A poesia te despreza, homem comum.
Por que a poesia nao é oferecida num curso superior? Porque a poesia não tem importância nenhuma. Numa opinião imediatista, tendemos a discordar ou concordar radicalmente de afirmativas como essas. Mas se pararmos para pensar, se não for a melhor, certamente é a frase que mais define o verdadeiro sentido da poesia. Já imaginou, no mundo corporativista em que vivemos, citarmos uma poesia numa entrevista de emprego quando questionados sobre “qual o motivo de escolher você em vez dos outros canditados?”, e você responderia, “porque vejo a vida como nuvens que vão e vem, e acho que tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Nem tente.
Certa vez o poeta Paulo Leminski disse que a poesia é um inutensílio, e que “a única razão de ser da poesia é que ela faz parte daquelas coisas inúteis da vida”. Como podemos ensinar então o significado e o valor da poesia, se ela não precisa de teoria e justificativa, nem muito menos de conteúdo, pois ela é a própria razão de ser da vida. Se você quer conhecer o injustificável, o inexplicável da poesia, leia ou declame um verso de Drummond, Mario Quintana ou Fernando Pessoa, só para ficar na literatura de língua portuguesa. Se o caso for explicar alguma poesia, fique calado ou exiba uma folha em branco.
Hoje o termo poeta é um adjetivo pejorativo. Um fugitivo do mundo real, um sujeito excluído dentro do sistema atual e etc. Sabe qual o papel de um poeta na sociedade? O papel higiênico. Veja o vídeo abaixo sobre a matéria da Literatura no papel higiênico , do Jornal Nacional da Rede Globo.
Onde se encontra o jornalismo crítico, que deixa passar matérias como estas sem expressar qualquer tipo de opinião? Uma coisa é ser imparcial, outra coisa é ser passional.
O Poeta e o jornalista.
Por que os jornalistas gostam tanto de entrevistar o autor da obra? Por que ele não se interroga a respeito da obra em si? Vendo ainda mais barato minha opinião: por que ele não lê a obra, pelo menos? Outro dia expuseram o poeta Manoel de Barros, no alto dos seus 90 anos, numa entrevista. Manoel de Barros, que nunca gostou de entrevistas, por não se expressar bem na linguagem falada, foi ridicularizado por uma equipe de jornalistas que mais parecia uma equipe de um fã-clube, capaz de mostrar o último papel higiênico que o poeta usou naquele dia. Como se fosse algum mérito exibir alguma fragilidade ou intimidade do artista, querendo humanizá-lo ou mostrá-lo como uma pessoa comum.
Os artistas não são pessoas comuns. Eles não são pessoas comuns. Não são. O fato é que não são. O discurso jornalístico tem que ser coloquial. Mas o poeta não é um colóquio. Ele é uma manifestação individual da existência. Sem fanatismo, julguem como quiserem, eu não sou jornalista, sou blogueiro de poucos leitores, ainda bem, não aceito a idéia de um mesmo jornal ou um veículo de comunicação ser lido ou visto por milhares ou milhões de pessoas. Torço que o blogger acabe com a profissão de jornalista. E que o jornalismo das grandes corporações perca cada vez mais espaço para a internet e seus portais e sites e blogs e podcasts, etc. E que a informação e a opinião se democratize. Caso contrário continuaremos deixando que limpem a bunda com a bandeira nacional, que são os versos de nossos poetas, e ficaremos indiferentes a isso, sem vergonha, como quem usa o banheiro de porta aberta.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
16h45
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Todo Homem tem que ter sua baianinha
Sou um poeta sem conteúdo
Sem século e sem séquitos
Don’t let me down
Don’t let me down, porra!
Tomar banho emburrece
Por isso tomo café
Sou aquele galante que naquele mirante
Olhou o ocaso bêbado de sol
Sabe da minha reputação?
Prove minha fama de mau
Conhece as minhas proezas?
Nunca me viu desaparecer no ar?
Pablo Neruda te despreza, menina
Não sou íntimo da ralé
Apenas um observador
Das coisas que deram errado
Todo homem tem que ter sua baianinha
Para oferecer uva em sua boca
E balançar seu pênis mijado
... x ...
E o medo de estar no bar e ser abordado por um soldado petulante gritando: “estejam presos, seus poetas alcoólatras e homofóbicos, personagenzinhos de Nelson Rodrigues”.
Deve ser humilhante, muito humilhante...
Mulheres feias corcundas e intelectuais, que um dia já foram bonitas elegantes e fúteis. O que está acontecendo com o nosso mundo?
E o medo de Deus um dia chegar e dizer: "para cada mulher bonita e inteligente, algo nela tem que ser sacrificado: você!"
Deve ser humilhante, muito humilhante...
Escrito por
Dublês de Poeta
às
01h04
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