Le Nom Son
Ela tocou os lábios dele e percebeu que tinha a mesma temperatura que os seus. Sua íris ia mudando de cor, como o céu a fechar em nuvens negras, era sua lente que tinha caído no chão. Perdia ali dois graus de astigmatismo, nem por isso deixou de enxergar qualquer coisa de secreto que a brisa gélida daquela noite desatenta oferecia. Alguma coisa de distante e repleto. Chovia, e o frio da chuva prolonga ainda mais a noite, mais que o próprio frio do inverno.
Então ele cantou Charles Trenet até que o lusco-fusco de la mer invadisse os olhos dela. Resenhou trechos de sua vida bem ali na Praça da Liberdade, ofereceu pontos de vista sobre Bertolucci e Woody Allen sem nada em troca, além da imaginação de vê-la nua. Ele a via sem que ela pudesse imaginar, embora ela imaginasse o mesmo.

A partir daquele dia ela comprou lentes azuis, pulou de bungee jump, bebeu vinho com chuva, tomou banho de porta aberta, fez tatuagem daquela flor que ela não sabia o nome. Publicou seus versos em um blog, fez curso de francês e teatro e trancou a faculdade de comunicação. Foi ao Cartório mudar de nome. Fez depilação a laser e topless na praia. Certa noite se jogou na frente do metrô perto da Estação Lagoinha, arrependida de não ter dado pra ele aquela noite.

Escrito por
Dublês de Poeta
às
21h30
[
]
[ envie
esta mensagem ]
|
O poeta é uma coisa que a sociedade criou para fazer o hímen chorar. Essa dor é um planta e não colhe... planta e não colhe. A dor é saber esquecer como se fala desabrochar do alvorecer sem praguejar por isso. Psicanalista amigo é aquele que não lembra o nosso nome. O mesmo para namorada fiel. Vício, frio e soluço não são sintomas psicológicos (nem físicos), são apenas o vício, o frio e o soluço...
Escrito por
Dublês de Poeta
às
14h46
[
]
[ envie
esta mensagem ]
|