Mostra Indie de Cinema (link)

 

 

 

A primeira experiência no Indie deste ano foi bem prazerosa. Fui assistir ao longa metragem O Entardecer, uma adaptação de uma peça de Tchekov, da cineasta Angela Schanelec. O filme que, no início insiste numa longa pausa em um cenário campestre - um lago singelo e uma simbiose espontânea dos ruídos de bocejos seguidos de bafos de trident e flatulências do público cult do Cine Humberto Mauro – mostra a vida de uma família inocente, pura e graciosa. Antes do corte para a terceira cena eu já estava dormindo. Senti a preguiça contagiante que saía do decote da Renée e de toda sala do Humberto Mauro. Sonhei que todos os espectadores assistiam meu sono, se entretendo com o modo como eu escorava minhas pernas nas pernas que pareciam as pernas da Renée, embora não tinha certeza. A graciosidade da minha inércia e indolência proporcionou-me imagens azuis e sorvetes que falavam em espanhol e a trilha sonora do meu filme era alguém grunhindo, “cadê minha casquinha de açaí?”. Acordei no meio do sangue e, quando dei por mim, as pessoas estavam lá, compenetradas no corte profundo do pulso da protagonista e da maquiagem que parecia mesmo uma rapinha de açaí. Perguntei a Renée o que aquelas pessoas faziam acordadas vendo aquilo, e ela me respondeu que não sabia, pois também havia dormido. Então tive a idéia de ir embora para tomar um sorvete. Levantamos no meio do filme, cuidadosamente, só consegui pisar no pé de duas pessoas me desculpando, cuspir meu chiclete no chão sem pegar no cabelo de ninguém enquanto Renée dava bolsadas atropelando a visão do filme. Foi o grande clímax do "Entardecer" daquele domingo.



Escrito por Dublês de Poeta às 18h07
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 Abram aspas e façam silêncio que eu vou falar de mim para vocês

 

Minha boca vai trespassar, rasgar e devorar seus lábios hesitantes e tímidos, bocó e cintilantes. Basta um sorriso para contemplá-los e fazer feliz o meu olhar. Verter num doce sândalo, claro e perfumoso. Meu olhar atravessa. Nada nem ninguém tem importância para mim ao ponto de me incomodar ou me ocupar. Meu desprezo e minha ofensa é debochada, galante e pornográfica.

 

Uso minhas próprias frases contra mim e contra vocês. Elas se refletem no espelho e são mais rápidas que a fragrância de um fóton.

 

Esqueci de dizer - antes que você se revele uma putinha, de cinta-liga barata e baton vermelho, perfume de meretriz e um convite indecoroso e capcioso, que só sairia de uma mente débil  e vaginal de mulher, antes de tudo, de tudo mesmo - eu sou um humorista erótico.

 

Eu só posso exalar meu gozo, se a tua careta fizer beicinho pra mim.

Eu não aprendi a gozar. Meu orgasmo não tem noção de si mesmo. Eu mesmo não tenho.

 

Escrever boceta é o mesmo que escrever "enfia esse cano, garanhão". Por isso escreve-se buceta com “u”. “U” de vadia, ou vaca, ou porca. Se você não vê o “u” nessas palavras, pode enfiá-las no cu. Nele caberão

 

Eu não sou pornográfico. As baleias que tem o cu grande demais.

 

Eu criei deus enquanto tentava gozar. Pois os livros interessantes acabaram. Enquanto isso os sites de mulheres nuas proliferam mais que blogs ou bandas de rock ou menininhos e menininhas fazendo documentários de gente pobre e engajada em pobreza.

 

Meu tropeço, meu guia, minha canção e minha mediocridade mais divina. Ilumina. Ilumina.

 

Esfrega meus versos. Enleve-os até a boca e bulina com a língua até ele entrar em erupção, gozo e alucinar e contaminar de candidíase meu texto inteiro. Perde-se, mate-se. Minhas metáforas são presentes de piedade a vocês, Filisteus. Ainda sim, eu sei: hão de admirá-las um dia. Admoestando-as e, eu, claro, ignorando vocês com meu olhar atravessado.

 

Caiocito e Renée



Escrito por Dublês de Poeta às 01h18
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Autores:

Caiocito Campos, sofista inventor de teses obscuras e opinista esteta comportamental.

Plínia Campos, advogada que está quase fazendo qualquer coisa, sendo este quase, mínimo.

dublesdepoeta@yahoo.com.br


 
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