Dream outfited
Ok, eu confesso, sou um deboche, um fantoche; anedota de mau gosto. Mas tenho a certeza definitiva que sou poeta. Não porque escrevo, não porque sou sublime e as vezes levito. Mas porque todas as madrugadas e auroras vivem para mim, clandestinamente, sem que Deus perceba. E talvez eu já tenha comido a sua mãe, talvez, talvez. Será que ainda existe esse deslumbre pelo perfume de anão?, ou há compaixão pela mão estendida? E quando a lua minguada germina amarela, ponderamos nosso julgamento, pois ela não teve culpa de ter nascido tão constrangida diante de quem a censura.
Sobre a farda e o peso de poeta eu não posso evacuar toda a angústia contida. Nas esperanças e combranças pelas quais nem se sabe do que se cobra ou sobre o que se fala: escrever para ser compreendido é fazer crônica, escrever por escrever é fazer poesia para não enlouquecer. Informação? Informação é fetiche, e eu a iguá-lo às estatisticas, a qualquer uma, quem gosta de informação e estatística é doente mental. Podem me atirar o cabo da vassoura, um balde de água fria. Mas eu escrevo para não cuspir em vocês de volta. Ontem eu simulei quebrar vidraças, roubar um banco e matar alguém, mas apenas cantei em francês e recitei segundos de silêncio às pessoas enlatadas em coletivos, condicionadas a trocar favores por favores num feudalismo contemporâneo. Será também que eu não fui uma troca, um enfeite numa cama de casal durante aqueles anos? A minha vida é o meu dilema.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
18h08
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La belle et contemporain San Paulo

Morena choque, volúvel vida cor de rosa - alma de doer mil volts, lábios servis, domecqs e noites. Passeamos pela Oscar Freire e pela Bela Cintra, desdenhamos vitrines, fetiches e fascínios que interviam pela frente. Contemplamos apenas um paralelepípedo inclinado à 45º na calçada onde apoiei seus joelhos finos e suas mãos pequenas, ignorando seu vestido Christian Dior e fiz jus ao ideal do Criador. Ali mesmo no Jardins, onde a senhora luxúria passeara frígida pelos dias e madrugadas formosas. Todos escutaram os tórridos gemidos, mas ninguém ousou abrir as persianas.
Escrito por
Dublês de Poeta
às
15h13
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