Ontem eu não consegui dormir

 

Ontem, Bibi, eu não consegui dormir

O que você me prometeu com os olhos

Flertou com esse desastre:

 

Voulez - vous coucher avec moi ce soir.

Ce temps de coucher. Paroles moi.

Cela coule du ma source.

Je ne sais pas qui c´est coule

Ma Godiva, ma femme, mon amour.

 

Ontem, Bibi, eu não consegui dormir.

Teu excesso de clorofórmio entorpeceu os anjos.

Pensou que fosse rainha da marinha.

Dançou valsa sozinha, meu mambembe.

 

Ontem, Bibi, eu não consegui dormir.

Aonde a eternidade deixou o nome de Lefebvre.

Pede perdão, Bibi, meu loló, meu xilindró.

Você é bela Bibi, e isso não é pouco.

 

Ontem, Bibi, eu não consegui dormir.

Um insano sem situação para entender

Ou para discutir, pára Bibi, pára:

 

Voulez - vous coucher avec moi ce soir.

Ce temps de coucher. Paroles moi.

Cela coule du ma source.

Je ne sais pas qui c´est coule

Ma Godiva, femme mon amour.

 

Ontem, Bibi, eu não consegui dormir.

E uso as mãos carcomidas, vagabundas.

Mas você, com tanta boca sobrando nestes lábios.

Eu tenho andado tão papagaio mudo.

 

Ontem, Bibi, eu não consegui dormir.

Mas que lixo Bibi, toca uma música

E me tira para dançar.

Cansei de você Bibi. Cansei disso.

Essa merda que é fazer verso.

 

Ontem eu não consegui dormir.

A legenda subiu, mas o filme não acabou.

Eu espetando a pipoca doce.

Repicando: senta no meu colinho.

Mas, ontem, logo ontem, Bibi...

Eu não consegui dormir.

 

From Campos and Perez



Escrito por Dublês de Poeta às 20h12
[   ] [ envie esta mensagem ]




“Dar exemplos é rir da capacidade mental dos outros” - Plí

 

 

Esse diálogo com a Plínia aconteceu no sábado passado, via msn. Há tempos não conversávamos. Sempre assistíamos filmes juntos, saíamos para um fast-food, ou para caçar poesia, jogávamos Poker Texas, bebíamos e, pasmem, até assistíamos TV. Mas nunca conversamos nada sério. Nesse sábado não foi diferente.

 

Dublê de Poeta - Olá, podemos conversar? Adoraria um dia poder te entrevistar, Plínia.

Plínia - Sobre temas obscuros? Não sou boa em temas obscuros. Ser entrevistada é algo obscuro. Mas minha vida é obscura e isso que importa. Minha Vida, minha ida e minha volta. Vamos lá.

DP – Reparou que criou-se quase um ditado popular, onde as pessoas dizem que nada tem muita importância? Você dá importância para alguma coisa?

Plí - O mais aceitável possível. O Resto é senso de humor. Ah, dou bastante importância as cantadas non senses, acho bonitinho.

DP - Você é a única mulher bonita e inteligente que eu conheço, e ao mesmo tempo é advogada. Convenhamos, fazer direito e ser inteligente são coisas paradoxais, incompatíveis.

Plí - Bater e soprar é alguma técnica pra deixar a pessoa mais ou menos constrangida?

No caso, quem tinha que detonar o entrevistado, sou eu. Mas não tem graça denotar pessoas inferiores como os jornalistas.

DP - O que te atinge Plínia, algo que altere seu alter ego?

Plí - Eu ando preocupada, vou deixar de ser estudante e de freqüentar aulas. A sala de aula é o único ambiente protegido (relativamente) e controlado onde eu posso manifestar a minha genialidade, no mundo real ninguém vai dar a mínima.

DP - Tem uma certa ordem no mundo acadêmico.

Plí - Sim. As pessoas triviais não gostam, acham extremamente desinteressante a universidade, os professores e as regras acadêmicas. Elas não abstraem aquilo. É difícil você encontrar uma pessoa autodidata que seja inteligente. A maioria é fútil. Mas é que se criou uma idéia contrária a isso, que pode ser extremamente maléfica e mentirosa.

DP - Mas ainda falta algum senso de humor nas pessoas. O Mundo corporativo deu muita seriedade à elas.

Plí - Mas alguma seriedade é bom, não o tempo todo. Rir de si mesmo é bom quando há comparações.

