estava errado. Mas o que eu quero dizer é que um opinista profissional nunca deve se preocupar com ética.

E nunca envolva sua família na sua opinião. E não dê exemplos na sua opinião, se não houver saída, faça algumas comparações ou generalizações, mas lembre-se (Para bom entendedor a dúvida que ficar no ar é genial).



Escrito por Dublês de Poeta às 11h18
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O Aberto

"Abrir o peito ao Aberto.

Aceitar o sol e a semente

aquietar-se

só pelo amor

de aquietar-se."

http://razaopoesia.zip.net/index.html



Escrito por Dublês de Poeta às 20h35
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Diálogo Fúnebre

- Morreu de que?

- De árvore.



Escrito por Dublês de Poeta às 19h46
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A estética da opinião (ou Ensaio sobre opinião - parte I)

 

A opinião precisa ser trabalhada, trabalhada bastante e depois jogada fora. Uma opinião muito trabalhada é um exame de consciência, e a consciência nunca deve ser examinada. A opinião é um momento de criação que necessita de algumas técnicas e exercícios; como uma propaganda de publicidade ou um desenho arquitetônico que nunca sairá do papel. Uma opinião perderá toda a sua estética se ela for posta em prática. O que está em questão numa opinião é sempre a sua estética. O opinista prático e retórico nunca vai ser lembrado - o máximo que ele almejará em termos memoriais e de ufanismo é, certamente, ser superado. Uma opinião superada não passa de um comentário idiota.

 

Não se deve julgar uma opinião pelo assunto. É sabido dizer que uma opinião pessoal - ou comportamental - pode ser mais interessante que uma opinião sobre política. Quando a opinião envolve as duas coisas ela torna-se mais completa. Quanto mais assuntos couberem numa opinião, melhor. A opinião tem que suscitar, proliferar e nunca esgotar o assunto. Certa vez entrei num blog e me deparei com o seguinte título: “O Alkimin é uma besta”. No caso de celebridades políticas, e através de um estudo profundo, cheguei ao conceito de que a opinião torna-se brilhante no meio de um debate político quando você chama alguém de besta.

 

A Polêmica é um dos recursos mais prolíferos que se tem idéia no campo da opinião. Ela é sempre controversa, é contra o que se vê, é o viés invertido da situação. Geralmente em polêmicas, a cólera e a excitação se elevam. Neste caso procure não se envolver emocionalmente com as palavras. Lembre-se da célebre frase do poeta: “eu não sou da minha opinião”. Você pode ser rude, grosseiro, mal educado, esnobe, preconceituoso, até mesmo indefeso e sensível, mas tudo não pode ultrapassar o verbo. A expressão física do bom opinista, ela é intacta.

 

Uma boa opinião engloba também outras série de fatores: ambiente, vestuário, receptores e ética. Não se deve opinar sobre um filme de Tarantino se você gosta de Tarantino. Não se deve opinar sobre filmes se você gosta deles. A sua opinião vai ser sempre uma adaptação menor ao seu gosto. E ter gosto é uma coisa, ter opinião é outra. Eu por exemplo nunca discutiria os personagens de Oscar Wilde usando All Star. É anti-estético. Também não dá para falar mal de um filme do almodóvar com a sua irmã, tão pouco xingar o Chico Buarque na frente da sua esposa. Você já imaginou ler uma HQ em quanto rodava um filme do Martin Scorsese? Nada contra, é um ponto de vista, eu preferiria ler o HQ vendo um filme do Almodóvar, por exemplo.



Escrito por Dublês de Poeta às 16h25
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Dissincronias dos Secos e Molhados

 

Acordei hoje mais cedo que a aurora e já fazia sol no Alasca. Para o meu espanto, depois de cinco minutos acordou o dia, espantado também, espantado comigo. Atrasado também estava o dia, atrasado comigo. É que ontem eu tinha levado o dia para o mal-caminho. Se hoje o dia lhe fizer algum mal, a culpa é toda minha. Mal lhes pergunto... o dia já chegou até aí?

 

O provérbio de hoje diz que o dia vai continuar chovendo: “beba a água da tua própria cisterna e das correntes do teu poço”. Sou bom interpretador bíblico. A revelação continua: “ele morrerá pela falta de disciplina, e , pela sua muita loucura, perdido, cambaleia”, Sexta-Feira é sempre assim, começa com muita água e termina perdidamente bêbada. Só o sertão é lúcido, os dias são sisudos. Lá o dia castiga.

 

Nunca precisei ler Guimarães Rosa para discordar que ele era um gênio. Nunca pensei que gênios se importavam com o sertão. Também nunca precisei ler Guimarães Rosa para saber que ele iria influenciar meu conceito de sertão. Sabe de uma coisa? NUNCA PRECISEI LER GUIMARÃES ROSA. Mais que uma confissão, isso é uma crítica “Paulo Franciseana as avessas”.  Não tem um provérbio millôreano que diz: “jornalismo é oposição, o resto é lavanderia de secos e molhados”?

 

Jornalismo - Coisa que andam inventando desde o tempo que nasci. E que andam inventando desde o tempo que nasceu o jornalismo. Eu digo que é coisa de poodle com síndrome de vira-lata. Para não dizer síndrome de dál. Erro ortográfico não caracteriza preconceito, só ignorância. Se o contrário fosse, o sertão todo devia ser processado? Isso foi só uma pergunta.

 

E o Jornalismo em si?, essa é uma eterna pergunta. O jornalismo militante grita: “olhai o povo”, mas o povo a quem ele se refere é o seu amigo - filho da amiga de sua mãe, que toca numa banda de bairro da Zona Sul -, filho de família burguesa. Filho desempregado da burguesia que vem pedir emprego na porta aberta dos descontentes. Onde sempre cabe mais um poodle. Apesar da porta estar sempre aberta, tem uma placa de todo tamanho cujo dizeres são: “Aceitamos Mulherzinhas”.

 

Mês Passado acabou juntinho com o ano passado. Mas a coincidência maior é que parece que fez duzentos anos que Manoel de Barros fez noventa. E a Revista Caros Amigos que, cheia de poodle disfarçado de vira-lata, publicou três entrevistas inéditas do poeta vanguardista-primitivo.

 

Hoje eu estou seco, nenhum dia-qualquer vai me molhar. O resto é nota de rodapé.



Escrito por Dublês de Poeta às 13h12
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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