Verde
Escrevi uma casinha morena tal qual cor de neblina com telhas escarlates no alto da colina. Porque lá mora o vento que vai bagunçar seu talento. E quando leres o conto da casinha morena, com os olhos tão presos no canto, igual criança pequena, sinta-se apenas. E você vem e me pede um poema. Mas não se prenda ao acaso, caso eu saia de casa no primeiro torpor.
E como um nódulo no peito sairá tal poema de amor. Mas veja que coincidência, o tempo fechou. Pudera, desconfiada saliência, a casa pequena inclinou. Será que foram as tempestades inebriantes, ou a falta de agouro de asa veloz que deixou o ar fresco como o vinho, daquela adega que cabia só nós dois? Que desfez o sentido num vestido vermelho e calou a preguiça num beijo arteiro, traiçoeiro que me desmanchou.
E o que agora eu peço com o tom inverso, deixa que o resto vem num ensejo ou numa premissa de batom. Mas por favor, não fique na casinha morena, pois ela não é sua, ela não é de ninguém.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
20h45
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