Aderi as frases zombando delas. Mas ainda sou aquele blogueiro à moda antiga.

 Até.

Simplificar ao máximo até a ambição atingir a alma humana.

O pior disfarce do otário é a honestidade. ( até que digam a verdade)

Dar bazófia à palavra, jactância ao verbo, até apodrecer na boca dos humildes.

Admoestar o texto com eloqüente sofismo e sermão, até que ele ajoelhe e vire aforismo pagão.

Exercitar a prática do "lero-lero" até o verbo não precisar mais da ação do homem, fazendo do inútil o agradável.

 Serestar

Marca-passo. Marca rasgo de boca quando ela passa.

Foda é a vaca que dorme em pé e pasta sobre o sol quando não vai pro brejo.

Livres são as plantas. Eu estou preso em minha busca. (sem frutos ou raízes)

Poetas jurados e juras de amor. Mas a esperança não espera...

Letras de nossas músicas

Por quê chorar se tem o sol só pra você e o resto do dia para envelhecer?

Quando a festa acabar vou permanecer fantasiado e me proteger do que é sagrado.

Cidadão, tenho medo de roça e de sertão, a cidade é uma linda invenção.

Corpo ferido pelo desdém das indas e vindas do vai e vem.

 Deus

É inacreditável acreditar em Deus, mesmo que ele exista.

Ser ateu é, antes de tudo, envelhecer cedo demais.

Não tenho criatividade nenhuma para escrever sobre Deus. Deus é feio e gordo.

A coerência é a doutrina de quem nunca evolui.

Deus acabou de soltar um pum.



Escrito por Dublês de Poeta às 19h38
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O-CONTRA (Esse hífen dá mais lirismo e refutação à minha pessoa)

A minha hifenização é a ligação que faço para criar algo que separa. A contra-gosto, mais para o sentido do-contra do que do gosto.

O hífen é um traço de união e também de desuni-ão. Sentença que o meu juízo-vindouro, salvo do contrário variado, deu por-causa-de...

Não levo/tenho mea-culpa. Tenho/Levo contra-deus, tenho contra-o-mundo. A barra é/foi uma escolha sua, o hífen é uma escolha minha.

As coisas conspiram a favor do meu contra-mim.

Não tenho contra-cheque ou a-favor-cheque. Meu xeque-mate não é contra-o-rei, mas contra o tabuleiro inteiro. Não estou além-mar, nem aquém-mar, sou vice-versa. Não deito nas entre-linhas, estou em pé parado para o óbvio.

O mesmo hífem que liga, separa - o hífen, amigo meu, é uma invenção poética, mais que gramática. E olha, nem sou tão-poeta. Talvez-poeta.

Mas tão-poeta, não, nunca. Talvez tão-poeta-não eu seja sempre. Me ocorre agora que esqueci de hifenizar meu/nosso dublês-de-poeta.

Quando acordo, não lembro sobre o que sonhei - supondo que ainda sonho -, arco-íris, gira-sol, roda-gigante. Não lembro, tenho falta de imaginação-sonhadora. Acordo já sendo do-contra, oras.

Vocês não sabem como é acordar-sendo-do-contra . Não, não é um simples estado de consciência ou espírito, é mais simplório. É algo mais duro. Não é nada feito de ectoplasma ou fóton. É denso e nebuloso. Ser-do-contra não é uma escolha, nem um processo natural. É algo poético, brutamente poético. Porque a involução é a razão da poesia. Sou tão prático quando imagino que sou poético...

Mas antes de tudo, sou tão-contra, mais do que, as vezes, do-contra. Se alguém na história foi mais do-contra do que eu, ele foi por destino, algo sobrenatural - ou por outra retórica de baixo valor. No meu caso é diferente: eu vim de um processo, de uma matéria; por uma fagulha de razão no meu gene, meu pensamento se converteu contra-tudo. Não sou um erro biológico, nem uma experiência de Deus. Sou O-CONTRA, em pessoa. Prazer...

Vocês não imaginam o que é chegar para um homem, erguer a mão em seu ombro e dizer: "olá, eu sou o-contra", e rindo, uma risada sarcástica, de quem revelou um mal pelo simples fato de zombar, vou saindo de cena. E o homem, atônito, vira para seu colega e diz: "eu vi O-CONTRA", como quem vê Deus, ou vê o Diabo.



Escrito por Dublês de Poeta às 13h59
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Eu nunca fui formal

Mas me botaram um terno

Nunca sonhei com amor

Nem com o amor eterno

Passeio pela vida feito um vagabundo

Mas trago aqui no peito

a maior dor do mundo

AndréSol



Escrito por Dublês de Poeta às 19h55
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Anti-conselho presunçoso

Confie nos seus olhos, no seu discernimento nos seus critérios

 

Concentre-se em ver o mundo com seus próprios olhos e deixe-se influenciar minimamente pelas questões culturais, sociais, pelos conceitos preestabelecidos, pela ordem imposta e por tudo que os pais colocam na nossa cabeça. Abstraia essas baboseiras que cospem na TV, veja os fatos e tire suas próprias conclusões, não se deixe manipular, nem pro bem nem pro mal, seja autêntico e aprenda a observar. Se errar, pelo menos será verdadeiro. Afaste-se dos clichês, tente ver o mundo de outra forma. Dedique-se a beleza sutil das coisas e perceba que existem soluções para o mundo.  Estabeleça metas, comemore se conquistar, flexibilize o que não foi possível. Crie neologismos, invente seres imaginários. Melhore, piore, oscile, mas nunca fique estável. Equilíbrio é poesia da natureza, ela caçoa de nós.

 

Seja assexuado, (mas comungue com outros seres, desde que eles queiram!) não tente se enquadrar em um padrão feminino ideal, uma bolsa serve pra carregar algo e não para mostrar quem é melhor. As mulheres não são seres tão obscuros assim, isso é invenção poética. Homem e mulher são criações da nossa cultura e essa diferenciação de gêneros só nos torna mais ignorantes em relação ao outro. O outro é pessoa, independentemente de ser menino ou menina. Aceite o outro. Homens não são canalhas por serem do gênero masculino. Mulheres não são sensíveis por serem do gênero feminino. Observe a semelhança, repare a diferença. E faça como eu: seja incoerente. E indague sempre: O que nos torna únicos e o que nos iguala? A vontade, o próprio desejo.



Escrito por Dublês de Poeta às 17h51
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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