Descrições sobre sexo.

Descrever o ato sexual é difícil. Há quem intercale sexo como necessidade com algo naturalista ou romântico. E há quem ache no sexo o segredo de todos nossos tormentos. Para mim sexo sempre foi uma simples sacanagem entre duas almas infantis. Sendo em conta a minha criação católica e meu desentendimento entre as nuances de pornografia e erotismo.

Eu seria incapaz de descrever uma cena de sexo - sendo minha ou não. Penso que seria algo como... "ela pediu uma, duas vezes, na terceira gritou: enfia o caano!". Até descrever, entre uma punheta e outra, a própria punheta: "ele cuspiu na mão e alisou seu world trade center. Em segundos derrubou o que a vagina impludiria." Foi caótico para você?

Agora alguém com mais talento, Henry Miller e suas experiências em Trópico de Câncer: "depois de mim, você pode receber garanhões, touros, carneiros, cisnes e São Bernardos. Pode enfiar pelo reto sapos, morcegos, lagartos". A semelhança entre Henry Miller e eu é o tamanho que queremos dar as nossas coisas.

Luiz Biajoni, autor de Sexo Anal, Uma Novela Marron, que você pode ler por pdf AQUI é rápido nas cenas de sexo. Sem insinuações, Biajoni vai direto ao reto. Não perde tempo com preliminares, ele pula capítulos pra gente. Nem precisamos ficar com peso na consciência de estar pulando páginas, dá para ler numa punheta só, se você não tiver ejaculação precoce. Biajoni percebeu, sabidamente, que o seu livro policial não ia dar em nada, e acrescentou uma pitadinha de sexo anal. Mas, justiça seja feita, não deixou nenhuma vez de ser engraçado em todas as 200 páginas do livro: "o cu é marrom, a merda é marrom, a imprensa é marrom e até a terra, pra onde a gente vai debaixo no fim, é marrom... e até você está nessa história por causa de toda essa merda!".

O que aconteceu também com João Ubaldo Ribeiro. Mas A Casa Dos Budas Ditosos é declaradamenre um livro para adolescentes com um rosto crescendo entre as espinhas. O Ubaldo não teve nenhuma outra pretensão senão de ser Norma Lúcia, amiga e conselheira sexual da protagonista do Romance. Ubaldo era Norma Lúcia, assim como Virgínia era Biajoni. Supondo que alguns especialistas em psicanálise achem que quanto mais machista é o homem, mais o seu lado feminino é piranho.

Na verdade eu acabei de ler Sexo Anal - Uma Novela Marron (cujo link está a cima, leiam, é bom). E me deu vontade de... de reler Trópico de Câncer do Miller, só isso. Me deu vontade de falar mal do Livro do Ubaldo, mas não tive talento, memória e nem tesão pra isso. Mas como disse a Xuxa um dia, e o que a Xuxa diz sempre modifica o meu lado de ver a vida: "o homem carrega fezes dentro de si" ...



Escrito por Dublês de Poeta às 14h21
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Treinando alôs mais felizes.

Sempre que toca meu telefone, atendo dizendo alô, mesmo sabendo quem está ligando. Outros métodos de atender nunca me agradaram. O tal pronto, por exemplo, me irrita demais, afinal, quem está pronto?

Passo parte da minha vida falando ao telefone, atendendo pessoas. O pior é que eu não falo quase nada, passo esses momentos ouvindo os interlocutores, que, na maioria dos casos, reclamam da vida, me pedem pra realizar alguma tarefa ou algum problema impossível.

De uns tempos pra cá, percebi que ao atender o celular sempre me perguntam: Você estava dormindo? Você está passando mal? Conclusão: estou treinando uma maneira de dizer alô de uma forma mais empolgante. Ser alegre, feliz e de bem com vida é uma exigência do mercado. No mundo corporativo a minha maior virtude, que é melancolia, não tem lugar.



Escrito por Dublês de Poeta às 19h51
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A estética da opinião. (parte III)

Estou tratando a "opinião" além da crença, credo em cruz, religião, opção sexual, dúvida ou convicção. A estética da opinião como arte, mais preocupada com a repercussão do que com o assunto. Onde o assunto em si serveria apenas de matéria prima para o início de uma opinião. De forma que todo conceito, tese ou argumento vire marionete nas mãos do opinista esteta.

