Treinando alôs mais felizes.

Sempre que toca meu telefone, atendo dizendo alô, mesmo sabendo quem está ligando. Outros métodos de atender nunca me agradaram. O tal pronto, por exemplo, me irrita demais, afinal, quem está pronto?

Passo parte da minha vida falando ao telefone, atendendo pessoas. O pior é que eu não falo quase nada, passo esses momentos ouvindo os interlocutores, que, na maioria dos casos, reclamam da vida, me pedem pra realizar alguma tarefa ou algum problema impossível.

De uns tempos pra cá, percebi que ao atender o celular sempre me perguntam: Você estava dormindo? Você está passando mal? Conclusão: estou treinando uma maneira de dizer alô de uma forma mais empolgante. Ser alegre, feliz e de bem com vida é uma exigência do mercado. No mundo corporativo a minha maior virtude, que é melancolia, não tem lugar.



Escrito por Dublês de Poeta às 19h51
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A estética da opinião. (parte III)

Estou tratando a "opinião" além da crença, credo em cruz, religião, opção sexual, dúvida ou convicção. A estética da opinião como arte, mais preocupada com a repercussão do que com o assunto. Onde o assunto em si serveria apenas de matéria prima para o início de uma opinião. De forma que todo conceito, tese ou argumento vire marionete nas mãos do opinista esteta.

O que é preciso para se emitir uma opinião? Eu diria que o senso de humor é elementar. Há quem diga que você precisa ser bastante erudito para abrir a boca para opinar sobre algo. "O que importa numa opinião é quem está falando, não o que está sendo dito", esse foi o comentário do instrutor de Yôga e comentarista oficial do blog, Rômulo Augusto (discordo dele, apesar de esteticamente eu tenha gostado bastante de sua opinião). Os cientistas e filósofos perguntam: o que é isso? Qual é o motivo disso? Porque isso aconteceu? Quem fez? Com quem? Para quê?, lead técnico e etc.

Mas seria impossível responder e manter o interlocutor atento, se não usarmos de analogias, metáforas, comparações e generalizações dentro de um formação estética. Tratando com humor algo supostamente sério, e tratar seriamente algo supostamente banal? O óbvio é tão recôndito e disfarçado que quando seu véu desvanece nós nos espantamos, e quanto mais olhamos para o óbvio mais obviedades aparecem. (a forma como eu me expresso é propositalmente caótica, serve como contexto, serve como pretexto).

A opinião que fez de Mestre DeRose o que ele é.

Pegando emprestado a opinião de Rômulo, para colocar Mestre DeRose na jogada. Mestre DeRose nunca se abstêve de opinar. E na sua primeira aula como professor de Yôga, procurou fazê-la de maneira diferente, ele disse: "aprendi sozinho. Isto é, ninguém está sozinho, quero dizer que foi brotando e fui fazendo", foi assim que ele descreveu sua primeira aula nos anos 60, no livro Mitos e Verdade. Ali ele já começava a dar seus primeiros pitacos. Ele ainda não era reconhecido. Mas sua opinião dissonante, aquilo que ele começava a formar sobre o assunto, iria mudar o conceito do Yôga. Porque era preciso convencer as pessoas com sua opinião, voto, idéia, etc... " regra áurea do magistério: dizer o óbvio e ainda repetir três vezes", enfatizou DeRose.

Mesmo que o Yôga, no meu caso, não me sirva para nada. Tão pouco entendo o que pretente o Yôga - tão pouco eu entendo o que pretente alguma filosofia -, reconheço a importância do bom humor de DeRose. Reconheço o seu discurso original. Mesmo quando começou a reestruturar o Yôga. Primeiro com a própria pronúncia - convenhamos que falar ou grafar ióga é anti-higiênico, anti-estético linguisticamente. Mestre DeRose foi prático a falar sobre essa filosofia aqui no Brasil - foi tão prático que quase expurgou os termos yóga ou ioga. Simplesmente porque achava feio. E quase expurgou também o termo espiritualismo, "Yôga é uma prece feita com o corpo", disse, o auto denominado Mestre . Não tiro a maestresa de DeRose

Não queira uma opinião se você não precisa dela

Com esse título formidável, tão perspicaz, eu transponho este parágrafo direto para a síntese. Primeiro afirmando que ter uma opinião é diferente de emitir uma opinião. Um opinista esteta sempre emite sua opinião, ele nunca a tem de fato. A possibilidade de uma opinião formada se confundir com o gosto é enorme. Caetano é um dos opinistas mais medonhos que eu conheço, ele disse uma vez que "ser pop é gostar das coisas", percebemos como ele foi coerente com a sua música, suas composições por osmose e seu raciocínio somático. Mas gostar das coisas desabilita você de opinar sobre elas, poderia ser esse o primeiro mandamento. Caso você queira ser um opinista esteta. Já disseram que as maiores opiniões vem sempre dos menores cérebros. É uma frase estúpida, que foi preciso dizê-la por um motivo puramente semântico. Porque não existe maior ou menor opinião. Existem opiniões feias e bonitas.

