Porque Ontem Foi Sexta-Feira 13
Ontem à noite um espírito obsessor, uma dessas almas penadas, um miasma astral, enfim, me convidou para sair. Não foi a Paulinha. Embora ela beijasse bem, e se você quiser ser o primeiro a beijar a Paulinha num dia, você tem que beijá-la logo de manhã cedo, quando ela acorda.
Então eu vagava pelas ruas escuras da cidade na companhia de uma alma das trevas, vestindo um sapato de couro, uma camisa social de mangas longas cor de talher, jeans, meu supracitado cachecol mágico e outras pequenas descrições. O espírito sem luz estava vestido pateticamente habitual mesmo. Apesar de estar ali e daquele jeito, não senti medo nem vontade de comer pizza, e dizem que a sensação da falta de medo é terrível, mas sempre achei boato.
Paramos num lugar sem cor e ficamos vendo bonitinhos que fazem rir que estavam fixados nas paredes de um supermercado e no decote das namoradas. O espírito obsessor olhou pra mim e disse, “tenho que ir para a sua casa e me esconder debaixo da sua cama ou dentro do seu armário, bú”. Eu pensei que não teria problema. Já estava amanhecendo, e aquelas coisas todas que acontecem num dia quando ele amanhece: expressões poéticas, delírios filosóficos, espanto, coceira no nariz e ereções involuntárias. O espírito obsessor ainda me ofereceu um pouco de sexo fácil e de graça. E eu juro que não era a Paulinha.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
22h37
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Mas arte é besteira mesmo.
Qual o significado de fazer arte senão o de destruí-la? E se Nietzsche afirmou a morte de Deus, Duchamp propôs a morte da arte. Nunca fui educado para arte, de maneira que se perguntarem para um ignorante musical qual é o melhor músico do mundo, talvez ele responda: John Cage. A mesma idéia eu teria para o maior artista plástico do mundo: Marcel Duchamp.
Editei esse vídeo para um trabalho de faculdade, depois de uma apresentação sobre arte conceitual. Juntei algumas imagens das obras mais famosas de Marcel Duchamp ilustradas em vídeo, mesclada com o “Anemic Cinema”, que mostra desenhos esféricos, uma produção cinematográfica de 1926, do próprio Duchamp. O vídeo começa com a imagem de um Nu descendant un Escalier, (sem legenda, pela obviedade) referente a famosa obra pictória cubista de Marcel. O vídeo acaba com La Source. A trilha sonora é da banda Hurtmold.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
00h51
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Cansei de ser sexy, mas:
Ainda deixo tua boca em pane com meu beijo high tech.
E quando esfria:
Sou do tipo que usa olhos verdes, cachecol e metonímia.
Fuso horário brasileiro:
Olhei para o relógio e restava um grau para ir embora minha moral.
Vanguardismo de ceroilas:
Ainda uso colar fotos de mulheres nuas no meu guarda-roupa.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
22h52
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