DP - Historicamente as extravagâncias tinham um caráter mais ideológico, hoje tudo é cometido por um poderzinho ali, um cargozinho aqui. Não se pratica o prazer pelo prazer, parafraseando Théophile Gautier.

Plí - Não se fazem mais surubas como antigamente. Todo mundo anda tenso pelas ruas. Mas ainda existem casas de swing. Você afirma bastante pra um entrevistador.

DP - Prometo rever isso. O entrevistador sempre quer ouvir algo que consiga abstrair.

Plí - Sempre suspeitei que todo tipo de entrevista sempre existe um bem bolado, uma combinação por debaixo dos panos.

DP - Quando está fazendo algo, pensa no que pode causar constrangimento?

Plí - Eu prefiro conversar sobre a verdade, a verdade dos filósofos...

DP - Não acha que a verdade deles trouxe uma herança maldita para a nossa civilização. Nunca mais teremos pensadores como Kant, Nietzsche, Spinoza, Descartes, Marx, Deleuze, Aristóteles. Platões ainda teremos de monte. Mas vamos viver eternamente nessa ideogafia. 

Plí - Não entendi absolutamente nada do que disse... but, I love dead people. Eu, na verdade, gosto de todo tipo de intelectual: pensador, enganador, filósofo, escrevedor...

DP - Eu adoro quando você diz, "não tenho preconceitos literários", mesmo discordando disso.

Plí - Sim. Eu também sou contraditória como qualquer ser que pensa. E no fundo eu não admiro ninguém.

DP - Por isso não vale a pena ataca-los intelectualmente?

Plí - Eu não admiro biografias e estilos de vida, essas coisas. Mas claro que concordo que só vale a pena discutir sobre algo que tenha o mesmo nível intelectual que o seu.

DP- Eu admiro você.

Plí - Deve ser cultural, pelo fato de sermos irmãos. Isso pesa.

DP - Você sempre teve bom gosto nas suas escolhas ideológicas. Você foi a primeira da família, da geração de primos e irmãos a admitir sua posição de direita.

Plí - Tenho um comportamento de direita. Eu não entro na festa, mas não sou de moralizar. Mas eu não levo isso a sério, pelo contrário, creio que votar no Lula é uma manifestação genuína do bom humor.

DP - Você diz sempre que não tem preconceitos literários, mas e os musicais?

Plí - Sempre gostei de Jazz, Bossa Nova e alguma coisa que a MPB tem de triste... Eu sempre gostei de coisas que aguçassem minha melancolia.  Mas não é bom se definir.

DP - Sim, entendo. Não queria perguntar nada sobre direito, acho que você iria odiar. Mesmo que pudesse falar bastante sobre direito. Mas se quiser falar alguma coisa...

Plí - Eu poderia falar sobre direito, mas sobre um fato.  Sem exemplos. Na minha vida acadêmica, mais de 80% das aulas são baseadas no nada do exemplo, do esvaziamento do conceito em si. Eu sei que essa conversa é para o blog Dublês de Poeta. E por isso tenho que ser mais engraçadinha. Mas falando sério, eu não gosto de quem fica de caricatura com uma idéia. Dar exemplo é rir da capacidade mental dos outros.