Reconheço a inteligência musical de Caetano e Tom Jobim. Mas quando eles abriam a boca eu sentia uma certa repulsa em ouvir suas músicas. E é assim com todas as pessoas que eu admiro no campo das artes. Até os escritores, que sabem lidar com a palavra, emitem opiniões tão feias que deformam o seu caráter e a sua literatura. Imaginem se Amadeus Mozart tivesse o espaço midiático que o caetano tem hoje? Por isso que defendo a estética da opinião, e quero elevá-la como arte. Seria a arte do cabresto, ou um campo minado onde as outras artes passariam. Iria ser preciso passar pelo crivo de uma opinista esteta para o cabresto ser solto, e o cavalo da arte depois de amestrado, podendo praticar hipismo sobre as estátuas históricas, com sua rédea bordada e sua sela sintética. Quem sabe assim montaríamos no cavalo da nossa civilização com mais beleza.



Escrito por Dublês de Poeta às 10h09
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Aderi as frases zombando delas. Mas ainda sou aquele blogueiro à moda antiga.

 Até.

Simplificar ao máximo até a ambição atingir a alma humana.

O pior disfarce do otário é a honestidade. ( até que digam a verdade)

Dar bazófia à palavra, jactância ao verbo, até apodrecer na boca dos humildes.

Admoestar o texto com eloqüente sofismo e sermão, até que ele ajoelhe e vire aforismo pagão.

Exercitar a prática do "lero-lero" até o verbo não precisar mais da ação do homem, fazendo do inútil o agradável.

 Serestar

Marca-passo. Marca rasgo de boca quando ela passa.

Foda é a vaca que dorme em pé e pasta sobre o sol quando não vai pro brejo.

Livres são as plantas. Eu estou preso em minha busca. (sem frutos ou raízes)

Poetas jurados e juras de amor. Mas a esperança não espera...

Letras de nossas músicas

Por quê chorar se tem o sol só pra você e o resto do dia para envelhecer?

Quando a festa acabar vou permanecer fantasiado e me proteger do que é sagrado.

Cidadão, tenho medo de roça e de sertão, a cidade é uma linda invenção.

Corpo ferido pelo desdém das indas e vindas do vai e vem.

 Deus

É inacreditável acreditar em Deus, mesmo que ele exista.

Ser ateu é, antes de tudo, envelhecer cedo demais.

Não tenho criatividade nenhuma para escrever sobre Deus. Deus é feio e gordo.

A coerência é a doutrina de quem nunca evolui.

Deus acabou de soltar um pum.



Escrito por Dublês de Poeta às 19h38
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O-CONTRA (Esse hífen dá mais lirismo e refutação à minha pessoa)

A minha hifenização é a ligação que faço para criar algo que separa. A contra-gosto, mais para o sentido do-contra do que do gosto.

O hífen é um traço de união e também de desuni-ão. Sentença que o meu juízo-vindouro, salvo do contrário variado, deu por-causa-de...

Não levo/tenho mea-culpa. Tenho/Levo contra-deus, tenho contra-o-mundo. A barra é/foi uma escolha sua, o hífen é uma escolha minha.

As coisas conspiram a favor do meu contra-mim.

Não tenho contra-cheque ou a-favor-cheque. Meu xeque-mate não é contra-o-rei, mas contra o tabuleiro inteiro. Não estou além-mar, nem aquém-mar, sou vice-versa. Não deito nas entre-linhas, estou em pé parado para o óbvio.

O mesmo hífem que liga, separa - o hífen, amigo meu, é uma invenção poética, mais que gramática. E olha, nem sou tão-poeta. Talvez-poeta.

Mas tão-poeta, não, nunca. Talvez tão-poeta-não eu seja sempre. Me ocorre agora que esqueci de hifenizar meu/nosso dublês-de-poeta.

Quando acordo, não lembro sobre o que sonhei - supondo que ainda sonho -, arco-íris, gira-sol, roda-gigante. Não lembro, tenho falta de imaginação-sonhadora. Acordo já sendo do-contra, oras.

Vocês não sabem como é acordar-sendo-do-contra . Não, não é um simples estado de consciência ou espírito, é mais simplório. É algo mais duro. Não é nada feito de ectoplasma ou fóton. É denso e nebuloso. Ser-do-contra não é uma escolha, nem um processo natural. É algo poético, brutamente poético. Porque a involução é a razão da poesia. Sou tão prático quando imagino que sou poético...

Mas antes de tudo, sou tão-contra, mais do que, as vezes, do-contra. Se alguém na história foi mais do-contra do que eu, ele foi por destino, algo sobrenatural - ou por outra retórica de baixo valor. No meu caso é diferente: eu vim de um processo, de uma matéria; por uma fagulha de razão no meu gene, meu pensamento se converteu contra-tudo. Não sou um erro biológico, nem uma experiência de Deus. Sou O-CONTRA, em pessoa. Prazer...

Vocês não imaginam o que é chegar para um homem, erguer a mão em seu ombro e dizer: "olá, eu sou o-contra", e rindo, uma risada sarcástica, de quem revelou um mal pelo simples fato de zombar, vou saindo de cena. E o homem, atônito, vira para seu colega e diz: "eu vi O-CONTRA", como quem vê Deus, ou vê o Diabo.



Escrito por Dublês de Poeta às 13h59
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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