O que é preciso para se emitir uma opinião? Eu diria que o senso de humor é elementar. Há quem diga que você precisa ser bastante erudito para abrir a boca para opinar sobre algo. "O que importa numa opinião é quem está falando, não o que está sendo dito", esse foi o comentário do instrutor de Yôga e comentarista oficial do blog, Rômulo Augusto (discordo dele, apesar de esteticamente eu tenha gostado bastante de sua opinião). Os cientistas e filósofos perguntam: o que é isso? Qual é o motivo disso? Porque isso aconteceu? Quem fez? Com quem? Para quê?, lead técnico e etc.

Mas seria impossível responder e manter o interlocutor atento, se não usarmos de analogias, metáforas, comparações e generalizações dentro de um formação estética. Tratando com humor algo supostamente sério, e tratar seriamente algo supostamente banal? O óbvio é tão recôndito e disfarçado que quando seu véu desvanece nós nos espantamos, e quanto mais olhamos para o óbvio mais obviedades aparecem. (a forma como eu me expresso é propositalmente caótica, serve como contexto, serve como pretexto).

A opinião que fez de Mestre DeRose o que ele é.

Pegando emprestado a opinião de Rômulo, para colocar Mestre DeRose na jogada. Mestre DeRose nunca se abstêve de opinar. E na sua primeira aula como professor de Yôga, procurou fazê-la de maneira diferente, ele disse: "aprendi sozinho. Isto é, ninguém está sozinho, quero dizer que foi brotando e fui fazendo", foi assim que ele descreveu sua primeira aula nos anos 60, no livro Mitos e Verdade. Ali ele já começava a dar seus primeiros pitacos. Ele ainda não era reconhecido. Mas sua opinião dissonante, aquilo que ele começava a formar sobre o assunto, iria mudar o conceito do Yôga. Porque era preciso convencer as pessoas com sua opinião, voto, idéia, etc... " regra áurea do magistério: dizer o óbvio e ainda repetir três vezes", enfatizou DeRose.

Mesmo que o Yôga, no meu caso, não me sirva para nada. Tão pouco entendo o que pretente o Yôga - tão pouco eu entendo o que pretente alguma filosofia -, reconheço a importância do bom humor de DeRose. Reconheço o seu discurso original. Mesmo quando começou a reestruturar o Yôga. Primeiro com a própria pronúncia - convenhamos que falar ou grafar ióga é anti-higiênico, anti-estético linguisticamente. Mestre DeRose foi prático a falar sobre essa filosofia aqui no Brasil - foi tão prático que quase expurgou os termos yóga ou ioga. Simplesmente porque achava feio. E quase expurgou também o termo espiritualismo, "Yôga é uma prece feita com o corpo", disse, o auto denominado Mestre . Não tiro a maestresa de DeRose

Não queira uma opinião se você não precisa dela

Com esse título formidável, tão perspicaz, eu transponho este parágrafo direto para a síntese. Primeiro afirmando que ter uma opinião é diferente de emitir uma opinião. Um opinista esteta sempre emite sua opinião, ele nunca a tem de fato. A possibilidade de uma opinião formada se confundir com o gosto é enorme. Caetano é um dos opinistas mais medonhos que eu conheço, ele disse uma vez que "ser pop é gostar das coisas", percebemos como ele foi coerente com a sua música, suas composições por osmose e seu raciocínio somático. Mas gostar das coisas desabilita você de opinar sobre elas, poderia ser esse o primeiro mandamento. Caso você queira ser um opinista esteta. Já disseram que as maiores opiniões vem sempre dos menores cérebros. É uma frase estúpida, que foi preciso dizê-la por um motivo puramente semântico. Porque não existe maior ou menor opinião. Existem opiniões feias e bonitas.

Reconheço a inteligência musical de Caetano e Tom Jobim. Mas quando eles abriam a boca eu sentia uma certa repulsa em ouvir suas músicas. E é assim com todas as pessoas que eu admiro no campo das artes. Até os escritores, que sabem lidar com a palavra, emitem opiniões tão feias que deformam o seu caráter e a sua literatura. Imaginem se Amadeus Mozart tivesse o espaço midiático que o caetano tem hoje? Por isso que defendo a estética da opinião, e quero elevá-la como arte. Seria a arte do cabresto, ou um campo minado onde as outras artes passariam. Iria ser preciso passar pelo crivo de uma opinista esteta para o cabresto ser solto, e o cavalo da arte depois de amestrado, podendo praticar hipismo sobre as estátuas históricas, com sua rédea bordada e sua sela sintética. Quem sabe assim montaríamos no cavalo da nossa civilização com mais beleza.



Escrito por Dublês de Poeta às 10h09
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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