A estética da opinião. (parte III)
Estou tratando a "opinião" além da crença, credo em cruz, religião, opção sexual, dúvida ou convicção. A estética da opinião como arte, mais preocupada com a repercussão do que com o assunto. Onde o assunto em si serveria apenas de matéria prima para o início de uma opinião. De forma que todo conceito, tese ou argumento vire marionete nas mãos do opinista esteta.
O que é preciso para se emitir uma opinião? Eu diria que o senso de humor é elementar. Há quem diga que você precisa ser bastante erudito para abrir a boca para opinar sobre algo. "O que importa numa opinião é quem está falando, não o que está sendo dito", esse foi o comentário do instrutor de Yôga e comentarista oficial do blog, Rômulo Augusto (discordo dele, apesar de esteticamente eu tenha gostado bastante de sua opinião). Os cientistas e filósofos perguntam: o que é isso? Qual é o motivo disso? Porque isso aconteceu? Quem fez? Com quem? Para quê?, lead técnico e etc.
Mas seria impossível responder e manter o interlocutor atento, se não usarmos de analogias, metáforas, comparações e generalizações dentro de um formação estética. Tratando com humor algo supostamente sério, e tratar seriamente algo supostamente banal? O óbvio é tão recôndito e disfarçado que quando seu véu desvanece nós nos espantamos, e quanto mais olhamos para o óbvio mais obviedades aparecem. (a forma como eu me expresso é propositalmente caótica, serve como contexto, serve como pretexto).
A opinião que fez de Mestre DeRose o que ele é.
Pegando emprestado a opinião de Rômulo, para colocar Mestre DeRose na jogada. Mestre DeRose nunca se abstêve de opinar. E na sua primeira aula como professor de Yôga, procurou fazê-la de maneira diferente, ele disse: "aprendi sozinho. Isto é, ninguém está sozinho, quero dizer que foi brotando e fui fazendo", foi assim que ele descreveu sua primeira aula nos anos 60, no livro Mitos e Verdade. Ali ele já começava a dar seus primeiros pitacos. Ele ainda não era reconhecido. Mas sua opinião dissonante, aquilo que ele começava a formar sobre o assunto, iria mudar o conceito do Yôga. Porque era preciso convencer as pessoas com sua opinião, voto, idéia, etc... " regra áurea do magistério: dizer o óbvio e ainda repetir três vezes", enfatizou DeRose.
Mesmo que o Yôga, no meu caso, não me sirva para nada. Tão pouco entendo o que pretente o Yôga - tão pouco eu entendo o que pretente alguma filosofia -, reconheço a importância do bom humor de DeRose. Reconheço o seu discurso original. Mesmo quando começou a reestruturar o Yôga. Primeiro com a própria pronúncia - convenhamos que falar ou grafar ióga é anti-higiênico, anti-estético linguisticamente. Mestre DeRose foi prático a falar sobre essa filosofia aqui no Brasil - foi tão prático que quase expurgou os termos yóga ou ioga. Simplesmente porque achava feio. E quase expurgou também o termo espiritualismo, "Yôga é uma prece feita com o corpo", disse, o auto denominado Mestre . Não tiro a maestresa de DeRose
Não queira uma opinião se você não precisa dela
Com esse título formidável, tão perspicaz, eu transponho este parágrafo direto para a síntese. Primeiro afirmando que ter uma opinião é diferente de emitir uma opinião. Um opinista esteta sempre emite sua opinião, ele nunca a tem de fato. A possibilidade de uma opinião formada se confundir com o gosto é enorme. Caetano é um dos opinistas mais medonhos que eu conheço, ele disse uma vez que "ser pop é gostar das coisas", percebemos como ele foi coerente com a sua música, suas composições por osmose e seu raciocínio somático. Mas gostar das coisas desabilita você de opinar sobre elas, poderia ser esse o primeiro mandamento. Caso você queira ser um opinista esteta. Já disseram que as maiores opiniões vem sempre dos menores cérebros. É uma frase estúpida, que foi preciso dizê-la por um motivo puramente semântico. Porque não existe maior ou menor opinião. Existem opiniões feias e bonitas.
Reconheço a inteligência musical de Caetano e Tom Jobim. Mas quando eles abriam a boca eu sentia uma certa repulsa em ouvir suas músicas. E é assim com todas as pessoas que eu admiro no campo das artes. Até os escritores, que sabem lidar com a palavra, emitem opiniões tão feias que deformam o seu caráter e a sua literatura. Imaginem se Amadeus Mozart tivesse o espaço midiático que o caetano tem hoje? Por isso que defendo a estética da opinião, e quero elevá-la como arte. Seria a arte do cabresto, ou um campo minado onde as outras artes passariam. Iria ser preciso passar pelo crivo de uma opinista esteta para o cabresto ser solto, e o cavalo da arte depois de amestrado, podendo praticar hipismo sobre as estátuas históricas, com sua rédea bordada e sua sela sintética. Quem sabe assim montaríamos no cavalo da nossa civilização com mais beleza.