Estrangeira
Olha a estrangeira. Possuidora de uma elegância abstrata. Do ponto de vista concreto, quase incerto, afirmo: ela permanece estática, insolúvel, firme. Olha a estrangeira, de olhar absorto prático, sim, sim! Existe alguma coisa de nobre e poderoso na praticidade. Ela usa o cartão de crédito do caixa rápido com uma habilidade fora da conduta feminina.
Ela só pode ser um personagem no feminino da essência (com o perdão do clichê) de um livro inglês do século passado, que um dia hei de escrever, sim, sim! Sua existência minimiza a mediocridade da vida. Não tenho nenhum dever em despi-la e, com isso, me cegar. A busca de qualquer coisa parecida, excessivamente bela e absorta, na própria vida ou coisa menor, conduz o pensamento ao vício, condena o olho apenas à visão.
Lá vem a estrangeira com os olhos apátricos, absortos em sua própria amnésia. Estrangeira, você não tem memória, como pereceria intácta, carregando no olho uma expressão atemporal? E são esses olhos, seu vestido, seu único destino. Apenas os olhos, absortos e amnésicos.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
17h46
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