Escrito por Dublês de Poeta às 14h42
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
Histórico
   03/08/2008 a 09/08/2008
   27/07/2008 a 02/08/2008
   20/07/2008 a 26/07/2008
   06/07/2008 a 12/07/2008
   29/06/2008 a 05/07/2008
   22/06/2008 a 28/06/2008
   08/06/2008 a 14/06/2008
   01/06/2008 a 07/06/2008
   25/05/2008 a 31/05/2008
   18/05/2008 a 24/05/2008
   11/05/2008 a 17/05/2008
   20/04/2008 a 26/04/2008
   13/04/2008 a 19/04/2008
   06/04/2008 a 12/04/2008
   30/03/2008 a 05/04/2008
   23/03/2008 a 29/03/2008
   16/03/2008 a 22/03/2008
   09/03/2008 a 15/03/2008
   02/03/2008 a 08/03/2008
   17/02/2008 a 23/02/2008
   10/02/2008 a 16/02/2008
   03/02/2008 a 09/02/2008
   27/01/2008 a 02/02/2008
   20/01/2008 a 26/01/2008
   13/01/2008 a 19/01/2008
   06/01/2008 a 12/01/2008
   30/12/2007 a 05/01/2008
   23/12/2007 a 29/12/2007
   16/12/2007 a 22/12/2007
   09/12/2007 a 15/12/2007
   02/12/2007 a 08/12/2007
   11/11/2007 a 17/11/2007
   04/11/2007 a 10/11/2007
   21/10/2007 a 27/10/2007
   14/10/2007 a 20/10/2007
   30/09/2007 a 06/10/2007
   12/08/2007 a 18/08/2007
   29/07/2007 a 04/08/2007
   15/07/2007 a 21/07/2007
   27/05/2007 a 02/06/2007
   06/05/2007 a 12/05/2007
   08/04/2007 a 14/04/2007
   11/03/2007 a 17/03/2007
   04/03/2007 a 10/03/2007
   25/02/2007 a 03/03/2007
   28/01/2007 a 03/02/2007
   21/01/2007 a 27/01/2007
   31/12/2006 a 06/01/2007
   24/12/2006 a 30/12/2006
   17/12/2006 a 23/12/2006
   10/12/2006 a 16/12/2006
   03/12/2006 a 09/12/2006
   29/10/2006 a 04/11/2006
   22/10/2006 a 28/10/2006
   15/10/2006 a 21/10/2006
   01/10/2006 a 07/10/2006
   24/09/2006 a 30/09/2006
   10/09/2006 a 16/09/2006
   03/09/2006 a 09/09/2006
   27/08/2006 a 02/09/2006
   20/08/2006 a 26/08/2006
   13/08/2006 a 19/08/2006
   06/08/2006 a 12/08/2006
   23/07/2006 a 29/07/2006
   16/07/2006 a 22/07/2006
   18/06/2006 a 24/06/2006
   11/06/2006 a 17/06/2006
   04/06/2006 a 10/06/2006
   28/05/2006 a 03/06/2006
   21/05/2006 a 27/05/2006
   14/05/2006 a 20/05/2006
   07/05/2006 a 13/05/2006
   30/04/2006 a 06/05/2006
   23/04/2006 a 29/04/2006
   16/04/2006 a 22/04/2006
   26/03/2006 a 01/04/2006
   12/03/2006 a 18/03/2006
   05/03/2006 a 11/03/2006
   19/02/2006 a 25/02/2006
   12/02/2006 a 18/02/2006
   05/02/2006 a 11/02/2006
   29/01/2006 a 04/02/2006
   01/01/2006 a 07/01/2006
   25/12/2005 a 31/12/2005
   11/12/2005 a 17/12/2005
   04/12/2005 a 10/12/2005
   27/11/2005 a 03/12/2005
   20/11/2005 a 26/11/2005
   13/11/2005 a 19/11/2005
   06/11/2005 a 12/11/2005
   30/10/2005 a 05/11/2005
   23/10/2005 a 29/10/2005
   16/10/2005 a 22/10/2005
   09/10/2005 a 15/10/2005
   02/10/2005 a 08/10/2005
   25/09/2005 a 01/10/2005
   18/09/2005 a 24/09/2005
   11/09/2005 a 17/09/2005
   04/09/2005 a 10/09/2005
   28/08/2005 a 03/09/2005
   21/08/2005 a 27/08/2005
   14/08/2005 a 20/08/2005
   07/08/2005 a 13/08/2005
   31/07/2005 a 06/08/2005
   24/07/2005 a 30/07/2005
   17/07/2005 a 23/07/2005
   10/07/2005 a 16/07/2005
   19/06/2005 a 25/06/2005
   12/06/2005 a 18/06/2005
   05/06/2005 a 11/06/2005
   22/05/2005 a 28/05/2005
   15/05/2005 a 21/05/2005
   08/05/2005 a 14/05/2005
   01/05/2005 a 07/05/2005
   24/04/2005 a 30/04/2005
   17/04/2005 a 23/04/2005


Outros sites
   Observatório da Imprensa
   Flickr de Patricia Caetano
   Making off
   FOLHA DE SÃO PAULO
   O GLOBO
   El País
   ESTADÃO
   ESTADO DE MINAS
   E Deus criou a Mulher
   Jornal Argentino
   Le Monde
   Alexandre Soares Silva
   Altino Machado
   Sapo.pt
   Blog da Drica
   O Espírito da Coisa
   Pensar Enlouquece
   Papagaio Mudo
   Razão Poesia
   TV Enxame
   Apostos
   saramar
   Puragoiaba
   Youtube
   Guilhermeza
   Apenas ser
   Sententia
   Liberté
   Ótimas mentiras
   Vale9Conto
   Veriana - acreando
   Crisblogando
   dublês de poeta (lado b)
Votação
  Dê uma nota para meu blog